Música da Semana #130

Escolhas dos malcontent:

©Ramon Rainha

©Ramon Rainha

Travelling Wave – To Your Face
Ultrapassar ideias preconcebidas continua a ser um grande desafio. Escutar Travelling Wave é um excelente exercício nesse sentido. Uma genial banda brasileira a provar que nem tudo o que vem do outro lado do Atlântico é samba, bossanova ou futebol. “To Your Face” é justamente um estalo na face. Surpreendente ao primeiro acorde, uma genial canção de guitarras desenfreadas, com voz sussurrada e cativante. Um primeiro passo para estreitar o oceano de desconhecimento que separa dois países alegadamente próximos.

The Black Angels – Molly Moves My Generation
Quando os Black Angels pareciam abrir, ligeiramente, a porta do mainstream, eis que o grupo de Austin nos convida para uma sala de psicadelismo absoluto. Quatro paredes sónicas que nos deixam sem respiração. Um universo paralelo. Música ideal para nos abstrairmos de tudo o que nos rodeia… se necessário.

Black Rebel Motorcycle Club – Love Burns
A viragem de século devolveu-nos a essência do rock and roll. Os Black Rebel Motorcycle Club personalizaram essa vontade de fazer regressar a música ao seu estado mais puro . O amor como forma de sofrimento, arrependimento, surpresa. Sentimentos ao som de uma solitária guitarra acústica que vagueia numa suave mas fascinante muralha sónica. Elementos essenciais para uma grande canção. Love Burns é, por agora, a canção do século.

The Horrors – Scarlet Fields
Extraído de um dos mais geniais álbuns dos últimos anos, Scarlet Fields agarra-nos logo de início. A introdução aguça a curiosidade para uma canção fabulosa. É a Love Will Tear us Apart do século XXI numa das mais originais produções rock de sempre. Amor à primeira audição.

The Cure – A Night Like This
O fim de um relacionamento antes perfeito. Nunca a dicotomia amor/ódio foi tão bem explorada em apenas quatro minutos. A vontade de mudar sem perder o que se tem. Sensações descritas em tons escuros, claro, numa das melhores canções dos anos 80 que nos acompanha para sempre.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Trent Reznor

Nine Inch Nails – Getting Smaller
Não há uma razão muito óbvia para me ter lembrado de pegar em Nine Inch Nails esta semana, mas o facto de o ter feito “obrigou-me” a reouvir este tema várias vezes. O motivo? É talvez um dos temas mais catchy da banda, pelo menos para mim.

From Indian Lakes – Awful Things
É verdade que não ouvi tantas vezes o novo álbum dos From Indian Lakes como ouvi o seu antecessor (e foram muitas), mas hoje cruzei-me com o novo vídeo da banda, precisamente para esta “Awful Things”, e gostei bastante, talvez deva dar-lhe uma nova oportunidade.

God Is An Astronaut – All Is Violent, All Is Bright
Parece que os God Is An Astronaut vão regressar ao nosso país este ano (são os próprios que o dizem) e isso é um motivo excelente para ouvir o “All Is Violent, All Is Bright”, o disco, e a música.

Portugal. The Man – Creep In A T-Shirt
Não costumo pensar muito nestas coisas quando oiço um disco mas, no caso do “Evil Friends” dos Portugal. The Man, a minha música favorita acaba por variar bastante conforme a altura em que o oiço, e talvez a minha escolha até já tenha passado por todas ou quase todas as suas faixas. No entanto, de alguma forma, acabo por voltar sempre a esta.

Baroness – Take My Bones Away
Eu sei que é difícil não escorregar no azeite ao ouvir o “Yellow & Green” dos Baroness, mas tenho saudades deles na mesma.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Roy Orbison

Roy Orbison – In Dreams
Não há muitas coisas nesta vida que, para mim, superem uma ida à Cinemateca. Desde o portão principal com o placar escrito em letras bonitas, passando pelo hall estrelado onde se encontram as entradas para as salas onde a magia acontece, até às escadas com os seus 39 degraus em homenagem ao grande Hitchcock, as torres de filmes, a cafetaria com os seus janelões e cadeirões prontos para nos receber com um chá e um livro, tudo é mágico. Mais mágico ainda, é ter, para além de tudo isto, um enorme espólio cinematográfico com os clássicos da história ao nosso dispor. Já aprendi muito naquele museu e continuarei sempre a aprender. Ontem voltei áquele mundo para ver o Blue Velvet e como não podia deixar de ser, esta é sem dúvida A música da semana.

Urfaust – The Healer
Já saiu o novo EP de Urfaust e se ainda não ouviram, vão fazê-lo e prepararem-se para aquele que vai ser um dos concertos do ano, no próximo Amplifest. Esta The Healer é a minha preferida e descobri que é excelente banda sonora para fazer tricot – não perguntem.

Birds of Passage – Belle de Jour
Já há algum tempo que não falava aqui dos podcasts do Vidro Azul. Esta semana andei a ouvir aqueles que tinha em atraso e descobri este projecto que não conhecia, Birds Of Passage. Andei a semana toda à procura de um pouco mais sobre este projecto, mas acabei por voltar sempre à primeira que ouvi, esta lindíssima Belle de Jour.

Orthodox – Marcha de la Santa Sangre
Foi na Quinta-Feira passada que aconteceu o primeiro concerto Amplificasom. Infelizmente não me foi possível estar presente, mas não foi isso que me impediu de ouvir Orthodox durante a semana.

Jozef Van Wissem – Our Hearts Condemn Us
Faltam poucos dias para ver Jozef Van Wissen, depois do concerto na Sé do Porto aquando do Amplifest 2012, que não tive oportunidade de ver por estar em trabalho, algo que quero muito mudar desta vez. Ansiosa por esse dia.

Escolhas de Cláudia Filipe:

Mikal Cronin

Mikal Cronin – Made My Mind Up
Vem aí o terceiro álbum do Mikal Cronin e eu não poderia estar mais na expectativa. O single foi conhecido esta semana e tenho ouvido em loop, como não poderia deixar de ser. Gosto dele, da forma directa como aborda as suas dores nas suas canções tão simples, mas tão bonitas. Deixem de pensar nele como o tipo que anda a reboque do Ty Segall porque existe aqui muito mais talento além disso.

Modest Mouse – Lampshades on Fire
Enquanto o resto de Strangers to Ourselves não me chega às mãos, vou ouvindo a viciante Lampshades on Fire e cantarolando WHERE I’M GOING, WHERE I’M GOING.

Natalie Prass – My Baby Don’t Understand Me
Boa surpresa de 2015, esta menina de voz doce. Vai andar por perto nos próximos dias.

Elliott Smith – Somebody That I Used To Know
Aquele estranho momento em que batem ventos de 250km/h no avião onde estás e, quando o nervosismo se começa a apoderar das pessoas todas que estão à volta, fechas os olhos e começas a cantar baixinho esta música.

Belle and Sebastian – The Party Line
Ainda não consegui decidir se gosto muito ou pouco do novo álbum de Belle and Sebastian. Se, à partida, estranhei um single tão dançável e com tantos sintetizadores como esta The Party Line, agora já desperta em mim vontade de dançar.

Arte-Factos

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