IndieLisboa 2015 – Morphine: Journey of Dreams

IndieLisboa 2015 – Morphine: Journey of Dreams

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O novo documentário sobre a banda de Massachussets é um celebração da história dos Morphine, desde as circunstâncias que deram origem à sua formação e contada pelos membros da banda. As suas histórias e memórias, nas suas próprias vozes. O foco principal está em Mark Sandman, retratado aqui por quem com ele privava e a acompanhar, vemos fotografias pessoais e imagens inéditas da banda. O enigmático vocalista foi o fundador da banda e a sua morte inesperada, em pleno palco, elevou-o para sempre ao estatuto de estrela do rock com um legado imenso, e consequentemente os Morphine a uma banda de culto. Aqui podemos conhecer não só o trilho de uma banda diferente de tudo o resto que na altura soava nas rádios, com o despoletar do grunge, mas também compreender os laços fortes que uniam aquelas pessoas, ver e ouvir tudo o que viveram juntos, inclusive tentar imaginar a experiência trágica de ver um amigo perder a vida sem razão aparente.

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Começando por abordar a primeira banda de Mark Sandman e do baterista Billy Conway, Treat Her Right e de como aos poucos, os restantes membros chegaram, percebemos que já desde aí havia um cunho muito pessoal que estava prestes a dar à luz algo de único. Era uma questão de tempo. O técnico de som, Dana Colley, passou a ser o saxofonista da banda que, aliado ao baixo de duas cordas de duas cordas de Mark, moldou para sempre o estilo único e inebriante dos Morphine. Assim nasceu algo que a imprensa destacava como “único, diferente e invulgar”. É também com a ajuda do diário que Dana foi escrevendo ao longo dos anos, contando sobretudo peripécias da estrada, que a história vai avançando. O realizador Mark Shuman faz algumas aparições no filme, sentado, com um fundo negro atrás e a ler algumas passagens desse mesmo diário que servem como que introdução aos “capítulos” seguintes.

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Vemos um pouco da passagem da banda por Lisboa, em Julho de 1999 e de como aí surgiram os primeiros sinais, ainda que considerados normais, de cansaço em Mark Sandman. Contam como o soundcheck na antiga Praça Sony, no Parque das Nações, lhes valeu uma valente insolação, mas que mesmo assim, durante o concerto, o vocalista catapultou, como sempre, toda a energia que lhe era inerente. No dia seguinte, chegados a Palestrina, em Itália, puderam contemplar um cenário idílico de paz. A banda quis subir umas escadaria infindável para contemplar o lugar, visto do templo. Relutante, devido ao calor e ao cansaço acumulado, Mark aceitou fazer o percurso com os amigos. A partir do templo, todos puderam admirar aquela paisagem belíssima. Mark tirou algumas fotografias, algo que costumava fazer, em cada sítio marcante por onde passava. Nesse mesmo dia, durante o concerto no festival, ao fim de meia hora, Mark começou a desafinar, mostrou sinais de estar visivelmente perturbado e em instantes caiu inanimado sobre o amplificador. Havia pessoas a gritar, pessoas a chorar, enquanto o vocalista era rapidamente transportado para o hospital local. Dana Colley conta como nessa noite, os médicos tinham deixado as cortinas da sala de emergência abertas e eles puderam ver tudo. Puderam ver o momento em que os médicos colocavam o pano sobre o rosto de Mark, em sinal de que nada havia a fazer mais. Depois fecharam as cortinas.

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Não é um documentário só para fãs, é sobretudo um documentário sobre música, sobre o que é ser músico, sobre laços de amizade, sobre perda e sobre o encontrar novamente a paz e fazer as pazes com o destino. Também sobre um rock que nem sempre tem que ter algum tipo de droga como protagonista.

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Texto por Andreia Vieira da Silva

Arte-Factos

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