Stephan Mathieu no Mosteiro de Tibães (27/03/2015)

Stephan Mathieu no Mosteiro de Tibães (27/03/2015)

StephanMathieu

©GNRation

Texto por Isabel Leirós

Stephan Mathieu é um dos grandes nomes da música digital. Alemão residente em Bonn (sede dos ursinhos da Haribo), é reconhecido pela forma única como manipula o som e desconstrói o conceito de musicalidade. Tem um percurso único, que inclui até um passado como cabeleireiro formado pela escola de Vidal Sassoon e baterista de um duo que se movia no rock experimental e minimalista.

Os Mão Morta são a maior banda de rock alternativo português, bracarenses de gema, e donos de uma carreira de 30 anos que merece o nosso respeito. Influenciaram dezenas de novos talentos nacionais, ensinaram-nos a separar o trigo do joio musicalmente falando, e foram dos mais elogiados no evento Virada Cultural de São Paulo em 2013 – primeira apresentação da banda ao público brasileiro.

O Mosteiro de Tibães é um sumptuoso e soberbo espaço em Braga, recuperado depois de décadas de abandono, em tempos casa-mãe da importante ordem religiosa Beneditina em Portugal e no Brasil.

Na passada sexta-feira, 27 de Março, foi ainda palco de um concerto único, organizado pelo GNRation, onde Stephan Mathieu brilhou e reestruturou Mão Morta. Foi o II Acto do Ciclo GNRation@ que não só levou a música para fora do seu edifício-sede, mas também o público, a quem ofereceu transporte gratuito até ao Mosteiro.

MathieuTibaes

©GNRation

O trabalhou começou há já algumas semanas, quando Mathieu recebeu um disco rígido contendo as diferentes camadas musicais dos mais recentes três álbuns de Mão Morta – voz e instrumentos fragmentados. A partir daí, foi-nos prometida uma abordagem crua e uma reinterpretação à obra dos bracarenses. Mais que um concerto, foi-nos prometida uma instalação artística em pleno altar de Tibães.

Perante uma sala cheia e o olhar atento de Adolfo Luxúria Canibal, a noite começou e terminou da mesma forma: com a tenebrosa voz deste a preencher o espaço, como só ele sabe.

Pelo meio, Mathieu manipulou o som, tornando irreconhecível a marca de Mão Morta. Viajámos pelas ondas sonoras, feitas de picos graves e outros mais agudos. A sua camisola negra com lantejoulas (sim, aconteceu) brincava com as luzes apontadas ao altar.

No fim, alguém falava de um verdadeiro momento de escape e de meditação, tal a forma como o som se entranhava no corpo. Sem pausas nem para respirar, não foi nem uma hora de espectáculo. Soube a pouco, mas soube bem.

Terminado o primeiro trimestre de 2015 no GNRation, resta-nos entrar em contagem decrescente para os próximos espectáculos em agenda: Aki Onda e Shabazz Palaces em Abril; Colleen e os portugueses Peixe e Sensible Soccers em Maio; e Matmos em Junho.