Vallenfyre no RCA Club (06/02/2015)

Vallenfyre no RCA Club (06/02/2015)

©José Carlos Santos

©José Carlos Santos

Texto por Estefânia Silva

Imaginem que anunciavam um concerto conjunto de Paradise Lost, My Dying Bride e At The Gates numa qualquer sala de Lisboa. Casa cheia, pensariam vocês. Agora imaginem uma banda com pelo menos um elemento (ou ex-elemento) de cada uma dessas bandas. Casa cheia? Ao contrário do que seria de esperar, não.

A noite começou com os espanhóis Foscor e, para aqueles que ainda não tinham ouvido o último «Those Horrors Wither», pode-se dizer que foi um início de noite surpreendente… e para muitos não da melhor maneira. Os Foscor do black metal são agora os Foscor de um metal mais melódico, progressivo e morno e a setlist comprovou o empenho da banda nessa mudança. A abrir foram as exactas três primeiras faixas do último disco e a fechar o tema-título seguido do single “Graceful Pandora”. Pelo meio apenas três faixas dos dois discos anteriores (“Groans To The Guilty”, “The Smile Of The Sad Ones” e “Searching A Seal Of Pain”) tendo ficado de fora qualquer referência ao álbum de estreia de 2004. Talvez por desconhecimento desta mudança de sonoridade, talvez pelo frio que se fazia sentir, a audiência estava passiva e sem grandes demonstrações de entusiasmo. Longe vai 2007, quando a banda se estreou no país e, segundo diz a lenda, com um público bem mais entusiasta.

A entrada dos Vallenfyre em palco trouxe o que para muitos seria outra surpresa: a ausência do baterista Adrian Erlandsson que se encontra em tour com At The Gates. No seu lugar estava Waltteri Väyrynen, um jovem finlandês de 20 anos que segundo pudemos apurar é um dos pequenos protegidos do próprio Adrian. Apesar de jovem e de um currículo parco em referências a verdade é que em nada diminuiu a prestação da banda, tendo-se apresentado à altura da tarefa. Não era difícil prever a setlist desta estreia em terras lusas tendo essa se dividido na perfeição entre os dois discos (oito faixas por disco, num total de 16 músicas). A abrir e a fechar estiveram “Scabs” e “Splinters”, respectivamente faixa de abertura e faixa de encerramento do último álbum, «Splinters». Pelo meio houve “Odious Bliss”, “Bereft”, “Humanity Wept”, “Savages Arise”, “Desecration” e muito diálogo com o público… pelo menos para aquilo que estamos habituados a ver do (aqui) frontman Gregor Mackintosh. Desde troca de bebidas com a audiência a questionar qual o nosso vício/droga favorito, houve um pouco de tudo, numa atitude muito próxima do que se esperaria de uma qualquer banda de punk/crust. O death metal dos Vallenfyre estava especialmente doom-y e em grande parte por culpa da guitarra do ex-My Dying Bride, Hamish Glencross que de tempos a tempos lembrava (talvez até demasiado) a sua anterior banda.

No final de contas, os poucos que presenciaram esta estreia não se podem considerar de nenhuma forma lesados, mesmo com a ausência de Erlandsson. A dinâmica e a conjugação das diferentes personalidades está bem oleada, a experiência é mais do que notória e para quem achava que isto era só uma brincadeira, aqui ficou a prova em contrário.

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