Viva a Liberdade (Viva la Libertà)

Viva a Liberdade (Viva la Libertà)

Viva a Liberdade

O filme de Roberto Andò é um autêntico tratado político sobre a esquerda italiana e até mesmo sobre a esquerda europeia. Toni Servillo encarna duas personagens. A primeira, Enrico Oliveri, é o secretário-geral de um partido da esquerda italiana acusado de fazer quebrar a popularidade do seu partido e a influência junto das massas pelo silêncio absoluto face a questões políticas centrais. Giovanni Ernani é o  irmão gémeo com quem Enrico não fala há mais de 25 anos, que esteve internado num hospital psiquiátrico, não se sabendo porquê nem se existe sequer perturbação mental.

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Quando Oliveri desaparece subitamente sem avisar ninguém, Andrea, o seu assessor, fica nas mãos com um escândalo político eminente que poderia ditar o fim do maior partido da oposição italiana. É aqui que tudo começa. Giovanni, gémeo de Oliveri aceita fazer-se passar por ele. E passam a não existir filtros nos discursos, nas intervenções, nas reuniões com chefes de estado. A filosofia passa a ser parte integrante do discurso corrente que é feito olhos nos olhos, com uma sinceridade crua e sem grandes jogos de poder.

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O eleitor passa a ser responsabilizado directamente por aquele de quem espera resposta, afirmando lá do palanque de que a resposta só pode depender de cada um dos que o ouvem. Porque é da catástrofe que o sul se tem alimentado. Crise após crise, aumento do desemprego, dificuldades sociais, são catástrofes sucessivas que corroem o sistema a que se chama democracia e criam discursos imperceptíveis para os eleitores, que não compreendem, não confiam e passam a delegar no outro – seja ele quem for – a decisão sobre o seu futuro.

Pelo meio conta-se a história de Danielle (Valeria Bruni Tedeschi), paixão dos dois irmãos que terá sido um elemento fundamental na ruptura de um com o outro.

No fim, pouco ou nada se sabe sobre Oliveri e Giovanni. Quem são, o que são, por que não se falam, o que querem. Mas o ideal colectivo de uma oposição antes de rastos, ergue-se ao ritmo das palavras de um só homem, que não é quem diz ser, e no final fica para quem vê – ou para a história italiana – a solução. O que fizeram então aqueles que são os únicos responsáveis pelo futuro e devir colectivo de toda uma sociedade?

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 Texto por Lúcia Gomes

Arte-Factos

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