O Sétimo Filho (The Seventh Son)

O Sétimo Filho (The Seventh Son)

O Sétimo Filho

O Sétimo Filho, de Sergey Bodrov (pouco conhecido por estas paragens é também o realizador de Mongol: A ascensão de Genghis Khan, de 2007), promete muito mais do que o que entrega.

Com estreia demasiado próxima de The Hobbit: A batalha dos cinco exércitos e inevitavelmente comparado e comparável, deixa muito a desejar. Julianne Moore (Mother Malkin), Jeff Bridges (Master Gregory) e mesmo Kit Harington (ou Jon Snow no papel de Billy Bradley) fariam antever um filme com grandes interpretações e transformações radicais no caso de Moore e de Bridges, mas…não.

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Julianne Moore interpreta a rainha má que, desolada com um desgosto de amor, se torna a mais poderosa das bruxas, regente de vários demónios e com poderes para destruir a humanidade. De uma sensualidade atroz, não tem vocação para má da fita. A voz não se eleva nem as maldições convencem. Sendo uma das melhores actrizes que Hollywood conheceu, este será talvez o pior papel de toda a sua brilhante carreira. Já Jeff Bridges espanta. Com algumas transformações físicas que lhe dão um ar medieval de feiticeiro boémio, convence no papel, mas o filme não o deixa respirar. O sétimo filho do sétimo filho é deixado para Ben Barnes (Tom Ward) que está muito, demasiado longe, de ser um herói. Demasiado sem sal, um papel demasiado forçado numa história praticamente sem história.

O enredo é pobre e tudo acontece demasiado depressa. A luta entre o bem e o mal resolve-se em disputas que duram segundos. Matam-se demónios e bruxas enquanto – literalmente – o diabo esfrega um olho. Apesar da paisagem e da caracterização dos «demónios» ser de se tirar o chapéu, os cenários parecem sempre miniaturas de qualquer coisa (é demasiado evidente a construção computorizada), a vida das criaturas mais interessantes não é explorada nem tão pouco vingada. Aliás, o filme detém-se em cada personagem apenas durante os segundos essenciais para que saibamos o seu nome e de que lado estão, erro grosseiro para quem faz um filme supostamente épico.

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Existe matéria para dois ou três filmes que se condensam num, como se estivéssemos a vê-lo em fast forward. E um herói nada heróico e muito menos convincente no papel que lhe é atribuído, um erro de casting imperdoável.

Nesta história de Master Gregory, o feiticeiro implacável que mata bruxas e outros demónios enquanto se embebeda pelo meio, cujos aprendizes morrem e apenas quando encontra Tom Ward encontra o seu sucessor, não há nada há de novo ou surpreendente. Na verdade, fica-se mesmo com o lamento de não se explorar cada um dos demónios em várias sequelas, cujo final deixa antever, ao invés de os matar a todos de sopetão.

A haver um segundo, pelo menos, que seja em curta-metragem e em 2D.

2Lúcia Gomes

Lúcia Gomes

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