Músicas da Semana #139

Escolhas de Afonso Pais:

António Serrano & Albert Sanz

António Serrano (and Albert Sanz) – Variações em Ré Maior
Tenho ouvido este disco do grande harmonicista espanhol António Serrano, em duo com Albert Sanz, pianista exímio. São dois músicos com personalidades musicais únicas e bem fortes, e o resultado desta combinação é maravilhoso: destaco a composição de Carlos Paredes, “Variações em Ré Maior“.

Bruno Pernadas – Indian Interlude
Conheço o Bruno há já alguns anos, e acho que neste seu registo discográfico ele descobriu uma combinação muito feliz de timbres e estéticas musicais que o movem, que geram uma multiplicidade de texturas muito frescas e características. Sinto que a música espelha a sua personalidade, e acredito que assim deve sempre ser. Gosto particularmente de “Indian Interlude” pois inspira uma grande tranquilidade e delicadeza, e revisita por caminhos improváveis uma época musical em que a riqueza harmónica era a doçura da mensagem musical.

Norberto Lobo e João Lobo – Aaaaaaa
Tive o prazer de conhecer o Norberto pessoalmente há uns anos atrás, numa noite de convívio em casa de um nosso conhecido. Aí fizemos um sarau regado com vinho tinto onde tocámos e mostrámos algumas das nossas músicas um ao outro e aos presentes, entre eles Sérgio Godinho. Essa noite marcou-me, tal como esse primeiro momento em que vi o Norberto tocar guitarra, com o seu groove muito da terra, o lado sofisticado e porém infantil na espontaneidade com que as suas variações sobre o tema brotam do mais fundo do instrumento, a guitarra. O João Lobo é um dos bateristas que mais admiro, com uma musicalidade mais que muito invulgar e um som de bateria inconfundível. Ouvi há dias o trabalho que fizeram recentemente, e tem deixado vontade de repetir audições. Destaco “Aaaaaaa“.

Vitorino Salomé – Rua do Quelhas
No meio de trabalhos recentes, este pode parecer deslocado… basta porém ouvir um minuto de qualquer música deste disco para percebermos o quanto é um testemunho perene da Portugalidade tornada música. A combinação é irresistível: letras de António Lobo Antunes, melodias e voz de Vitorino, harmonias, piano e arranjos de João Paulo Esteves da Silva. Consta que as canções foram esboçadas, letra e melodia, à mesa do café, quase como se a informalidade fosse o preceito da mais profunda criação, tão urgente quanto inevitável e por isso certeira desde logo. A parte dos arranjos levou Vitorino a visitar Paris, onde o João Paulo Esteves da Silva vivia nessa altura, e onde trabalhou de forma inspirada e definitiva a transposição de muitas e muitas canções, todas elas preciosas, para disco. Destaco a “Rua do Quelhas“, tão actual em 1992 como nos dias de hoje.

Samuel Úria – Teimoso
Este tema tem imensa onda, e foi a primeira música do Samuel Úria que ouvi. Numa estética meio bluesy e com um desprendimento na execução instrumental / vocal que imprime uma certa sensualidade ao humor com que a letra é dita, o meu primeiro contacto com a música e com o artista foi tiro certeiro.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Mumford & Sons

Mumford and Sons – The Wolf
Os Mumford and Sons disponibilizaram esta semana para audição mais um tema do seu próximo álbum. The Wolf continua a mostrar o novo rumo da banda e a questão que se continua a impor é: queimaram os banjos para se aquecerem no inverno? Nada contra, atenção, até porque apesar do novo caminho ser mais genérico está a agradar-me mais e, apesar de não ser o maior fã da banda, estão a deixar-me curioso para ouvir o disco.

Hotel Books – July (Part One)
Foi-me chamada a atenção por um ilustre colega desta maravilhosa equipa que era capaz de gostar destes senhores: confere.

Turbowolf – Solid Gold
O novo disco de Turbowolf continua a rodar por aqui como se não houvesse amanhã. É solid gold.

Sleater-Kinney – A New Wave
O mais recente álbum das Sleater-Kinney não é propriamente memorável, mas o single A New Wave ficou-me no ouvido. Confesso também que ajuda (bastante), o vídeo que acompanha a música, inspirado na série animada Bob’s Burgers.

Courtney Barnett – Pedestrian at Best
O riff inicial deste tema faz-me lembrar outra música qualquer, que não consigo identificar por nada, e odeio quando isso me acontece. Para compensar estou a gostar bastante do novo disco da Courtney Barnett e desta Pedestrian at Best em particular, com as audições repetidas a atenuar essa dor.

Escolhas de João Neves:

Calibro 35

Calibro 35 – Giulia Mon Amour
Semana de despedida de terras italianas, portanto vou fazer algo um pouco mais pessoal. Grande banda italiana com grandes músicas e tive o gosto de os ver ao vivo, são muito bons! Em Portugal podem aproveitar que eles vão estar no festival Reverence Valada no próximo Verão, aconselho vivamente.

Piccoli animali senza espressione – Tredici
Uma música bastante bonita e, para além de uma sonoridade muito interessante, os PASE são excelentes pessoas. Falo especialmente do baterista, director da escola que acolheu o meu estágio, sempre prestável, sempre disponível, sempre preocupado e interessado, assim como todos os restantes membros do staff da Percosi Musicali, espero poder voltar o máximo de vezes possíveis e colaborar com este excelente grupo de músicos e de pessoas, será com o maior gosto.

