Músicas da Semana #147

Escolhas dos Cajado:
©Cláudia Andrade

©Cláudia Andrade

Ermo – Eu vi o Sol
Não é de se ficar indiferente ao ar fresco que os Ermo trazem à música portuguesa e, por isso, é impossível passarem despercebidos seja onde for e como for. Apresentam um ecletismo de estilos bastante ricos que nunca se atropelam, dando-nos a sensação de músicas do mundo, viajando por várias culturas e sítios que se acabam sempre por ligar muito à nossa cultura. As letras são em português, em bom português e com o seu sentido. Já para não falar na sua representação pelo duo ao vivo que é irrepreensível. “Eu vi o Sol” é uma das músicas de Ermo que nos faz muito lembrar outra mítica banda portuguesa que adoramos chamada Sangre Cavallum. Com o seu ritmo tribal misturado com um electrónico ambiental e uns coros soberbos. Claramente que têm muitas influências a bandas como Dead Can Dance, que também gostamos muito. São dois garotos que sabem o que fazem, e sabem que fazem bem. Ponto final parágrafo.

Dead Combo – Povo que cais descalço
Não há muito a dizer sobre os Dead Combo porque na verdade as palavras são escassas para transmitir o que se sente ao ouvir. A banda mistura sonoridades bastante familiares, desde América latina, passando pela nossa conhecida música africana e acabando na música portuguesa. Não é uma banda que nos costuma fazer sentir Portugal no seu todo, mas sim Lisboa. Lisboa tem tudo o que os Dead Combo são, mas esta música consegue ir mais longe.

David Bowie – Where Are We Now?
Embora o disco “Stars” não tenha sido tão fenomenal, mas longe de ser desagradável, esta música é de se deixar uma pessoa parva de tão boa que é. Para além da sua viagem ao mundo surrealista e das dissonâncias maravilhosas que tem, a letra em si, que aborda um conceito extremamente complexo, foi escrita de uma maneira tão simples que dá vontade de repetir infinitamente.

José Cid – Mellotron, O planeta fantástico
“10.000 anos depois entre Vénus e Marte” é e será para sempre uma das pérolas mais preciosas na nossa música, venha quem vier. “Mellotron, O planeta fantástico” é daquelas músicas que dá uma boa sova a muitos sobre o que é o progressivo e o psicadelismo no rock. Guitarras fantásticas, teclados irrepreensíveis com arpejos de deixar um tipo em delírio, coros fenomenais e, claro, o próprio José Cid. Que mais dizer?

Pink Floyd – Louder Than Words
Pink Floyd é daquelas bandas que já não precisa provar nada a ninguém. Foram anos e anos a mandar cá para fora um monte de clássicos indescritíveis, e esta música, pode mesmo transmitir isso. “The endless River” é fundamentalmente um álbum instrumental (soberbo!) e depois tem esta música, contrastando com o próprio título, como a única que tem voz que nos transporta e conclui para aquilo que Pink Floyd é e sempre foi, uma banda do cara&#@. Indiscutível.

Escolhas de João Neves:

Steven Wilson

Steven Wilson – Perfect life
Finalmente consegui ouvir o novo álbum deste senhor. Esta é tão bonita e tão boa que tinha que vir aqui parar

The Vaccines – Handsome
Também se ouviu esta semana o novo dos Vaccines, continuam com um som simples e directo mas neles resulta na perfeição.

Faith No More – Separation Anxiety
Sim, esta semana ouviu-se mesmo muita coisa nova com bases rockeiras e esta salta vinda desse mesmo rock que os Faith No More continuam a saber fazer.

Mogwai – Auto Rock
Nem de propósito, a primeira do álbum de 2006, Mr. Beast, apareceu no final do Miami Vice que vi esta semana. De relembrar que vão estar daqui a umas semanas no NOS Alive.

Depeche Mode – Personal Jesus
Teve que vir para esta lista porque esta semana houve um momento especial à conta dela.

Escolhas de Ricardo Almeida:
©Michael Muller

©Michael Muller

She Wants Revenge – Disconnect
Adoro o primeiro disco destes tipos.

Nirvana – You Know You’re Right
“Things have never been so swell, and I have never failed to fail”.

Sharon Van Etten – Tarifa
Lamechice à grande! Sabes aquele disco mesmo lamechas que está a ganhar pó na prateleira porque cada vez que o ouves só te lembras de coisas que te deixam mesmo em baixo? Ei-lo.

Linda Martini – Elevador
Foi isto que tocou aos altos berros no caminho para casa.

ISIS – Threshold of Transformation
E para levantar a moral, o melhor disco (isto é discutível) da melhor banda do mundo (isto não é).

