Músicas da Semana #144

Escolhas de Pedro Gomes Marques:

The High Llamas

The High Llamas – Holland
Os dias soalheiros estão aí à porta e a minha varandinha começa a chamar incessantemente por mim. Um prato de caracóis (se forem tremoços também marcham!), uma cerveja estupidamente gelada e… The High Llamas. O álbum chama-se ”Santa Barbara”, provavelmente o trabalho mais convencional do colectivo liderado pelo irlandês Sean O’Hagan, e é um daqueles discos que se devora, tal como os caracóis ou os tremoços, num abrir e fechar de olhos. “Holland” não é melhor nem pior do que qualquer uma das outras oito canções lhe fazem companhia. É apenas o primeiro tema que me vem à memória quando me refiro ao “Santa Barbara” e aos dias quentes que tanta vontade me dão de ouvir este álbum.

Jacco Gardner – Outside Forever
O novo longa duração de Jacco Gardner é um daqueles discos que vai marcar de forma indelével este ano da graça de 2015. É um disco profundamente rico, não tanto por conter um poder de inovação absolutamente arrasador (e será a cultura pop ainda capaz de produzir inovação?), mas pela beleza idílica de todos os temas que o compõem. Tentar descobrir a minha canção predilecta neste álbum é uma ocupação cujo resultado vai variando ao sabor da incerteza dos dias. Durante a semana que passou a escolha recaiu sobre “Outside Forever”.

Projecto Azul – Is It Hope?
Mencionar o Projecto Azul é recuar aos dias felizes e despreocupados da adolescência e, sobretudo, relembrar os discos de vinil que compilavam os participantes nos concursos de música moderna portuguesa que tinham lugar no saudoso Rock Rendez-Vous. Foi numa dessas compilações que encontrei o Projecto Azul, designação artística de um certo senhor, João Gargaté, de seu nome. ”Is It Hope?” é, marcada e assumidamente, uma canção melancólica. Contudo, tal facto não lhe retira o maravilhoso e fascinante cunho da esperança que nasce espontânea quando se acredita piamente em algo. Nem mesmo o ponto de interrogação no final da sentença consegue fazê-lo. Tive conhecimento, há pouco tempo, que o João Gargaté atravessa dias menos bons e queria aqui sublinhar a destacada importância que este tema sempre teve ao logo da minha vida, uma faixa tão perturbadoramente notável, cujo enfoque é precisamente a esperança, a mesma que não deverá abandonar o João neste momento.

The Durutti Column – Lies of Mercy
Vini Reilly gravou “Amigos em Portugal” nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço d’Arcos, corria o ano de 1983. A primeira edição saiu em vinil e foi limitada a 4000 cópias. É um disco do qual me socorro com alguma regularidade ou, pelo menos, sempre que tenho uma necessidade aguda de apreciar o génio das composições de Reilly. “Lies of Mercy” é, talvez, a melhor amostra de tudo o que há de bom para se escutar neste álbum.

Keluar – Ennoea
Foi a faixa que me colocou, definitivamente, no trilho dos Keluar. A malha repetitiva e hipnótica do sintetizador, em conjunto com a forte batida de pendor electro-industrial fazem de “Ennoea” um dos melhores cartões-de-visita que este duo sediado em Berlim tem para oferecer. Foi há cerca de duas semanas que a banda passou por Portugal e, de lá para cá, tenho revisitado este tema vezes sem conta.

Escolhas de Ricardo Almeida:

#2 Michael Gira

Angels of Light – I Praise Your Name
De há um ano e pouco para cá é raro o dia em que não oiço pelo menos um disco de Swans ou de um dos projectos paralelos do Michael Gira. Este é provavelmente o disco que mais tenho ouvido nas últimas semanas.

Metz – Wait in Line
Estes senhores têm um disco novo. Os Metz são das bandas que mais gostei de ver ao vivo. Normalmente até prefiro o tipo de concerto onde o pessoal permanece catatónico de olhos colados no palco e as bandas entram mudas e saem caladas, mas soube-me mesmo muito bem voltar a saltar que nem um puto no seu primeiro concerto, agir que nem um maluquinho e mandar todos os problemas para um sítio que não posso dizer aqui porque é feio.

