O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

O Jogo da Imitação

Um dos nomeados ao Óscar de melhor filme de 2014 é The Imitation Game. Acerca do grupo de matemáticos que se dedicou a descodificar Enigma, a linguagem de código utilizada pelo exército Nazi na II Guerra Mundial, The Imitation Game revela-se nada mais nada menos que um filme competente e seguro, até politicamente correcto, na forma da biografia de Alan Turing (o matemático que liderou esta equipa, habilmente interpretado por Benedict Cumberbatch) que, inteligentemente disfarçada de thriller de bastidores de guerra, aborda alguns temas socialmente significativos.

De facto, o realizador Morten Tyldum nada arrisca num filme inocente que não magoa ninguém e que pode ser visto por qualquer um. Este é um daqueles filmes cujo estilo recorrentemente vai pontuado os Óscares, já antes visto em Lincoln, Cavalo de Guerra ou Argo: o filme socialmente relevante e competente, mas que enquanto obra de arte cinematográfica pouco valor oferece. The Imitation Game nunca desafia o espectador nem tenta fazer algo de diferente, seja através da realização, fotografia, do diálogo ou do argumento em geral. As personagens são competentemente estereotipadas e seguras. O filme tem, com efeito, uma lição moral para a sua audiência, mas a verdade é que nunca a entrega de forma pretensiosa, resistindo (o que é cada vez mais raro) a enfiar “conversa fiada moralista” pela garganta do espectador, disfarçando-a de arte. E Morten Tyldum tem mérito nesse campo.

the imitation game

Todavia, não existe de facto nada de verdadeiramente pertinente que distinga The Imitation Game de outros filmes similares. Nada, com a excepção de Benedict Cumberbatch. O actor entrega uma performance notável que consegue, por si só, trazer o filme para um patamar ligeiramente superior àquele a que estaria condenado. Na verdade, a interpretação de Keira Knightley, bem como a de todos os outros actores, deixa uma sensação de algum embaraço quando comparada ao que Cumberbatch faz pelo filme. Não que a sua prestação seja digna de arrebatar Óscar, mas é com toda a certeza o elemento que mais se destaca.

Em jeito de conclusão, The Imitation Game é um filme bom, “normal”, seguro e competente, mas que por vezes parece pré-encomendado (mais cedo ou mais tarde, este filme seria feito). Nunca brilha verdadeiramente como obra cinematográfica e nunca desafia um espectador porventura mais atento ao cinema de um modo geral, que terá, na verdade, direito a nada mais que uma agradável tarde ou noite passada no cinema.

6David Bernardino

Amante e crítico de cinema. Actualmente escreve no blog de cinema pessoal The Fading Cam em thefadingcam.blogspot.com e, claro, no Arte-Factos.

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