Torpe + Conjunto!Evite no MusicBox (17/04/2015)

Torpe + Conjunto!Evite no MusicBox (17/04/2015)

Torpe

Texto por João Neves

Na passada sexta-feira 17 de Abril o álbum de estreia dos Torpe, Propaganda, foi apresentado no Musicbox em Lisboa. Para ajudar à festa contaram com os Conjunto!Evite na abertura das hostes da noite, que podemos muito sucintamente resumir como rock puro, duro e sem espinhas com um profundo toque de modernidade emprestado por sintetizadores completamente frenéticos da parte de ambos os projectos.

O nervosismo era muito antes do concerto, especialmente do lado dos Conjunto!Evite, movido pela incerteza se o seu guitarrista iria chegar a tempo ou não. Neste jardim à beira mar plantado é difícil fazer apenas da música sustento, mas é com essa enxada com que se vai cavando quando se tenta fazer algo de inovador e não simplesmente mais do mesmo. Horários de outros empregos são ossos do ofício.

Qual foguete, qual quê, lá chegou o Fábio (guitarrista) e começou o concerto. Nos primeiros momentos o “jet-lag” ainda foi sentido, mas rapidamente passou e veio ao de cima a mestria dos riff’s dos Conjunto!Evite. Pegam numa grande ideia e exploram-na até ao limite, tornando as dinâmicas o elemento que mais variedade às músicas trás. E tão bem que esta receita resulta ao vivo. Tendo tido oportunidade de ver a banda actuar umas quantas vezes, penso que o palco se evidência cada vez mais como o seu habitat natural. Ainda deu para sentir umas falhas volta e meia, mas estas deram ainda mais vida às músicas, disfarçadas por uma imensa vontade de mandar tudo o que se tinha passado naquele dia para trás das costas e tocar.

Acaba então o concerto dos Conjunto!Evite sem, infelizmente, haver tempo para se ouvir a música nova que os rapazes disseram ter. Vistos e ouvidos os instrumentos que, suponho, iriam ser usados na mesma, reservaria algumas inovações no som da banda. Mas era tempo para os Torpe subirem ao palco e fazerem a sua “Propaganda”, atracção principal da noite.

Desde logo deu para sentir uma pequena falha em termos sonoros. O som do PA estava bastante alto, sendo por vezes difícil de perceber os instrumentos individualmente no meio da imensa massa sonora.

Nesta altura a casa também já estava um pouco mais composta do que quando os Conjunto!Evite começaram a tocar, mas na mesma indigno da qualidade das bandas em questão.

Os Torpe acabaram por trazer com as suas músicas ainda mais rock à noite, desta feita com uma variedade sonora um pouco maior que a dos Conjunto!Evite. Como exemplo disso tivemos “The Whore Of Babylon” – um dos momentos altos do concerto – em que um dos guitarristas larga a guitarra e salta também para os sintetizadores, dando assim ao público o momento mais bonito e emotivo da noite com um piano a ouvir-se como instrumento principal, qual Chopin metido numa banda de rock. Enquanto isto, do outro lado do palco aproveitava-se para voltar a trazer o maldito bombo ambulante de volta ao seu devido lugar. Deu para sentir que, talvez, a tal maior diversidade venha de uma certa influência proveniente do post-rock.

Um dia de loucos, com atrasos, baixistas com mobilidade reduzida (e que mesmo assim fizeram o esforço de tocar em pé!), baterias que se moviam mais que as próprias guitarras, bom exemplo da pujança do rock tocado, um público longe de estar na quantidade merecida, mas dois excelentes concertos de duas bandas que são mais uma prova que o rock está bem vivo, no nosso país.

Arte-Factos

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