Óscares 2015: Interpretações | As Nossas Apostas

Óscares 2015: Interpretações | As Nossas Apostas

Recordamos os nomeados para as categorias de interpretações e revelamos as apostas da nossa equipa.

Nomeados: Melhor Actor e Melhor Actriz Principais

Oscar15 ActorOscar15 Actriz

Nomeados: Melhor Actor e Melhor Actriz em Papéis Secundários

Oscar15 Papeis Secundarios

Bruno Fernandes.
Dos nomeados para o Óscar de melhor actor, Carell, Cumberbatch e Cooper, está visto, só vêm para aquecer. Tudo se resolverá entre Michael Keaton e Eddie Redmayne. O primeiro tem um papel de total exposição, a identificação com a personagem e ter 61 anos (e a sensação de que se não ganha desta vez, nunca mais consegue). O segundo interpreta Stephen Hawking. A Academia gosta de transformações físicas e Redmayne já recebu o SAG. Às vezes esta combinação falha, mas parece-me que interpretar Hawking é o tipo de seguro que nunca mais tem. Apostem em Redmayne, com muita pena minha. Julianne Moore deve ter passado toda a temporada de prémios com síndrome de túnel cárpico, pois a sua vitória em todos os prémios tem sido uma constante, e os Óscares serão a parte final da victory lap que, a bem dizer, já merecia há muito tempo. Será também isto que andará na cabeça de quem vota: Moore já foi nomeada quatro vezes, e fica sempre aquela ideia no ar, como em Kate Winslet e Jeff Bridges antes dela, que já lhe devia ter calhado algum. Será este ano.

David Bernardino.
Além de ter sido um ano particularmente fraco no que toca a cinema Americano em geral, 2014 foi um ano ainda mais fraco no que toca a interpretações. De entre os 20 nomeados nas 4 categorias de actores, provavelmente apenas 3 ou 4 intérpretes teriam lugar entre os nomeados do ano passado (e 2013 não foi também nenhum ano particularmente positivo para a sétima arte). O prémio de melhor actor deverá ser entregue a Eddie Redmayne (The Theory of Everything). Não estará mal atribuído se assim for, mas talvez Benedict Cumberbatch tenha demonstrado mais intensamente a sua qualidade. Michael Keaton também não sairia mal visto da fotografia. Keaton é a única coisa boa em Birdman, e é um actor que, também pela carreira, merece ser lembrado, e esta é talvez a sua última oportunidade. Quanto à melhor actriz não restarão grandes dúvidas de que Julianne Moore levará o Óscar. Na verdade já era tempo. A par de Cate Blanchett é provavelmente a melhor actriz no Mundo neste momento, apenas lhe têm faltado filmes que acompanhem a sua sempre brilhante interpretação. Rosamund Pike também seria uma justa vencedora. Nos papéis secundários, seria criminoso J.K. Simmons não vencer com o seu papel em Whiplash. Do lado feminino não existe nenhuma interpretação acima do competente. Laura Dern ou Patricia Arquette seriam justas vencedoras pela sua carreira, devendo a estatueta cair nas mãos da segunda.

Edite Queiroz.
Se este não é propriamente um ano de grandes filmes, não é exactamente assim no campo das interpretações. Os favoritos para o prémio de melhor actor serão Michael Keaton e Eddie Redmayne, pelas (gigantes) interpretações de ambos em Birdman The Theory of Everything. Por uma questão de justiça divina, Michael Keaton deveria receber o Óscar: não apenas pela sua prestação em Birdman mas por 40 anos de carreira sólida e discreta sem qualquer nomeação no currículo. Isto não diminuiria o valor da prestação de Eddie Redmayne, no entanto, é um actor muito jovem, com muito tempo ainda para receber prémios. Não obstante, pelo sensacionalismo da sua interpretação e pelos afectos que gerou, o Óscar de melhor actor será provavelmente dele. Já no campo das interpretações femininas, a batalha é mais simples: Julianne Moore é a grande favorita e é também a justa vencedora, uma vez mais por uma dupla razão: a sua prestação em Alice e o Óscar que já tarda depois de tantas provas dadas (diga-se ainda que, para mim, é relativamente incompreensível a nomeação de Rosamund Pike). Não tenho um favorito para o prémio de melhor actor secundário (suspeito que o prémio será arrebatado por J.K. Simmons). Por fim, na corrida ao prémio de melhor actriz secundária estará, este ano, o verdadeiro concurso: qualquer uma das ilustres nomeadas poderia – e mereceria – ganhar.  Fazendo a matemática: Meryl Streep já ganhou três Óscares e é nomeada praticamente todos os anos, o que este ano lhe dará uma certa desvantagem tendo em conta a qualidade do trabalho das quatro adversárias, que nunca ganharam nenhum. Refiro-me a Keira Knightley (nunca pensei dizer isto, mas a prestação em O Jogo da Imitação é conseguida) e a Emma Stone, sendo esta última a minha favorita. No entanto, e tendo em conta o número de nomeações de Boyhood, não me surpreenderia se a vencedora nesta categoria fosse Patricia Arquette. Para concluir, não posso deixar de referir aquele que é, quando a mim, o grande “esquecimento” desta 87ª edição dos Óscares (a Academia tem uma longa tradição de “esquecimentos” inexplicáveis…): no ano de Miss JulieA most violent year e The Disappearance of Eleanor Rigby… onde está a nomeação de Jessica Chastain?

