NOS Primavera Sound 2015: Antevisão

NOS Primavera Sound 2015

Em apenas três edições em outros tantos anos, o Primavera Sound conseguiu estabelecer-se como um dos mais importantes festivais de verão em Portugal. A quarta edição realiza-se mais uma vez no Parque da Cidade do Porto, entre os dias 4 e 6 de junho.

Apesar de ser um festival urbano, os jardins verdejantes do Parque da Cidade são suficientes para, durante três dias, nos transportarem para um outro mundo e apesar da ameaça da chuva – como tem sido habitual – o festival espera receber cerca de 30 mil pessoas.

A receita para o sucesso passa em grande parte pela seleção eclética de nomes que compõem o cartaz do festival que se realiza há já mais de uma década em Barcelona, funcionando como uma filial em menor escala do evento espanhol. O renome do festival permite a associação a nomes como a NOS, Super Bock, All Tomorrow’s Parties e Pitchfork, marcas que apelidam cada um dos palcos por onde podemos ouvir música.

E chegamos ao mais importante, a música. Aquela que deverá sempre ser a prioridade a ter em conta pela organização de um festival e o motivo pelo qual devemos querer, orgulhosamente, ir a um evento deste tipo.

Dia 4 de junho:

Interpol

O primeiro dia do festival funciona como aperitivo para os dois seguintes, e por isso mesmo só há música nos dois principais palcos, o NOS e o Super Bock, bem próximos um do outro. E na verdade, apesar de haver menor quantidade de música, este é um dia forte, uma vez que alguns dos nomes que estarão presentes vivem ainda um estado de graça. FKA Twigs editou o primeiro disco, LP1, no ano passado e desde então a menina inglesa tem-se afirmado como a nova coqueluche do r’n’b mais alternativo. O indiezeco Mac DeMarco traz na bagagem Salad Days e também estará presente para fazer as delícias das meninas com fetiches mais lavajões. Antes disso haverá ainda Mikal Cronin, que há um par de anos arrasou o palco do Milhões de Festa e que promete trazer uma competição feroz a DeMarco.

No entanto, o nome grande é Interpol, a banda norte-americana que apesar de não ter conseguido manter o padrão de qualidade dos dois primeiros discos, parecia, há 10 anos atrás ser a salvação do rock. A primeira noite acabará com eletrónica da boa. The Juan Maclean, um dos nomes associados à DFA, e Caribou que promete deixar todos os casalinhos apaixonados a cantar “Can’t Do Without You“.

Dia 5 de junho:
©Edward Mapplethorpe

©Edward Mapplethorpe

O segundo dia do festival – aquele que promete abençoar-nos com alguma chuva – convida à nostalgia no palco NOS. Patti Smith irá tocar o seu clássico Horses, que comemora 40 anos, na íntegra. Os The Replacements, autores de grandes discos dos anos 80, trarão clássicos pertencentes a Let It Be, Tim ou Pleased To Meet Me. Quanto a Anthony e aos seus Johnsons, quem os conhece sabe que corre o risco de sair do concerto de lágrimas nos olhos tal é a emotividade que o cantor carrega na sua voz.

Há mais propostas sensíveis como Belle and Sebastian e os enormes Spiritualized, que repetem a visita de 2012 (e por nós poderiam cá estar todos os anos). Há também folk e americana em Giant Sand, José Gonzalez e Sun Kil Moon, que regressa à invicta um ano depois e no maior momento de popularidade de Mark Kozelek. A música com sonoridades mais pesadas e perfeita para ser consumida com substâncias ilícitas fica a cargo dos Pallbearear e sobretudo do reis da música arrastada e drogada, os Electric Wizard.

Neste dia, há ainda a escolha mais difícil de fazer, pois os Run The Jewels, os Jungle e Ariel Pink são protagonistas de um duelo triplo, ao tocarem todos exatamente à mesma hora em cada um dos seus palcos. Façam as vossas apostas e queixem-se à programação.

Dia 6 de junho:

Ride

Os Ride serão provavelmente o nome mais interessante do último dia do festival. O disco Nowhere é um dos marcos mais importantes do shoegaze e o motivo pelo qual a banda é invocada quando se fala no género. No entanto, a banda que mais pessoas trará até si, será porventura Death Cab For Cutie, que serviu de banda sonora da adolescência de milhares e que se serve muito bem acompanhada de um brunch. Outra banda que consegue captar as atenções – estranhamente – são os Foxygen que acabam de dar um tiro no pé com o disco …And Star Power, do ano passado. O espaço para a nostalgia está mais uma vez presente, com as Babes In Toyland e a “nova” banda desse sempre adolescente Thurston Moore. E já que falamos de nomes do passado, há que referir os seminais Einstürzende Neubauten, detentores de um estilo único que ainda assim se foi recriando ao longo dos anos e que vêm apresentar o último disco Lament. O palco Pitchfork estará cheio de nomes que têm tido colinho por parte do site desde sempre, como Kevin Morby, Ex Hex, Pharmakon, Health e os veteranos Shellac, que vão dar um concerto igual a sempre. Bom.

No último dia há mais uma escolha a fazer, os Ought que editaram More Than Any Other Day, um belo disco de estreia o ano passado, ou os Underworld, que para comemorar os 20 anos do canónico dubnobasswithmyheadman o tocarão na íntegra, prometendo uma rave techno do período áureo dos 90s.

Carlos Vieira Pinto

Melómano / Ofidiofóbico / Procrastinador.