Escolhas de Cláudia Filipe:

Death Cab for Cutie

Death Cab for Cutie – Transatlanticism
Estas são as músicas da semana mais batoteiras e parciais que vão ver da minha parte. O NOS Primavera Sound teve uma porrada de bandas que queria muito ver, vi bons concertos, mas havia uma banda que me ia directa ao coração. Como mais nenhuma outra: a pressa adolescente de viver levou-me a criar uma ligação emocional muito grande aos Death Cab for Cutie quando a entrada na idade adulta me parecia uma coisa muito assustadora. E vê-los fechar o concerto com esta música foi o murro no estômago que queria. Porque é uma das músicas que melhor traduz o que de mais especial há neles e a facilidade com que retratam as dores e as alegrias de quem está a crescer.

Death Cab For Cutie – New Year
Música de arranque do Transatlanticism, um dos álbuns mais carismáticos da banda. Ouvir aqueles acordes de guitarra foram uma viagem de regresso a 10 anos atrás. E soube pela vida.

Death Cab for Cutie – Crooked Teeth
Apesar de tudo, o meu álbum preferido sempre foi o Plans e quis sempre acreditar que haveriam de tocar esta. E foi logo a segunda. Peço desde já desculpa a todas as pessoas que importunei com os saltos que dei.

Antony and the Johnsons – You Are My Sister
Não esquecer que também tivemos o privilégio de ver o magnânimo Antony ao vivo, acompanhado pela orquestra da Casa da Música. Há pessoas que têm uma aura que as torna tão especiais. E há uma beleza tão pura nas suas canções que são verdadeiros hinos à vida.

Caribou – Our Love
Andar a cantar isto desde o concerto de Caribou que leva a taça deste ano no campeonato de partepistismo.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

The Menzigers

The Menzingers – Transient Love
Não é que oiça muitas vezes o mais recente disco dos The Menzingers, apesar de até gostar dele. Esta semana decidi voltar a pegar nele e acabei por engraçar mais com esta música. Porquê? Porque sim, ora.

Moving Mountains – Seasonal
Tenho a dizer que o disco homónimo dos Moving Mountains foi bastante ignorado por mim quando saiu. Felizmente que rectifiquei isso a tempo e há uns bons tempos que nunca o deixo afastar-se muito.

Um Corpo Estranho – No Fim Tudo Está Bem
Infelizmente não consegui ir a nenhum dos showcases Fnac dos Um Corpo Estranho neste fim de semana, mas espero que alguns de vocês o tenham feito, certamente que foi bom.

Minus the Bear – Absinthe Party at the Fly Honey Warehouse
Se há coisa que eu sei é que nunca é má ideia rebuscar um dos discos acústicos dos Minus The Bear. Não tenho nenhuma razão especial para escolher a Absinthe Party at the Fly Honey Warehouse mas, ainda assim, aqui está ela.

Palms – Tropics
Quando tens sol, chuva e montes de vento, tudo no mesmo dia.

Escolhas de Isabel Leirós:

Airs

Airs – Two Souls
Os norte-americanos Airs lançaram por estes dias o seu novo EP, “Apart”. «Feedback junkies» e «loudest band in San Francisco», como se caracterizam, trazem um registo melancólico e saudosista, em perfeito contraste com os dias de calor que nos esperam nos próximos meses.
Girlpool – Ideal World
Junho começou com o lançamento do 1.º álbum de Harmony e Cleo. Como não amar lo-fi fofo, que dá voz e guitarra – sem bateria – às preocupações de quem tem de lidar com a vida adulta?Kikagaku Moyo – Smoke and Mirrors
Rock psicadélico japonês – é tudo o que precisam de saber sobre a banda mais cool que visita Portugal na próxima semana. «Forest Of Lost Children» é o álbum que me tem acompanhado os dias, e a “Smoke and Mirrors” enche-me as medidas. Uma montanha-russa de ritmos, que ora nos puxa à dança ora sugere que fiquemos de headphones no sofá, são 7 minutos de genialidade.

Einstürzende Neubauten – Haus der Lüge
Os tenebrosos alemães do industrial regressaram este fim-de-semana a Portugal, para tocar no Primavera Sound. Foi um dos concertos que mais aguardava e correspondeu à elevada expectativa. Tocam juntos há 30 anos e são muito bons no que fazem, como todos sabemos. Na semana de antecipação, ocupei-me com o seu álbum de 1989 «Haus der Lüge», uma espécie de registo testamentário do seu talento e amplitude musical.

Shellac – Steady As She Goes
Escrevo este breve parágrafo em pleno Domingo pós-Primavera, em que cumpri a tradição de ver os Shellac no Parque da Cidade. Será a última vez que falarei no assunto, pois já contei a toda a gente: no Sábado, tive a oportunidade de entrevistar o icónico Steve Albini, para a rádio. Falámos sobre 20 anos na estrada, a indústria musical em 2015 e os Big Black. Perdi Spiritualized, que acabei por ouvir no exterior do recinto, mas foi uma troca bem justa. Não é todos os dias que nos sentamos no sofá com um ícone cultural.

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