Wild Rush – Time to go
Pois é… não podia assentar melhor esta música. Conheci os membros desta banda a quando da gravação e edição desta música e daí adiante tornaram-se em grandes amigos. Um grupo de jovens bastante porreiros, muito empenhados em levar o seu projecto para a frente. Ainda pude dar umas mãozinhas nas restantes gravações do seu EP de estreia que deve ser editado em breve, fiquem atentos. E agora é mesmo o meu “Time to go”.

Carlos Paredes – Verdes Anos
Tempo de regressar a Portugal depois de uma experiência fantástica e que melhor símbolo do “ser português” que a bela obra do génio de Carlos Paredes. Experiências e mais experiências que fazem a vida, tudo não passa dos verdes anos.

Sérgio Godinho – Com um brilhozinho nos olhos
Assim vou partir… com um brilhozinho nos olhos… fiz bem mais que um amigo e acaba sempre tudo por saber a tanto e a tão pouco ao mesmo tempo.

Escolhas de Diogo Soares Silva:

Barna Howard

Barna Howard – Indiana Rose
Ouvir o missouriano Barna Howard e não pensar em Dylan ou Van Zandt é praticamente impossível. Também é impossível não achar que Quite a Feelin’, o seu segundo álbum, poderia ter sido gravado nos anos 60 ou 70 e não em plena segunda década do século XXI. As duas frases anteriores são elogios. Há novo disco em Maio e esta Indiana Rose nem sequer é das melhores.

Jennifer Castle – Pink City
Referência obrigatória à singer-songwriter canadiana que por cá teremos já a partir da próxima sexta (17), data em que apresentará as suas canções no Lusitano Clube, em Lisboa. Passará também por Barcelos, Coimbra, Vila Real e Aveiro e, claro está, será imperdível.

Gianna Lauren – Mistakes
Não há limites ao número de canções de artistas canadianas que se podem escolher como músicas da semana, certo? Aqui está o single mais catchy dos últimos 7 dias.

Calexico – Esperanza
Esta pérola está escondida na edição especial do novo dos Calexico, Edge of the Sun, que sai amanhã. Não recomendada a pessoas que tenham problemas com o idioma castelhano ou uma pedra no lugar do coração.

Bonnie “Prince” Billy – Let Me Love You (Ne-Yo)
Há sempre mais qualquer coisa para descobrir na discografia do maior do mundo. Já não sei onde encontrei esta pérola, uma apropriação fantástica do original do Ne-Yo, mas adorava partilhá-la com o mundo.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Nick Cave & The Bad Seeds

Nick Cave and the Bad Seeds – Push the Sky Away
Esta semana tive a oportunidade de ver dois documentários mágicos, um deles foi o “20.000 Days On Earth” sobre a vida e obra do grande Nick Cave. Se por um lado já tinha todas as razões e mais algumas para gostar do seu trabalho, a oportunidade concedida por este documentário de fazer parte do dia a dia deste senhor veio trazer ainda mais razões para o ouvir e adorar.

Laurent Petitgand – Genesis
“O Sal da Terra”, documentário sobre a vida e obra de Sebastião Salgado com a mão do seu filho Juliano Salgado e a ajuda preciosa de Wim Wenders. Não há palavras para descrever o que se vê em 1h50 de documentário e o toque que Laurent Petitgand dá com uma banda sonora que leva a nossa alma para o mais negro e fundo espaço dentro de nós. Maravilhoso.

Marika Hackman – You Come Down
Encontrei uma versão fabulosa desta música num programa do youtube que dá pelo nome de “Burberry Acoustic”. Se tiverem oportunidade de ouvir, ouçam. O quentinho que se sente no coração é apaixonante

Billie Marten – Ribbon
A descoberta desta semana, também do “Burberry Acoustic”, uma menina de 15 anos já cheia de talento. Para os amantes de folk, claro.

Barn Owl – Awakening
Tenho tantas saudades do Amplifest que não resisti a passar o Sábado inteiro a ouvir Barn Owl.

Escolhas de Cláudia Filipe:

Tim buckley

Tim Buckley – Phantasmagoria In Two
Nunca é demais relembrar uma das músicas mais bonitas alguma vez escritas.

Faith No More – Motherfucker
Sou uma das maiores fãs do Mike Patton e dos seus mil projectos portanto é com enorme ansiedade que espero pelo novo álbum de originais dos Faith No More. A Motherfucker já anda por aí: não é aquilo que estava à espera, mas é tão bom ver o génio criativo do Patton a mexer.

Kraftwerk – Pocket Calculator
De hoje a uma semana estarei no Coliseu a ver algo que sempre imaginei impossível: vou ver Kraftwerk ao vivo. E tenho a certeza que vai ser um momento memorável.

Jeff Buckley – Grace
Do meu álbum preferido para as músicas da semana. Esta semana andei com a família Buckley. Não consigo ouvir esta música sem imaginar que o Jeff a está a tocar num sítio bonito qualquer, a tocar guitarra e a cantar a plenos pulmões.

The National – Rains of Castamere
É aquela altura do ano: hoje recomeça Game of Thrones. Sendo uma enorme fã da série e dos livros, mal posso esperar para ver o que esta nova temporada traz de novo. E mal posso esperar pelas crises de nervos com os spoilers no Facebook.

Arte-Factos

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