Isabel Leirós.
No ano em que Michael Keaton regressou ao grande ecrã e interpretou o papel da sua vida, só posso esperar a Academia lhe faça justiça, atribuindo o Óscar de melhor actor. Em Birdman, Keaton interpreta um papel à sua medida e demasiado (e assustadoramente) biográfico – ou assim nos querem fazer acreditar. Do lado feminino, considero Rosamund Pike a mais séria candidata ao grande prémio de interpretação. Em Gone Girl, o seu ar angelical transforma-se e reinventa-se, envolvendo-nos na mais deliciosa personagem psicótica dos últimos tempos. Quanto aos nomeados pelas interpretações secundárias, torna-se muito complicado apontar uma vencedora, pois sinto que faltou a todas «aquele» toque; do lado masculino, porém, J. K. Simmons é o que considero reunir as melhores condições. Aliás, o papel que interpreta em Whiplash é tão magnânimo, que deveria estar a concorrer na categoria principal das interpretações masculinas. 

João Torgal.
Nos homens, dêem já o prémio a Eddie Redmayne. É certo que interpretar alguém com debilidades físicas dá um assinalável espaço para brilhar. Mas o desempenho do britânico como Stephen Hawking é estratosférico. Mesmo tendo em conta que há também o estrondoso e auto-biográfico regresso de Michael Keaton. Isto numa categoria onde Bradley Cooper foi novamente nomeado (três vezes consecutivas?!) e onde Jake Gylenhaal (Nightcrawler) e Oscar Isaac (A most violent year) são ausências quase escandalosas. Nas mulheres, o Oscar não deve fugir a Julianne Moore. Surgirá à quinta-nomeação, pelo desempenho em Alice, num ano em que Moore teve um outro papel notável: em Maps to the Stars, de Cronenberg. Isto numa categoria onde se destaca a presença de Marion Cottilard, nomeada pelo belo desempenho no extraordinário filme dos belgas Dardenne.

José Santiago.
Este ano não há competição para Julianne Moore, a personagem de Alice no filme de Richard Glatzer e Wash Westmoreland é das mais poderosas a atingir o cinema no ano passado e o trabalho da actriz vai ser premiado. Steve Carrell pode vir a ser o justo vencedor pela interpretação principal em Foxcatcher, já estamos um pouco cansados do esquema “actor de comédia faz filme sério para ser reconhecido com actor a sério”, mas aqui houve uma clara intenção de mostrar a várias camadas na personagem criada com os atributos únicos do actor. Nas categorias secundarias de interpretação temos dois actores em grande forma a disputar a honra, Edward Norton e J.K. Simmons, se o primeiro é capaz de ser a escolha mais popular, podemos ver o prémio a ir para o segundo. Não é de todo uma personagem secundária, mas é o melhor que se arranja a actores que infelizmente ainda não chegaram à primeira divisão, Simmons já andava no radar, mas precisava da oportunidade dada agora por Damien Chazelle. As interpretações secundarias no feminino vão ser disputadas por Patricia Arquette e Meryl Streep, porquê? Porque Boyhood tem de fazer render o número exagerado de nomeações e porque Meryl Streep é Meryl Streep e contra instituições destas ninguém luta, ganha Arquette.

Mafalda Castro.
Eddie Redmayne é tanto o meu preferido como a minha principal aposta. Eddie Redmayne, que já tinha mostrado alguns trunfos em My Week With Marilyn, é, para mim, o ponto forte de The Theory of Everything. Uma actuação que parece quase suave, branda, no entanto de uma complexidade enorme. Rosamund Pike foi uma óptima surpresa em Gone Girl. O mérito por trás desta brilhante interpretação poderá ser, em grande parte, de David Fincher que mantém o currículo cheio de filmes intrigantes, com personagens complexas e exigentes. Lembremos que já antes vários actores aliados a David Fincher foram nomeados, como Brad Pitt por The Curious Case of Benjamin Button ou Jesse Eisenberg por The Social Network. Arrisco dizer que Rosamund Pike nunca levantou muitas ondas, no entanto, neste filme é uma imagem divinal para uma personagem diabólica que encaixa perfeitamente neste filme, trazendo-lhe realidade.

Paulo Lopes.
Tudo indica que será e (muto merecidamente) Eddie Redmayne a sagrar-se vencedor na secção principal, no entanto destaco em ter atenção aos nomes de Michael Keaton e Benedict Cumberbach (The Imitation Game). No plano secundário, apesar do grupo de actores ser muito coeso, J.K. Simmons consegue destacar-se dos demais. Na ala feminina, Julianne Moore deverá ganhar a estatueta para actriz principal, depois de muitas vezes ter sido nomeada sem o merecido sucesso, só tenho pena que seja num filme tão mediano. Para a secção secundária, Patricia Arquette destaca-se como favorita e com muito mérito, mas se Academia quiser fazer o mesmo do ano passado, dar o troféu a uma jovem promessa, Emma Stone seria uma excelente opção. Boa sorte a todos!

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube