Gregory Porter no Coliseu dos Recreios (09/06/2015)

Gregory Porter no Coliseu dos Recreios (09/06/2015)

#4 Gregory Porter

Fotos por Hugo Rodrigues

Depois da passagem muito bem sucedida na edição do ano passado do EDP Cool Jazz, as expectativas só poderiam ser pelo melhor. O músico de 43 anos que não só é conhecido pela fantástica voz mas também pelo seu “jazz hat”, regressou a Lisboa e foi aplaudido de pé no Coliseu dos Recreios.

A noite era quente e muitas eram as pessoas que circulavam nas imediações da mítica sala lisboeta. Com um atraso de quinze minutos, já o concerto começava e as pessoas ainda iam ocupando os seus lugares. Perante uma sala pouco cheia – com uma plateia bem composta mas os balcões muito despidos e os camarotes vazios – compensou a musicalidade e talento de Porter, que preencheu tudo o quanto era espaço livre.

Coube a “Someday We’ll All Be Free” dar início ao serão, ecoando perfeitamente pelo Coliseu fora e mostrando desde logo que dificilmente se encontraria melhor opção em Lisboa para realizar este espectáculo. No final da canção, Gregory Porter elogia o país que tem “a melhor comida, as melhores pessoas”, introduzindo “On My Way to Harlem”.

#5 Gregory Porter

Para acompanhar a belíssima voz, são quatro os músicos que ornamentam os temas apresentados, cada um deles encontrando o seu espaço para brilhar durante o concerto. Houve espaço para solos de saxofone, piano e bateria, em doses adequadas e de fazer cair o queixo.

“Esta canção é uma afirmação de amor e já o consigo sentir nesta sala”, diz o vocalista, referindo-se a “No Love Dying”, do mais recente álbum Liquid Spirit, que lhe valeu um Grammy para Best Jazz Vocal Album, em 2014. Do mesmo registo seguiu-se um dos singles mais trauteados, o tema homónimo do álbum teve inclusive direito a palmas sincronizadas desde que se ouviu “Clap your hands!” até ao seu final, naquele que foi um momento de perfeita harmonia entre banda e espectadores. De facto, é encantador ver o entusiasmo das pessoas e ouvir o poder que um simples conjunto de palmas podem ter numa sala tão grandiosa. E acima de tudo, ver como o poder da música em criar união e amor é infindável.

Gregory anuncia “Wolfcry”, outra faixa do aclamado álbum e a banda sai de palco, deixando apenas o pianista a partilhar connosco um pouco da sua magia. Retornando o vocalista pouco depois para entoar o tema. Segue-se “Musical Genocide”, música que por várias vezes recebeu palmas e “Hey Laura”, do registo mais recente e talvez o tema mais mediatizado de Gregory Porter.

#15 Gregory Porter

Vamos até ao álbum Be Good, para ouvir “Work Song”, com direito a aplausos de pé, seguida de “Be Good (Lion’s Song)”, um tema menos alegre e a puxar as lágrimas. “Free”, segundo Porter, fala de “liberdade, transmitida pelos nossos pais, amigos e pessoas que nos rodeiam”. A música, tal como as anteriores, é aproveitada ao máximo esticando o poderio dos instrumentos e antes da mesma acabar, Gregory deixa-nos com um “Peace and love, ladies and gentlemen! Obrigado, god bless!”, levando mais uma vez a plateia a aplaudir de pé.

Para o encore voltam com “1960 What?”, do álbum Water de 2010, e uma versão de “Mona Lisa”, mais conhecida na voz de Nat King Cole. E com isto, depois de uma actuação que roça o perfeito, fica bem assente que qualquer amante de música deveria assistir a um concerto de Gregory Porter pelo menos uma vez na vida.

No dia 13 de Junho é em Matosinhos que este fantástico grupo actua, com o apoio da Orquestra Sinfónica do Porto.

Faço uns rabiscos aos quais gosto de chamar ilustrações. Escrevo e tiro umas fotografias. Modelo ocasional. Designer.

Facebook LinkedIn Google+