IndieLisboa 2015 – Killing Joke: The Death and Resurrection Show

IndieLisboa 2015 – Killing Joke: The Death and Resurrection Show

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Um documentário que percorre todos os cantos da existência de uma das bandas mais míticas e misteriosas nascidas do post-punk. É um filme extenso – 150 minutos com muito conteúdo para apreender – que se foca nas crenças que cimentaram o que a banda foi e é, dando especialmente ênfase à figura mais problemática e emblemática da banda, Jaz Coleman, um autodidacta preocupado com o rumo do mundo e com as origens de tudo e o seu casamento alquímico com Geordie, o guitarrista. Somos levados numa viagem, não só por todos os locais que foram decisivos para a banda – como é o caso das gravações do álbum Pandemonium no interior da pirâmide de Gizé – mas também por toda a simbologia e toda a obsessão pelo oculto que paira especialmente sobre Jaz.

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O filme toma o percurso por três décadas, revelando imagens inéditas. Acompanhamos tudo ao pormenor, desde o primeiro conhecimento entre membros fundadores, até aos rituais e histórias algo mirabolantes de como incendiaram o apartamento onde viviam devido a um erro de principiantes num desses mesmos rituais.

O processo criativo dos álbuns não passava simplesmente por juntar um punhado de acordes, sendo sim todo um estudo de numerologia, a juntar textos proféticos ou rituais em busca de uma energia superior. Consequentemente, os concertos eram já por si cerimónias ritualescas em que os membros exorcizavam toda a sua energia. Descrevem também uma experiência colectiva que viveram durante um concerto, algo de sobrenatural, em que saíram dos próprios corpos e viram tudo em camera lenta. Os quatro tiveram a mesma experiência, ao mesmo tempo.

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Cada vez que conseguiam tocar o sucesso, algo acontecia, daí que os únicos singles de sucesso e relativamente mediáticos sejam “Love Like Blood” e “Eighties” (de onde os Nirvana copiaram escandalosamente o riff de guitarra para “Come As You Are”), ambos do álbum Night Time, de 1985. Ou quando Jaz desapareceu misteriosamente no dia a seguir a um concerto, numa altura em que tinham a agenda cheia e estavam a começar a abraçar o sucesso. Veio a saber-se depois que fora para a Islândia, para fugir ao apocalipse no lugar mais protegido por energias, de todo o mundo. Ou pelo menos ele tinha chegado à conclusão que esse era o local ideal. A banda ficou apeada e tiveram que cancelar todos os compromissos.

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Todo o filme é carregado de muita informação, com uma história que é uma montanha-russa. É difícil ter alguma previsão do que vai suceder a seguir. Damos por nós a pensar que aqueles intervenientes todos não “regulam” bem. Mas é um percurso, de facto, muito intenso e isso é o que nos atrai tanto. A rebeldia, as práticas perigosas, os instintos e mudanças impulsivas a que vamos assistindo e aos momentos divertidos que se enquadram tão bem para cortar um pouco do ambiente obscuro.

8

 Texto por Andreia Vieira da Silva

Faço uns rabiscos aos quais gosto de chamar ilustrações. Escrevo e tiro umas fotografias. Modelo ocasional. Designer.

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