Entrevista a Los Saguaros

Entrevista a Los Saguaros

©Hugo Rodrigues

©Hugo Rodrigues

Com “Yuma” ainda fresco, numa edição da Experimentáculo Records embrulhada de forma bem bonita e criativa (fica a dica para o Natal), estivemos à conversa com os Los Saguaros para nos falarem deste seu novo trabalho. A dupla, composta por Diogo Augusto e Samuel Silva, andou este ano de norte a sul a espalhar a palavra do rock e em 2015 não será diferente, preparem-se.

Da última vez que falámos tinham editado recentemente o vosso EP “Sonora”, e quando se falava em planos para o futuro referiam que estavam a tentar “criar condições de gravar a maior parte das coisas que temos andado a fazer e que já ultrapassam, muito, o EP”. Estão algumas dessas coisas neste novo disco? O que é que transportaram dessa altura para este lançamento?
Sim, há algumas coisas neste disco que já estavam feitas quando gravámos o EP, outras que foram sendo feitas entretanto, outras foram feitas de propósito para o disco e outras ainda (um tema, para dizer a verdade, o “Yuma”) foi feito no próprio dia da gravação. Como tivemos a oportunidade de gravar este disco de borla (tendo sido nós responsáveis por rigorosamente todos os aspectos sonoros da coisa), juntámos tudo o que tínhamos e achámos que era uma boa oportunidade para gravar os temas que tínhamos andado a fazer em soundchecks de concertos.

O processo de composição dos temas ainda tem muito por base a improvisação em ensaio? Como é que foi para este “Yuma”?
Como dizíamos, o “Yuma” tem temas com origens muito diferentes. Entretanto (com concertos de Los Saguaros e The Jack Shits à mistura) sobra-nos muito pouco tempo para ensaiar e acabamos por ir criando coisas novas ou durante o soundcheck de um concerto ou cada um em sua casa juntando depois tudo mais tarde.

©AH! Photo

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Depois de terem um tema com voz em “Sonora”, contam com dois em “Yuma”. É algo que pretendem continuar a explorar ou acham que para este projecto o instrumental faz mais sentido?
Os temas com voz fazem-nos falta para os concertos. Nos sítios em que costumamos dar concertos não podemos insistir muito com temas instrumentais mais ou menos delicados sob risco de nos virarem as costas. E isso é bom. Obriga-nos a arranjar maneiras de manter o concerto interessante e com diversidade suficiente. Os temas com voz fazem bem esse trabalho mas a banda continua a ser primordialmente instrumental. Para além do mais, uma coisa é fazer instrumentais com uma banda de 4 ou 5 elementos, outra é fazê-lo só com duas pessoas. Fica muito mais complicado fazer temas com personalidade suficiente para não parecerem todos o mesmo.

Em “I Killed My Girl” contam com um convidado muito especial na guitarra. Como é que surgiu o convite e como é que foi trabalhar com o Victor Torpedo numa das vossas músicas?
Nós já conhecíamos o Victor há mais tempo do que ele nos conhecia a nós. Andamos a ouvir os Parkinsons e os Tédio Boys há muito tempo. Há uns anos tivemos oportunidade de tocar com os Parkinsons, a paixão foi imediata e arrebatada e, a partir daí, temos andado a matar a cabeça à procura de uma maneira de o pôr num disco nosso. Esta música pareceu-nos perfeita para isso, por isso enviámo-la para ele e recebemos de volta a mesma música mas com aquela linha de guitarra brutal gravada ao primeiro take. “Isto é só um rascunho, vejam lá o que acham” – perguntou ele. “Perfeito! Não lhe mexas mais! – dissemos nós.

É impossível deixar de mencionar a edição física do álbum, que inclui um conjunto de nove postais, ilustrados por nove diferentes ilustradores. De onde partiu esta ideia e o que acharam do resultado final?
Isto começou quando começámos a pensar no que faríamos para a edição física. Uma coisa normal e fácil de arrumar está fora de questão. Quando nos pusemos a pensar nas pessoas que conhecíamos com talento suficiente para fazer alguma coisa, apercebemo-nos que as queríamos a todas. Vai daí, foi mesmo isso que fizemos. E os 9 aceitaram logo participar e ainda bem que o fizeram porque o resultado é verdadeiramente estrondoso. Vale a pena o preço do disco só por isso.

Estiveram recentemente a filmar o vídeo para o novo single “Baby take me back”, podem-nos já adiantar alguma coisa sobre ele? Como correram as gravações?
Isso correu tudo de uma maneira a que não estamos muito habituados. Costumamos controlar tudo o que envolve a nossa música fazendo tudo nós próprios mas desta vez pusemo-nos nas mãos de dois Pedros, o Estêvão Semedo que tratou dos aspectos técnicos todos e da maiora dos aspectos mais artísticos, e o Soares que foi dando achegas quer numa coisa quer noutra. Por isso, o resultado final, para nós, vai ser uma absoluta surpresa. Não fazemos a mais pequena ideia do que vai sair dali.

Los Saguaros - Yuma

Foram uns verdadeiros ocupas na edição deste ano do Barreiro Rocks, como Los Saguaros, como The Jack Shits (onde se juntam a Nick Nicotine) e até no público. Que balanço fazem destes três dias de rock que passaram?
Contamo-vos um segredo. O nosso objectivo é fazer discos e bandas suficientes para tocar em todos os Barreiro Rocks para sempre e, assim, não pagar bilhete para o melhor festival do mundo. Pelos vistos andamos a esforçar-nos demais porque este ano tocámos 2 vezes… Não é fácil descrever o ambiente familiar, acolhedor e de comunhão que se vive ali. E isso misturado com a melhor música que se faz por aí, é qualquer coisa…

Ao longo do ano correram também o país para diversos concertos. Agora que estamos a chegar ao fim de 2014, tiveram algum momento ou momentos que gostassem de destacar ou que vos marcaram mais por uma razão ou outra?
Passámos o ano a correr o país quer como Los Saguaros quer como The Jack Shits, o que faz com que as experiências se misturem frequentemente. Mas como Los Saguaros, para além, claro, do Barreiro Rocks, podemos destacar o SonicBlast Moledo que é um festival onde nunca tínhamos ido e que nos impressionou particularmente e o Gliding Barnacles, um festival de surf na Figueira da Foz que está recheado de gente boa.

E para 2015, que planos há? Para além de continuarem a apresentar o “Yuma” podemos esperar músicas novas?
Para 2015, não sabemos ainda muito bem. A primeira parte do ano vai ser dedicada a apresentar o disco. Depois disso, temos um disco dos The Jack Shits já preparado para ser gravado e temos ainda outras coisas a andar mas que ainda não sabemos se vão ver a luz do dia. Isto envolve disponibilidades de uma data de gente, por isso nunca se sabe… Uma coisa é certa, alguma coisa há-de sair, até porque queremos voltar ao Barreiro Rocks em 2015!

Yuma” está já disponível para audição (aqui) e compra através do email experimentaculo@gmail.com, ou nos próximos concertos da banda: 20 de Dezembro em Rio Maior (Os Maiorais), 15 de Janeiro em Lisboa (Sabotage Club), 29 de Janeiro em Coimbra (Salão Brazil) e 21 de Fevereiro em Setúbal (Casa da Cultura).

Entrevista por Hugo Rodrigues

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