Os Sorvetes, a SUPERFRUTA e porque é que nada faz sentido

os sorvetes

Pequena confissão editorial: de longe a tarefa mais aborrecida de escrever para o Arte-Factos é dar vazão à torrente interminável de e-mails promocionais, press releases e ocasionais ameaças. E apesar de não publicarmos sobre tudo o que nos chega, lemos e ouvimos tudo. Incluindo, mas não limitado, o single da banda que os teus amigos do liceu formaram e o que quer que seja que os Blind Zero andam a fazer com a carreira deles.

Tentamos dar visibilidade a tudo. Fazemos uma pequena triagem para manter um rácio “bandas conhecidas/bandas underground” equilibrado, valorizamos a qualidade e perspectivas futuras do trabalho e quando tudo falha pedimos aconselhamento espiritual sobre a forma de reza ao Júlio Isidro. É muitas vezes injusto, mas é o que se arranja. Há bandas que merecem destaque e não o têm e há aquelas que o têm porque o CD nos chegou ao correio e a review tem mesmo que sair.

E depois há estes tipos.

Explicando: uma banda com um nome que faria o Conjunto Académico João Paulo sentir vergonha alheia, o maior êxito que a Ana Malhoa nunca teve com a versão dos descontos do Pitbull, um chroma key digno dos Mão Morta e a frase “Super fruta tropical, palmeiras e cocos no meu quintal é tudo quanto basta para ter a nossa atenção.

Porque nada faz sentido e se um tipo quiser ouvir “riquiqui” até começar a sentir-se como a meio de uma ligeira lobotomia, não há nada que diga que está errado.

Quem são os Sorvetes?

A Azul de Tróia responde:

Os Sorvetes são dois meninos morenos nascidos numa ilha tropical algures no meio do Caribe. Criados por macaquinhos simpáticos, aprenderam a ser felizes nas ondas açucaradas de frescura que banham as areias da sua ilha. Só têm dois sonhos: viver para sempre numa cabana junto à praia e contagiar o mundo inteiro com a louca febre tropical, para que todos serpenteiem em danças de abacaxi.”

Num mundo ideal nunca precisaríamos de saber mais do que isto. É claramente pós-modernismo a mais para a nossa camioneta colectiva e se o artista está morto para quê saber quem são os dois meninos morenos, ou porque é que aquela guedelha encaracolada já surgiu num videoclip sobre betinhas e Santarém? Se calhar estamos a meio de uma invasão capilar e trunfas parasitárias servem-se do corpo de teclistas incautos para tomarem conta da industria discográfica, quem sabe? Ninguém.

No fundo, onde queremos chegar é: nada faz sentido, continuem a escrever para info@arte-factos, mas saibam de antemão os padrõezinhos a que se sujeitam.

Agora, se não se importam, vamos ver o “vídeo para gajas da figueira da foz” que aparece nos vídeos relacionados. Boa cena. Nada misógino.

Jorge De Almeida

Licenciado em Comunicação e Cultura, escreve habitualmente para várias publicações online. É editor e “manda bitaites” musical do Arte-Factos, colabora com a Charivari, crítico musical do sítio Ultraje, director da Controller Issue e foi jornalista no Diário de Notícias.

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