Royal Blood no Coliseu Lisboa (02/04/2015)

Royal Blood no Coliseu Lisboa (02/04/2015)

#19 Royal Blood

Texto por Cláudia Filipe / Fotos por Hugo Rodrigues

Para quem entrou no Coliseu sem perceber a dimensão do recente fenómeno Royal Blood, bastou uma hora para que tivesse ficado claro o porquê dos ingleses terem o recorde de disco de estreia (rock) que mais vendeu nos últimos três anos no seu país.  Quem julga que o rock está morto bem se pode considerar enganado: os nossos pescoços que o digam, que acordaram massacrados depois de um concerto tão intenso.

A sala encheu para receber a dupla britânica que não precisa de guitarras para se exprimir: a magia faz-se toda através de um multifacetado som de baixo e a arte de ser exímio a tocar bateria. Dos blues ao rock dos anos 70, o som dos Royal Blood agrupa referências intemporais, retransformadas (e aperfeiçoadas) para os dias de hoje. Para além de serem muito bons no que fazem, a empatia será parte do segredo para se conseguir um resultado tão coeso, e é visível a cada troca de olhares durante o espectáculo, como quem sabe ler exactamente o que vai na mente do outro. Aliás, sem ver é difícil acreditar que esta banda é composta por apenas dois elementos, dada a robustez de cada música que apresentam. O outro segredo parece ser fácil de decifrar: não é preciso inventar muito para se ser bom quando, ainda por cima, o rock se quer directo e sem merdas. Sem grandes holofotes, fogos de artifícios, bonecos, bailarinas. Porque são suficientemente bons para poderem ser a atracção principal.

Muitas vezes, os últimos concertos de uma tour sofrem do mal do desgaste de muitos quilómetros na estrada, mas a violenta entrada ao som de Hole, imediatamente seguida por Come On Over, prova exactamente o contrário. A maior parte das músicas já são sabidas de cor, as palmas multiplicavam-se e cada música foi recebida com um entusiasmo tremendo, com especial destaque para os singles Little Monster ou Figure It Out. Não foi preciso dirigirem-se muitas vezes ao público para que a rendição fosse absoluta: bastou que colocassem alma naquilo que fazem e entregassem as suas músicas com todo o coração.

Os Royal Blood ainda hão-de fazer correr muita tinta, mas para já atrevo-me a fazer uma aposta para o futuro: não vai tardar até os vermos dar um concerto de estádio, como as grandes bandas rock merecem.

Arte-Factos

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