Um Ano Muito Violento (A Most Violent Year)

Um Ano Muito Violento (A Most Violent Year)

Um Ano Muito Violento

Longe vão os tempos áureos do filme de Hollywood sobre gangsters. Do lado western da coisa até aos Padrinhos ou a Era Uma Vez na America. De quando em vez surgem pequenas excepções a este afastamento do cinema americano por um dos seus géneros clássicos. Pequenas e (demasiado) discretas excepções. Aqui vão algumas: Dos Homens Sem Lei, de John Hillcoat, ou Um Homem de Família, de Ariel Vromen. No farwest da lei seca ou no submundo do crime na América dos anos 70 e 80, dois belos filmes, com óptimas interpretações de Tom Hardy e Michael Shannon. É neste contexto que se enquadra este Um Ano Muito Violento.

Abel Morales (Oscar Isaac) é um negociante de combustível em Nova Iorque. Ele e a sua mulher Anna (Jessica Chastain), com um curiosíssimo papel de rectaguarda (será que sim?), têm de lidar com sucessivos assaltos, que podem ter ou não a mão da concorrência e que lhes podem arruinar a empresa. Especialmente quando um dos seus transportadores decide reagir por sua conta e risco ou quando são abandonados pelos aliados de sempre. Estes episódios funcionam como um desafio à moralidade e à capacidade de reacção deste casal.

Um Ano Muito Violento I

O que torna Um Ano Muito Violento mais interessante é ser um filme de gangsters que não é bem de gangsters. Confuso? Há uma verticalidade, uma benevolência em Abel que é bastante invulgar neste tipo de cinema. E a malícia dos demais competidores parece muito mais chico-espertice do que a brutalidade mais fria e sanguinária das grandes figuras do género. Por outro lado, sem grandes efeitos visuais, há uma tensão omnipresente e uma notável cena de perseguição. Mostrando como, com uma narrativa e um sentido estético apurados, é possível fazer um thriller forte sem grandes adornos tecnicos

Um Ano Muito Violento passou relativamente despercebido. Apanhou a temporada dos Óscares, o que lhe valeu um papel secundarizado na distribuição em Portugal. E, nas nomeações, sentiu-se a ausência da dupla de protagonistas. Jessica Chastain será uma das mais brutais actrizes americanas da actualidade. E, na falsa calma, naquele olhar dúbio, Oscar Isaac confirma o talento mostrado no último filme dos irmãos Cohen.

Um Ano Muito Violento II

Faltará qualquer coisa ao final, um remate mais adequado e certeiro da força cinematográfica da história que apresenta. Mas não deixa de ser um feliz regresso a um estilo nobre. E, depois de Margin Call e Quando Tudo Está Perdido, depois das preversidades da crise financeira e do filme minimal de sobrevivência, Um Ano Muito Violento confirma J. C. Chandor como um realizador interessante e versátil

7Texto por João Torgal

Arte-Factos

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