Antevisão SWR Barroselas Metalfest 2015: RDB

#26 Raw Decimating Brutality

O SWR Barroselas Metalfest é, antes de mais, um dos maiores pontos de equilíbrio entre o underground e o (quase) “mainstream” quando falamos em festivais de música extrema em Portugal. E esse equilíbrio é marcado, também, pelo elevado número de bandas nacionais presentes em cada uma das suas edições, sendo muitas vezes uma espécie de incubadora de talentos com a aposta em novos nomes e com o concurso Wacken Metal Battles (que este ano fará o seu hiato obrigatório, voltando na próxima edição). Quem então melhor para falar sobre o festival do que Daniel Gamelas, vocalista de Deity Of Carnification e Raw Decimating Brutality (com a qual actuará nesta próxima edição) e um dos músicos portugueses com maior história de longevidade no festival?

Lembras-te do teu primeiro SWR Barroselas Metalfest?
Certamente, foi em 1999 na segunda edição do festival, toquei com Deity Of Carnification. Foi um festival ultra potente! A banda ainda era muito nova e tocar fora da Guarda foi uma oportunidade muito interessante. Na altura nenhum de nós imaginava que o SWR teria um crescimento tão grande. Porém, já se podia sentir um ambiente verdadeiramente energético e, ao mesmo tempo, muito acolhedor. A população do festival não era muita mas estava toda a gente bem animada. Lembro-me muito bem do concerto que demos, as pessoas que lá estavam e o primeiro contacto que tive com muita gente que já estava inserida no underground, enfim, foi uma experiência muito boa que guardo com orgulho na minha lista de concertos!

Raw Decimating Brutality já é mais do que repetente no festival. Que diferenças notaste entre a primeira e a última vez em que subiste ao palco do SWR com eles?
Infelizmente, não pude estar presente no primeiro concerto de RDB em Barroselas, em 2005, pois estava fora do país. No entanto, concordámos todos que a banda deveria dar todos os concertos nesse ano. Foi uma pena não poder estar presente, porém, achamos que foi bastante positivo não estarmos parados nessa altura. Sendo assim, a primeira vez que subi ao palco do SWR com RDB foi no ano de Napalm Death (2007) e devo dizer que foi um dos melhores concertos da minha vida. Um público muito energético e um ambiente de caos total! A última vez foi em 2013, na tenda, onde devo dizer que o ambiente talvez tenha excedido o já incrível ano de 2007. Foi absolutamente devastador, esse concerto também está guardado na minha lista de melhores momentos em palco de sempre. Em relação ao festival, notou-se uma clara evolução por parte da organização. Passou a ser evidente que a organização ambicionava transformar o festival num evento de qualidade internacional. É notório, que a cada ano que passa, tudo melhora!

RDB Obra Ó Diabo - capa

Como analisarias a importância do festival no panorama nacional de música extrema? Consegues fazer um paralelo entre o antes e o depois do festival?
Na minha opinião, o SWR é o maior festival de música extrema a manter a sua forte ligação ao underground. Existem outros festivais também interessantes, e até maiores, porém o SWR consegue ter uma dimensão considerável sem que com isso se torne demasiado mainstream. Há sempre bandas para toda a gente, e claro, sempre novas surpresas vindas directamente do underground. Em resumo, mantém-se a ligação ao underground e à música mais extrema, ambicionando ao mesmo tempo não ter um ambiente demasiado exclusivo e permitindo que toda a gente da cena se encontre. É difícil falar do antes e do depois do SWR pois, apesar do festival ser um contributo indubitável para a saúde do underground nacional, a verdade é que muita coisa no país mudou durante esses anos. Parece-me que os factores que determinaram a diversidade e a evolução da cena são demasiado extensos para serem colocados apenas sobre os ombros do SWR. Claro que é muito importante ter um festival deste tipo em Portugal, sem ele o underground ficaria severamente empobrecido.

Falando agora de RDB… Para quem não conhece a banda, podes fazer uma descrição rápida de como começaram e quem são?
RDB começou numa conversa de café numa bela tarde de Verão. Nesse dia estabelecemos o conceito pelo qual iríamos compor as músicas e fomos para a garagem do Simão compor umas malhas. O episódio durou uns quatro dias de loucura e festa extrema! RDB tem o intuito de trazer aos ouvintes composições de música ultra agressiva, de composições espontâneas e sempre com uma forte componente humorística. Já passamos por algumas mudanças na nossa formação, mas agora estou eu na voz, o Micael no baixo, o João na bateria e o Espiga na guitarra.

Qual é o processo de escolha dos conceitos dos lançamentos?
Os temas dos lançamentos estão quase sempre relacionados com o nosso ambiente. A temática do esperma apareceu porque no primeiro ensaio havia um livro de sexologia dos anos 60 perdido pela garagem. Enfim… espontaneidade! O estrume surgiu porque na altura ensaiávamos numa quinta e achamos que deveríamos prestar o devido tributo à sala de ensaios. A construção civil surgiu como piada e ficou. Nesse momento achámos que deveríamos homenagear a nossa infância feliz nas obras!

#28 Raw Decimating Brutality

Se te pedissem para gravar no exacto dia de hoje um disco, qual achas que seria o conceito escolhido?
Neste momento estamos dedicados a assuntos muito sérios, como a busca das nossas origens…. mete investigação e tudo.

Estamos a falar de uma banda com mais de uma década de existência e apenas um disco de longa-duração. Porquê?
Não somos pessoas particularmente disciplinadas. Além do mais, todos nós temos empregos. RDB surgiu quando já estávamos todos a trabalhar, o que fez com que a capacidade de atenção que poderíamos dispensar para a banda tenha sido drasticamente reduzida. É uma pena, mas temos todos que pagar as nossas contas no final do mês. Queremos, no entanto, levar este projecto em frente e, ainda que possa evoluir devagar, não tencionamos que pare de todo!

Dito isto, existem planos para algum lançamento num futuro próximo?
Sim! Não me quero adiantar muito mas este ano no SWR já vão poder ter uma ideia do que para aí vem. Estamos em processo de composição e esperamos que a coisa se processe de forma rápida e contínua. Esperem notícias para breve!

Agora uma pergunta mais pessoal: Ainda te lembras dos discos que ouvias quando tinhas 18 anos? Consegues enumerar alguns?
Claro!!! Aqui fica:
Sinister – «Hate»
Immortal – «Pure Holocaust»
Napalm Death – «The Peel Sessions»
Asphyx – «Last One On Earth»
Tudo de Suffocation!
Intestine Baalism «An Anatomy Of The Beast»
Sepultura – «Arise»
Cannibal Corpse – «The Bleeding»
Mortician – «Hacked Up For Barbecue»

Entrevista por Estefânia Silva

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