Músicas da Semana #145

Escolhas de Cláudia Andrade:

Prurient

Prurient – Myth Of Building Bridges
O Sorrow and Extinction de Pallbearer tinha sido até então o único álbum a merecer da minha parte um destaque total de 5 músicas na mesma semana. Com a chegada do Frozen Niagara Falls, novo disco de Prurient, voltou a fazer sentido ter um destaque assim. O álbum começa com esta Myth Of Building Bridges que é a minha preferida das 16 músicas que o compõem, agarrando-me logo nos primeiros segundos de audição. Fecho os olhos enquanto a ouço e consigo imaginar robots construindo o seu império, dia e noite, sem parar, sem sentir, sem viver. As vozes conseguem ser tristes e sufocantes ao mesmo tempo.

Prurient – Dragonflies To Sew You Up
Nesta Dragonflies impressiona-me a forma como uma melodia tão bonita se liga com a violência extrema de um bater constante. Mais uma vez, o sentimento de sufoco toma conta de quem ouve. Quase dá vontade de fechar a mão e espetar as unhas na carne só para sentir uma dor física que se compare à dor interior de a ouvir.

Prurient – Jester In Agony
Todo o álbum me remete muito para o Blade Runner, os sons, as melodias, o electrónico de 82 muito usado por Vangelis para a banda sonora do mesmo, tudo me leva para esse mundo de Replicantes. É talvez isso que me fascina tanto neste álbum. Esta Jester In Agony é das que mais me remetem para esse mundo.

Prurient – Greenpoint
Uma guitarra acústica ferrugenta e melódica marca o início desta Greenpoint antes da electrónica surgir. Fernow fala então sobre um velho amigo que queria lançar as cinzas da sua mãe no East River, mas este diz-lhe para não o fazer, pois aquele já não era um lugar romântico, é, em vez disso, um sítio onde as pessoas vão para se suicidarem.

Prurient – Frozen Niagara Falls (Portion One)
Frozen Niagara Falls (Portion One), uma das faixas que dá nome ao álbum (a outra é a Frozen Niagara Falls (Portion Two)) é o exemplo perfeito para definir todo o álbum, soando tal como ela a mistério, do princípio ao fim. A ideia com que ficamos é que entramos no mundo escuro de Fernow, um mundo desconhecido como aquele que víamos em X-Files e quando nos deixamos levar, o álbum surpreende-nos da mesma forma que a série nos surpreendia, com sons e seres que nunca sonhámos existir.

Escolhas de Ricardo Almeida:
©Dustin Rabin

©Dustin Rabin

Faith No More – Cone of Shame
Não é o disco mais consistente do mundo, mas tem boas malhas. Esta chamou-me à atenção pela letra e pela “força” da segunda metade da música.

Blanck Mass – Loam
Vindo de quem vem só podia ser coisa boa. Electrónica densa, muito densa, cheia de texturas e, por vezes, sinistra quanto baste. Certamente figurará nas listas dos melhores do ano de muita gente.

Grouper – Clearing
Com muita pena minha não pude ir ao concerto. Talvez por isso, voltei a pegar neste disco que já não rodava há uns tempos por estes lados.

Deftones – Back to School (Mini Maggit)
De todos os discos daquela altura, poucos envelheceram tão bem como este White Pony.

A Place to Bury Strangers – Everything Always Goes Wrong
Quem não gostar disto é um ovo podre.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

The Gaslight Anthem

The Gaslight Anthem – Selected Poems
Sem qualquer aviso ou audição, esta semana andei com uma música dos The Gaslight Anthem na cabeça. Já nem me lembro qual era, no entanto, isso levou-me a que fosse pegar no Get Hurt e a voltar inevitavelmente à minha música preferida desse álbum, a Selected Poems.

Patrick Watson – Good Morning Mr. Wolf
Patrick Watson está de regresso com um novo álbum (Love Songs For Robots) e eu ainda não lhe dei a atenção devida. De qualquer forma, espero rectificar isso em breve e mais que não seja, a voz de Watson cativa-me sempre. Esta ficou-me no ouvido.

Frightened Rabbit – The Woodpile
Tal como os primeiros, também esta semana foi de recordar o Pedestrian Verse dos Frightened Rabbit. Esta maravilhosa The Woodpile sumariza todo este enorme álbum.

Anthony Green – Young Legs
Não há como esquecer o malhão que isto é, e se já o disse, o que por acaso até acho que sim, volto a repeti-lo.

Anti-Flag – Sky Is Falling
Os Anti-Flag regressam este ano aos discos com American Spring e mantém-se iguais a si próprios. O punk rock interventivo é a maior arma da banda e usam-na o melhor que sabem. Esta música fala sobre o lançamento de bombas no Médio Oriente através de drones e um dos exemplos que dão é o de que enquanto nós ansiamos por um bonito céu azul, lá as crianças rezam por um céu cinzento e nublado, porque isso significa que os drones não conseguem atacar. Assustador.

Arte-Factos

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