IndieLisboa 2015 – A Casa da Mães

IndieLisboa 2015 – A Casa da Mães

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Realizado por Philippe Costantini, este documentário acompanha durante dois anos a missão e os respectivos intervenientes da Casa das Mães de Santo António. Ao longo de mais de duas horas, acompanhamos os dramas reais de mães que ainda não o sabem ser. Miúdas que vêm de lares destruídos, que passaram por relações abusivas e cujos sonhos foram anulados. Estas meninas que de repente ficaram com a maior das responsabilidades nas suas mãos são ensinadas a ser auto-suficientes, a ter autonomia e a serem mais assertivas. Contudo, não podem ficar na Casa das Mães para sempre.

É comovente ouvir a história de algumas miúdas, contadas na primeira pessoa. Joana Sofia começa por se apresentar. Conta como foi parar à instituição. A mãe não queria um neto negro na família e o padrasto expulsou-a de casa. Passou a dormir nas escadas e a escola tomou conhecimento, encaminhando-a para a Casa das Mães. A relação com o pai da criança não era melhor, tendo este rejeitado qualquer envolvimento na paternidade e chegando a espancá-la com socos na barriga para que ela perdesse a criança. Joana tem 21 anos e teve o seu filho aos 19. É das mais velhas da casa. As miúdas mais novas no momento das filmagens, têm 14 anos. Mas já acolheram meninas com 11 anos, o que nos deixa a pensar sobre tanto.

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Vamos acompanhando os “projectos de vida” de algumas das intervenientes, um processo numas vezes duro, noutras encarado de forma optimista. Cada uma destas meninas tem um comboio e dentro dele vários elementos – filho, escolha, a maneira como fala com as monitoras – e o que ficar de fora é o que ainda tem para limar. Enquanto tiver algum desses elementos de fora, não está apta a seguir o seu rumo sem a segurança da instituição. Ao avançar nas estações (Primavera, Verão, Outono, Inverno), há que colocar cada vez mais elementos nele e no final, aquando da sua saída da instituição, o comboio estará cheio, com todos os objectivos cumpridos.

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As reacções por vezes insolentes, de desprezo ou apatia são rebatidas pela “mão de ferro” de Mafalda, talvez a assistente mais “sem falinhas mansas” e mais feroz no trato. Quase como uma terapia de choque, é com as palavras de Mafalda, quase como bofetadas na cara, que estas raparigas percebem que não sabem nada da vida. E que a partir de agora vão ter que saber, por elas e pelos filhos.

8Texto por Andreia Vieira da Silva

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