Top 10 de 2014 por Andreia Vieira da Silva

Top 10 de 2014 por Andreia Vieira da Silva

Criar uma hierarquia de “melhores álbuns” é sempre uma tarefa injusta, e as posições que são atribuídas, grande parte das vezes, são ingratas. Misturam-se estilos, composições que em tudo diferem e que pouco ou nada é válido comparar. Outros foram aqueles que tiveram que ficar de fora. Tive que formar uma fila de 10 e aqui figuram os que mais me chamaram a atenção, de maneiras diferentes.

#10 Aphex Twin – Syro

#10 Aphex Twin – Syro

Provavelmente o comeback mais aguardado do ano, depois de 13 anos volvidos desde o lançamento do último álbum, Drukqs. Aphex Twin regressa com um registo implacável. Rico em pormenores e um álbum a ter em conta, mesmo para quem não vai muito à bola com música electrónica, ou a achava entediante e desinteressante (era o meu caso).

#9 Wild Beasts – Present Tense

#9 Wild Beasts – Present Tense

Vi dois concertos destes senhores este ano, e até ao último concerto no Coliseu pouco ligava a Wild Beasts, para ser honesta. Após esse concerto no Vodafone Mexefest, ouvi várias vezes este álbum e também a restante discografia. “Mecca” e “Simple Beautiful Truth” são adictivas, com vocalizações fantásticas e uma melodia que fica vários dias a ecoar nos ouvidos.

#8 Caribou – Our Love

#8 Caribou – Our Love

Nunca tinha prestado muita atenção a este senhor, mas este álbum veio prender-me. O género que ele pratica até este ano não tinha sido propriamente o meu forte, daí a minha falta de interesse. Mas Our Love é um álbum genial cheio de pormenores deliciosos e considerações sobre a dualidade do amor. A partir daqui, claro, tive que ir descobrindo toda a restante discografia. Foi o álbum que mais ouvi em 2014.

#7 Real Estate – Atlas

#7 Real Estate – Atlas

Outra banda em torno da qual, por esquecimento ou falta de tempo, nunca tinha depositado um real interesse em conhecer. Com Atlas, foi como abrir um álbum de fotografias, é como se fosse a banda-sonora de uma grande viagem. As letras intimistas, com as quais nos podemos relacionar embalam-se por melodias simples e calmas. “Talking Backwards” é a minha faixa favorita.

#6 Pallbearer – Foundations of Burden

#6 Pallbearer – Foundations of Burden

É sem dúvida um dos melhores álbuns de metal do ano, e um excelente registo de doom. Um álbum que fala sobre perda e que encontra a bonança. Uma dualidade entre luz e escuridão. Apesar do foco ser o doom metal, conseguimos encontrar laivos de metal progressivo, com uma influência seventies pelo meio, não fosse Black Sabbath uma das referências da banda. A voz límpida de Brett Campbell, contrasta com o instrumental que parece engolir-nos para o abismo. Diria eu, um doom reinventado e que apesar das características faixas longas, nos prende e não se torna repetitivo.

#5 Behemoth – The Satanist

#5 Behemoth – The Satanist

Após 5 anos sem álbuns desta banda polaca, eis que surge The Satanist, que mereceu a espera. O início faz-se lento mas logo se multiplica em estilhaços, abrindo alas para os blast beats e para a violência do instrumental, juntamente com a voz rasgada de Nergal. Não desiludiu.

#4 Marissa Nadler – July

#4 Marissa Nadler - July

Um dos álbuns que mais ouvi em 2014 e que também me deu a conhecer esta senhora. A folk está na moda, mas esta senhora não é um fenómeno de um álbum só. Em dez anos tem 6 álbuns editados, mas July é o momento alto da sua carreira até agora. O álbum começa com a subtileza de “Drive (Fade Into)” e somos de imediato cativados pela hiptnotizante e sedutora voz. É uma voz angelical que canta sobre mágoas. É impossível não sentir uma conexão com as desventuras de Marissa, enquanto se ouve um verso como “Some things never change, be it a river or be it your name”, em “1923”. Intimista e depressivo, mas uma obra de arte em todo o seu esplendor.

#3 Ariel Pink – pom pom

#3 Ariel Pink - pom pom

Este álbum é delicioso. Provavelmente o melhor álbum de Ariel Pink até à data. É uma viagem estranha num parque de diversões infinito. Parece infantil e parvo numa audição mais desatenta, mas são 17 músicas com uma produção bestial e carregadas de excentricidade, não fosse assinado pelo senhor de que se trata. Tem sintetizadores hiperactivos e um humor contagiante. Por outro lado, há faixas lo-fi e dreamy. “Four Shadows” e “Lipstick” podiam ter sido hits de encher pistas de dança nos anos 80. É um álbum rico, de boring não tem nada. Percebo que haja quem o ache insípido e sem direcção alguma. Não é para todos os ouvidos. Nos meus caiu que nem ginjas e acho o álbum viciante.

#2 Sharon Van Etten – Are We There

#2 Sharon Van Etten – Are We There

Conheci Sharon Van Etten com este álbum e fiquei completamente rendida a esta senhora da folk. É um álbum sólido e com um sabor melancólico. A voz doce e leve lembra-me Cat Power. É um álbum que nos toca nas feridas, são faixas que nos confidenciam sentimentos, tanto bons como maus. Há umas frases que ficam a rebobinar na nossa cabeça, como “You like it when I let you walk over me”. Lutas interiores, alegrias exuberantes ou despedidas tumultuosas. É muito pessoal e verdadeiro, não se trata de um produto feito. Daí ser tão fácil encontrarmos uma ligação.

#1 Triptykon – Melana Chasmata

#1 Triptykon – Melana Chasmata

O álbum de metal do ano. Também dos álbuns que mais ouvi, desta fornada de registos novos. Esta banda, fundada em 2008, e com Thomas Gabriel Fischer dos Celtic Frost na voz, é uma ponte entre o som pesaroso do doom, o cru black metal e ainda o dilacerante thrash metal. Uma mistura tão expansiva como esta é arriscada, mas das mãos de músicos experientes só poderia sair algo consistente e interessante. Se em “Altar of Deceit”, a vocalização é diabólica e o instrumental se arrasta vindo das trevas, em “Breathing” a fúria célere reina, puxando a brasa ao thrash metal. “In The Sleep of Death” é um dos pontos altos do álbum, um grande hino de doom metal. Termina com “Waiting”, como se fosse a calmaria de um amanhecer sucessor a uma noite de tempestade. Para resumir, é um álbum que não me cansa, daí o lugar cimeiro.

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