The Sound – Fatal Flaw
Este é um amor recente. Pedi a um amigo para me recomendar alguns discos de post-punk e o From the Lions Mouth foi primeiríssimo na lista. Como é que nunca tinha ouvido isto? Da música às letras, este disco é qualquer coisa.

Mad Season – River of Deceit
Apesar de ter nascido em 89, sempre me identifiquei com a geração grunge. Com o passar dos anos deixei de ligar a algumas bandas, mas a voz inconfundível do Layne Staley ficou sempre. Above é especial não só pela sua honestidade, por ser das coisas mais deprimidas que já ouvi e com um sentimento de derrota enorme, mas acima de tudo por ser um disco absolutamente singular e um dos melhores a sair da cena de Seattle. Vinte anos depois não perdeu nem um bocadinho de força.

Loma Prieta – Uniform
Um dos meus discos preferidos de hardcore? Check. Letras simples mas brutais? Check. A banda está a neste momento a gravar o próximo álbum? Check. É imperativo trazê-los a Portugal? Absolutamente!

Escolhas de Hugo Rodrigues:

And So I Watch You From Afar

And So I Watch You From Afar – These Secret Kings I Know
Mais um grande disco destes irlandeses que misturam com mestria o rock matemático e o pós-rock. A These Secret Kings I Know continua a senda das canções catchy que já fizeram (olá, Ka Ba Ta Bo Da Ka) e tem rodado vezes sem conta por aqui.

Surfer Blood – Grand Inquisitor
Esta semana acabou por ser repleta de discos que saíram recentemente e o 1000 Palms, dos Surfer Blood, foi também um exemplo disso. A Grand Inquisitor abre o álbum da melhor maneira e apesar de nem sempre manter o nível, está bastante agradável de ouvir.

Metz – Acetate
Mais uns que regressam em grande forma. II é um excelente sucessor de I (a sério), e a Acetate, um dos primeiros temas a serem conhecidos, mostra uns Metz que continuam cheios de energia e prontos a levar tudo à frente, sem medos.

Deftones – Back To School
Coisas que estão para acontecer.

Marvins Revolt – Deliberate Deeds
Nunca consigo ficar muito tempo longe dos discos de Marvins Revolt. É verdade que há saudades, mas pelo menos deixaram-nos dois excelentes trabalhos para escutarmos. A Deliberate Deeds pertence a Killec, e fica sempre no ouvido.

Escolhas de Sèrgio Neves:

©Jan Kohlrusch

©Jan Kohlrusch

Parov Stelar – The Mojo Radio Gang
Na melhor das festas só faltou passar a 9 – que não é esta, mas é ou não é boa?

Goat – Disco Fever
Clara homenagem ao tirar o pé do chão, às transições, ao seguimento de El Guincho e aos comboios em fila pirilau.

Blood Orange – Time Will Tell
Nem homens desnudados faltaram. Amor, amor a potes.

James Blake – Life ‘Round Here
Ressacar na tensão e no sufoco.

Panda Bear – Benfica
Não há nada mais na vida. #campeões

Escolhas de Cláudia Filipe:

Stevie Wonder

Stevie Wonder – Master Blaster
Sexta-feira foi um dia especial: 10ª festa Arte-Factos para celebrar cinco anos de aniversário. Têm sido anos incríveis e com muitas histórias para contar, mas o mais bonito disto tudo é ver o site continuar a crescer. E a vocês o devemos porque é por vocês que temos vontade de continuar. E a festa foi incrível.

Faith No More – Sol Invictus
O Sol Invictus esteve em escuta a semana toda e já tenho música preferida. É logo a primeira, a que dá nome ao álbum.

Todd Terje – Inspector Norse
O Verão chegou mais cedo.

Death Cab For Cutie – The Ghosts of Beverly Drive
Começar a sentir o frio na barriga porque o Primavera Sound está quase aí. Desta vez tenho a ida garantida, portanto não vão precisar de cancelar. Vai ser uma montanha russa sentir-me a recuar uns dez anos no tempo.

Stromae – Papaoutai
Ainda no tópico dos anos do Arte-Factos, não consigo tirar esta música da cabeça.

Arte-Factos

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