Cinemateca em Junho

Cinemateca em Junho

HOLLYWOOD, FL - FEBRUARY 3:  Picture taken during the 60s of US comedian, director and singer Jerry Lewis. Born in 1926, Jerry Lewis appeared in about fifty films in the 50s and 60s such as "My friend Irma" with Dean Martin and directed different films such as "the Nutty Professor". In the 70s he mainly acted in TV shows and the theater.  (Photo credit should read STF/AFP/Getty Images)

Jerry Lewis – A Ordem Desordenada

De 3 de Junho ao início de Julho, em 25 filmes, a retrospectiva Jerry Lewis – A Ordem Desordenada propõe a revisitação de um autor-actor que se autodesignou “cineasta total”. A retrospectiva dá a ver os filmes realizados por Lewis a partir de 1960, ano da sua primeira longa-metragem The Bellboy, alguns dos quais de raras projecções em Lisboa, como The Ladies Man e The Patsy (duas das suas obras-primas dos anos sessenta), mas também, entre os menos vistos, The Big Mouth ou One More Time.

Às obras assinadas por Lewis acrescem filmes em que foi dirigido por Norman Taurog (Don’t Give Up the Ship, Visit to a Small Planet), George Marshall (The Sad Sack), Emir Kusturica (Arizona Dream) e Martin Scorsese (The King of Comedy), para além de Frank Tashlin, seu mestre e cúmplice (Artists and Models, Hollywood or Bust, The Geisha Boy, Rock-a-Bye Baby, Cinderfella, It’$ Only Money, Who’s Miding the Store?, The Disorderly Orderly).

Mario Monicelli, cem anos de cinema

Com a Associação Il Sorpasso, responsável pela 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, a Cinemateca dedica um ciclo a Mario Monicelli (1915‑2010), um dos criadores da comédia à italiana, um género que teve grande êxito entre os anos cinquenta e os setenta e foi muito imitado além‑fronteiras.

Conhecido e reconhecido como importante autor de comédias, Mario Monicelli atravessou todas as fases do cinema italiano entre os anos cinquenta e os noventa. Monicelli realizou dois filmes antes da Segunda Guerra Mundial, mas é a partir de 1950 que o seu nome se afirma como correalizador de diversas comédias coassinadas com Steno e protagonizadas por Totò, o genial cómico napolitano.

No final dos sessenta, Monicelli não ficou imune à agitação política que se seguiu ao ano de 1968, da qual há vários reflexos no seu cinema, que se renovou e adquiriu novos matizes. Nos seus últimos anos, abordou inclusive o documentário, como o colectivo Lettere della Palestina (2003). Em 2010, aos 95 anos, ao saber que sofria de um cancro, Mario Monicelli suicidou‑se, atirando‑se da janela do seu quarto no hospital.

Neste Ciclo, nove dos sessenta e nove filmes, entre longas e curtas‑metragens, que realizou, num panorama de vinte e cinco anos da longa carreira de Mario Monicelli, que é ao mesmo tempo um autor e o realizador de filmes de género.

Badlands

Em Badlands (Terrence Malick, 1974), a voz off de Sissy Spacek (Kit) diz‑nos: Eu queria poder adormecer e ser levada para uma terra mágica qualquer, mas isso nunca aconteceu. Badlands – o filme – não passa neste Ciclo: filmes de personagens engolidos pela paisagem, pela imensidão da terra, que os absorve e lhes manda a vida. Filmes de Wandas que acordam sob os céus verde‑ácido na extensão das carvoarias, repetindo sempre para si, baixinho, I’m no good. I’m no good. Em Duelo ao Sol (King Vidor, 1946), diz a lenda: Uma flor selvagem e nunca antes vista, rebenta nos penhascos descarnados onde Pearl/Jennifer Jones morre, rápida a florir e cedo a morrer. Vidas vagas e vastas como o território em que se inserem e onde talvez não haja pecado e talvez não haja virtude, há apenas o que os homens fazem (Casy/John Carradine, nas Vinhas da Ira de John Ford). Há um crepúsculo que atravessa estes filmes onde aparece uma estrela única que nos faz olhar para trás, ou antes, olhar para dentro.

Estás num filme ou na vida real? / Num filme! / Num filme? És um grande mentiroso! (Week-end, Jean‑Luc Godard). Recomeço impossível, reencontro/desencontro como Cottonmouth nos Everglades antecipando o fim: Ah! The sweet joys of this world!.

Andy Warhol 1986 Robert Mapplethorpe 1946-1989 ARTIST ROOMS  Acquired jointly with the National Galleries of Scotland through The d'Offay Donation with assistance from the National Heritage Memorial Fund and the Art Fund 2008 http://www.tate.org.uk/art/work/AR00149

Sexta à noite com Andy Warhol

Poucos lugares foram tão indissociáveis da sua época com a Factory de Andy Warhol nos anos sessenta nova‑iorquinos. Era um estúdio e teve várias moradas em Manhattan (as duas primeiras no nº 231 da East 47thStreet, até 1968, e no Decker Building do nº 33 de Union Square, de onde em 73 seguiu para a Broadway). O estúdio era “a fábrica”, foi a fábrica da pop art simultânea à aliança do culto entre a criatividade pop e um modo de estar pop, sob a luz de holofotes intermitentemente coloridos. Também havia as litografias, as festas, os concertos, acontecimentos. Reinventando electricamente o conceito do “estúdio deartista”, animada por Warhol, a Factory foi o fervilhante ponto de encontro das superestrelas que formavam a sua corte, de artistas, músicos, o palco dos Velvet Underground & Nico, dos musicais e visuais Exploding Plastic Inevitable. E foi cenário e sala de projeção dos filmes de Warhol, primeiro a solo, depois em dupla com Paul Morrissey, trazido em 65 por Gerard Malanga. Impregnado deste mesmo espírito, voltando do avesso todo o tipo de convenções, o experimentalismo underground marcou o seu cinema, também atravessado por um forte sentido de sexualidade, explicitamente em filmes como Blue Movie (1969) ou antes dele Couch, um dos seus primeiros títulos. A ver, ainda, The Velvet Underground and Nico: a symphony of sound, I, A Man, Lonesomecowboys. Só este último foi já apresentado na Cinemateca, e apenas uma única vez, em 1990.

E ainda há muito, muito mais. Todo o programa aqui.

Lúcia Gomes

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