Jessie J na MEO Arena (14/06/2015)

Jessie J na MEO Arena (14/06/2015)

#31 Jessie J

Fotos por Hugo Rodrigues

Numa MEO Arena preenchida pela metade – o palco estava situado sensivelmente a meio do pavilhão – “Uptown Funk”, de Bruno Mars e Mark Ronson, deu início ao serão de festa, antes da entrada em palco da figura mais esperada da noite.

A banda que acompanha Jessie J nesta Sweet Talker Tour, duas backing vocals, um teclista, um guitarrista e um baterista começam a surgir em palco discretamente, e a cantora britânica entra como um furacão e com um vestido onde se lia “Lisbon”, ao som de “Ain’t Been Done”, um dos singles de Sweet Talker, de 2014. O público que já estava eufórico ao som do Bruno Mars, quando ainda nem estava ninguém em palco, atinge níveis elevados de loucura enquanto lançam dezenas de balões coloridos durante a canção.

Jessie, para gáudio dos fãs, é imparável em palco, vai de uma ponta à outra, sobe para o palanque da bateria, não falha uma nota e parece que não precisa de ar. Sem pausas, passamos a “Domino”, um dos hits de Who You Are, o álbum de estreia que a lançou, desde logo, para a ribalta. Com um alcance vocal irrepreensível e sem uma única falha de energia, ela canta, atira a roupa para um canto do palco, interage com os fãs e sabe sem dúvida captar a atenção ao longo de hora e meia de concerto, sem ser preciso recorrer a grandes encenações e pirotecnia.

#27 Jessie J

Em “Keep Us Together” oferece um momento de calma, sentando-se na beira do palco, enquanto canta com as suas coristas. Segue-se um pouco de conversa com os fãs mais próximos do palco, chegando inclusive a cantar os parabéns a um deles. Depois do momento de comoção para os fãs mais acérrimos, a deixa é ideal para “Nobody’s Perfect”, outro hit de Who You Are, iniciado com um pequeno discurso motivacional da cantora sobre momentos de escuridão que nos transmitem mais força para o futuro. Finalizada a canção, dirige-se mais uma vez ao público, agradecendo o apoio dos fãs e fala de Whitney Houston e de como essa diva dos anos 90 a inspirou a sair da sua zona de conforto, a estar confortável na sua pele e a ser “barulhenta”. Prestando-lhe tributo, canta uma curta versão de “I Have Nothing”, da falecida cantora norte-americana. “Who You Are”, um dos temas mais aguardados da noite é entoado alto e bom som pelo público e é o tema ideal para todo o poder vocal de Jessie J ser extravasado.

“Flashlight” é a música mais recente da cantora, incluído na banda-sonora de Pitch Perfect 2. Vários telemóveis são empunhados no ar – não estivéssemos nós na era em que há mais telemóveis que pessoas – gerando uma constelação dentro da sala. Antes de “Sweet Talker”, Jessie pergunta quem dos fãs é solteiro e incita a que que um deles se dirija à pessoa que acham mais atraente e lhe cantem o tema literalmente na cara. Um momento um pouco “teenager”, mas divertido. O tema leva os fãs ao rubro, os mesmo que sabem cada letra de cor e não se importam de gritar do início ao fim das canções.

“Regresso a Portugal exactamente no único dia em que chove durante todo o ano. Por isso, lembrem-se do dia em que estive aqui anteriormente e estava calor, ponham os braços no ar e cantem!”. O tema é “Burnin’ Up”, nada adequado ao dia em que estávamos mas que pôs toda a multidão sem fôlego.

#23 Jessie J

“Do It Like a Dude” começa com um pedido aos fãs, para recuarem ao lugar no tempo onde precisaram de dizer um valente “Fuck Off” na cara de alguém. Este concerto é especialmente pautado de momentos de passagem de mensagens de força e perseverança para os fãs e em cada faixa temos uma contextualização detalhada. Jessie J sabe o quanto é importante para os fãs e sabe retribuir-lhes a dedicação. A plateia salta e canta sempre de cartazes na mão, os mesmos que ela faz questão de ir lendo ao longo do concerto, e quando só faltava tirar o vestido/saia, ela tira-a e atira-a para o público, ficando de lingerie brilhante. Algo a que se juntou um solo de guitarra a la Slash, uma Jessie J a imitar o Coyote Bar junto aos pés do guitarrista e um final fantástico com um mini-solo de bateria.

Passam alguns minutos até ao encore que começa com “Price Tag”, a faixa que, voltando a 2011, rodou as rádios todas e estava por todo o lado. Por esta altura, ela e o teclista já têm bandeiras de Portugal às costas, para alegria dos fãs. É altura de mais um momento de conversa com fãs aleatórios que Jessie vai apontado. Temos a Margarida de 12 anos, que às cavalitas do pai grita que o seu sonho é ser designer de moda, e a quem Jessie faz chegar uma t-shirt igual à sua, o Miguel que está bem na frente da plateia e quer ser o dono da Victoria Secret’s, alguém a quem Jessie autografa um retrato e o Simão, que lá atrás, veio acompanhar uma amiga e trabalha num banco. “It’s all about the Money, Money, Money, Simão…”, vai cantado Jessie J.

Antes de “Masterpiece”, temos uma abordagem ao medo e de como não o devemos deixar apoderar-se de tudo. A cantora de cabelo azul diz estar agradecida por ter passado por esse momento mais baixo na sua vida, caso contrário não estaria onde está hoje. Prometendo falar com os fãs depois do concerto, finaliza com a extasiante “Bang, Bang”, um dos hits radiofónicos de 2015.

Para os mais cépticos ao pop pastilha elástica, é indubitável que Jessie J é aquilo que se diz “animal de palco”, com uma voz que chega aos píncaros e sem falhas. É um talento nato, percebe-se o porquê de ser um ícone para tantos (principalmente) miúdos e é das melhores coisas que existem no pop actual.

Faço uns rabiscos aos quais gosto de chamar ilustrações. Escrevo e tiro umas fotografias. Modelo ocasional. Designer.

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