Julianne Moore: o caminho para o Óscar

Julianne Moore: o caminho para o Óscar

Moore_Oscar
Nos idos anos 90 não via tantos filmes quanto hoje em dia. Talvez por isso me seja fácil recordar aqueles que conheci no grande ecrã. The Fugitive (1993) é um desses títulos, protagonizado por Harrison Ford e Tommy Lee Jones, ou seja, o inocente injustiçado e perseguido Dr. Richard Kimble e o Deputy Marshal Samuel Gerard, rosto da justiça. Anos mais tarde, outras caras se tornaram igualmente identificáveis, por pertencerem já à constelação dos protagonistas, como é o caso de Julianne Moore.

De pequeno papel secundário à noite em que foi galardoada com um Óscar pelo seu trabalho como protagonista de Still Alice (2014, reler crítica aqui), Julianne cresceu e amadureceu e tornou-se uma das actrizes mais aclamadas de Hollywood, deixando-nos incrédulos quando damos conta de que esta foi a sua primeira estatueta dourada da Academia.
Dona de uma beleza intemporal com seus cabelos ruivos e pele alva, encanta-nos com a sua voz que não perde nunca a doçura e emociona-nos com a energia que transborda do grande ecrã. Recentemente comemorou duas décadas de grandes sucessos e de presença em alguns dos mais icónimos filmes do cinema norte-americano. Recordo hoje os seus papéis que mais me tocaram.

Moore_BoogieBoogie Nights (1997)
O segundo filme de longa-duração realizado por Paul Thomas Anderson retrata a ascenção de um actor pornográfico (Mark Wahlberg), mentorado por um realizador de renome na indústria (Burt Reynolds). Julianne Moore interpreta um papel que lhe valeu a nomeação para o Óscar de melhor actriz secundária, uma mãe que perde a batalha de custódia parental, quando o Tribunal não a considera capaz devido ao seu envolvimento na indústria e abuso de drogas. Moore acaba por desenvolver uma relação complexa com Wahlberg, que dita o seu destino.

Magnolia (1999)
Novamente Paul Thomas Anderson, desta feita um papel ao qual apenas a Academia ficou indiferente. Julianne Moore vive a morte anunciada do seu marido, desenvolvendo dependências e colocando a sua própria vida no gume da navalha. Entre a cólera e o desespero, encontramo-nos perante uma personagem que – acima de tudo – não se conforma com o que o destino lhe reservou mas que lá encontra o seu caminho.

Moore_Hours
The Hours (2002)
A narrativa cruza três mulheres – três enormes actrizes: Meryl Streep, Nicole Kidman e Julianne Moore – num dia das suas vidas mas em três décadas diferentes, em que partilham o romance de 1925 assinado por Virginia Woolf, «Mrs Dalloway». A personagem de Moore é uma mãe dona-de-casa da década de 1950, que vive o sonho americano mas que usa a máscara da felicidade, como forma de pertencer à normalidade. Apesar da gravidez, persegue-a o desejo de pôr termo à própria vida.

Children of Men (2006)
Num dos meus filmes favoritos, o apocalíptico assinado por Alfonso Cuarón e protagonizado por Clive Owen, Julianne Moore é uma activista obstinada que tem uma missão: viajar com uma mulher grávida. Simples? Nem por isso. A infertilidade é epidémica e a humanidade vê-se confrontada com o fim da sua própria existência. A desordem marca o quotidiano, a crueldade não vê limites.

Moore_30Rock

30 Rock (2006–2013)
Num registo muito diferente ao que nos habituou, Julianne Moore interpretou uma personagem recorrente na brilhante sitcom norte-americana. Como amiga de escola de Jack Donaghy (Alec Baldwin) demonstra a sua versatilidade quando nos encanta com o melhor sotaque de Boston que alguma vez ouvimos. Se o drama deixar de funcionar para ela, a comédia recebe-a de braços abertos (e nós também).

Texto por Isabel Leirós