Entrevista com Call of the Void

Entrevista com Call of the Void

Call of the Void

É já a segunda vez que conversamos com os Call of the Void e nada parece ter abrandado desde a estreia “Dragged Down a Dead End Path”, que introduziu a banda do Colorado ao mundo com nota alta. Agora, com o novo “Ageless” a servir de tema de conversa, não parece haver muita pressão em conseguir manter a qualidade do primeiro registo. Foi o relaxado baterista Gordon Koch que nos esclareceu acerca deste novo trabalho.

Tiveram sucesso em continuar com o poder e brutalidade demonstrado em “Dragged Down a Dead End Path” com este excelente novo disco. Como foi regressar ao estúdio e trabalhar neste novo álbum?
Foi muito entusiasmante mas stressante. Estávamos a finalizar as novas canções até termos que ir para estúdio, logo algumas músicas estavam ainda muito frescas e foram um pouco desconfortáveis de tocar. Foi também o mais longo tempo em estúdio que alguma vez agendamos para gravar um disco, de forma a nos dar bastante espaço para respirar e deixar algumas ideias desenvolverem-se por lá. O primeiro disco foi feito em três dias, o “Ageless” foi completo em seis.

Sentiram alguma da tão falada “pressão do segundo álbum”, especialmente dada a alta qualidade que a estreia apresentou?
Temi essa pressão durante o início do processo, mas assim que atingimos a nossa passada, todas as canções se uniram e esse medo dissipou-se. Quando se pensa no assunto, existem tantas bandas que têm um segundo álbum espectacular como existem as que têm segundos lançamentos com falta de brilho. Não estamos assustados.

Que novos elementos colocam sobre a mesa em “Ageless”?
É mais “grosso”, mais rápido, mais vil, mais esquisito e é um álbum mais coeso. Trouxemos uma margem mais hardcore à música e focámo-nos mais na estrutura da canção, a acrescentar à filosofia “hardcore/grind”. Este é a rasgar.

Acham que as digressões extensas e os concertos ajudaram a trazer novas ideias e influências a estes novos temas?
Absolutamente! Ver em primeira mão o que faz as pessoas mexer-se e desenvolver canções na estrada é crucial, mas para nós, quando passamos algum tempo com os riffs é quando começamos mesmo a escrever e a escrever bem.

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Nunca pouparam louvores ao trabalho do Andy Patterson, com razão, e mais uma vez é ele que trata das misturas. Sentem que ele é o melhor para capturar o som dos Call of the Void e vêem-no como uma opção permanente para tratar das vossas gravações?
O Andy já é da família. Gravámos tantos discos com ele que já é tudo natural. Sabemos como ele trabalha e ele sabe como nós gravamos, ele sabe quando nos dizer para parar e nós sabemos quando ouvir. Já para não falar que no tempo entre os nossos discos ele está a aprender novos e melhores truques para fazer tudo soar melhor. Estamos ambos a evoluir juntos e a crescer na comunidade musical, e como ele também toca nos Subrosa, está em ambos os lados do espectro. O Andy percebe-nos!

Renovaram o vosso alinhamento para cinco membros oficiais. O que está na origem desta mudança?
O Patrick (Alberts, guitarra) e eu tínhamos tocado com o Gabe Morales há muito tempo noutras bandas. Ele é um amigo próximo e um fantástico guitarrista que ajudou a influenciar-nos a ambos mesmo após termos parado de tocar com ele. A banda estava contente em manter-se sempre um quarteto, mas ele foi a excepção. Então um dia contactou-nos e simplesmente fez sentido! O som, profundidade e escrita que ele trouxe à banda é fundamental. Não sei o que seríamos sem ele agora.

Existe alguma mensagem em particular por trás do título do álbum e das letras das canções?
O ódio supera o teste do tempo, é infinito, é eterno. Tudo consegue e irá matar-te. A tua cultura está a manipular-te para te comportares como um drone. A vida é dor, habitua-te.

O “Ageless” cimenta a dificuldade em colocar um rótulo na vossa música. Preferem não manter limites no género? Acham que conseguem alcançar outro tipo de público com a variedade de influências?
Estamos apenas a tocar o que adoramos e o que sai naturalmente. Temos muitas influências na nossa música, algumas coisas são “sabores da semana”, outras são coisas que crescemos a ouvir mas todas acabam no caldeirão. Todos dão o seu contributo e no final sai uma música dos Call of the Void. Dá-nos imensa pica termos a possibilidade de tocar estas canções para um público, mas escrevemos estas músicas para nós mesmos, apenas esperamos que os outros também as apreciem.

Call of the Void

Partilharam o palco com vários nomes gigantes de diferentes espectros da música extrema. O que podem dizer acerca dessa experiência? Sentem que isso trouxe novas influências para a escrita de nova música?
Tem sido uma viagem rápida e louca. Uma das melhores coisas que existe em tocar com os teus ídolos é aperceberes-te que eles são tal como tu. Toda a gente na comunidade do metal está apenas a tentar divertir-se e sobreviver. É muito esclarecedor e uma lição de humildade, para ser honesto. Um dos principais factores que é repetido na nossa experiência de tocar com as tais grandes bandas é a presença em palco. Sabes que são uma boa banda quando todos em palco estão a controlar a plateia e a criar a vibração perfeita para cada local. É muito mais fácil no papel do que na vida real!

Têm o mês de Fevereiro repleto de datas de concertos. O que pode ser dito acerca desta digressão e que expectativas têm para qualquer futura vida na estrada, com este novo material?
Esta digressão com os Enabler vai ser um estrondo. Já não me sentia tão confortável em voltar à estrada há algum tempo, a combinação da edição do novo álbum com a partilha feita com uma banda tão porreira é espectacular. Planeamos andar na estrada o máximo possível com este novo lançamento porque as pessoas precisam de o conhecer! Estes são uns Call of the Void muito mais brutais e o público precisa de o ver.

Disseram anteriormente que pretendem conquistar solo americano antes de chegar ao resto do mundo. Com dois álbuns de sucesso e criticamente aclamados, sentem que há oportunidade de visitar igualmente solo europeu?
Temos a Europa na nossa mira! Já ansiamos por uma digressão europeia desde que começamos a banda. Assim que tenhamos a oportunidade, não a vamos desperdiçar e podem ter a certeza que terão um espectáculo inesquecível. Tomem nota!

Entrevista por Christopher JRM

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