O Homem Demasiado Amado (L' Homme Qu' On Aimait Trop)

O Homem Demasiado Amado (L’ Homme Qu’ On Aimait Trop)

O Homem Demasiado Amado

Catherine Deneuve, Adèle Haenel e Guillaume Canet. Uma mãe, uma filha e um advogado. Uma sócia de um casino, uma jovem semi-rebelde e um homem com ambições perversas. Duas actrizes e um actor, três personagens no qual se centra o filme.

Renée Le Roux é uma magnata decadente. O casino que dirige acumula perdas e é alvo da cobiça de um dos seus concorrentes directos. Agnés é a filha, desinteressada nos negócios, cuja vida está entre o hedonismo ilimitado e a depressão profunda. E Maurice é um advogado perverso, mulherengo, com interesses e escrúpulos misteriosos. A coisa promete…

A primeira metade de O Homem Demasiado Amado apresenta estas personagens com um ritmo muito próprio, na forma de um triângulo improvável, que joga com o amor de uma forma especial. Um amor em diversas vertentes, nada óbvio e nada simplista. O veterano Techiné revela-se, acima de tudo, um mestre na direcção de actores: Deneuve é sempre magistral e os mais desconhecidos Canet (o melhor do ultra-cliché Uma Vida Difícil) e Haenel (a grande surpresa de Os Combatentes) estão ao mesmo nível.  Só que, no momento em que as personagens poderiam ganhar outra força, quando a tensão se torna iminente, parece que o filme implode.

O Homem Demasiado Amado é baseado em factos reais. Envolve um desaparecimento inesperado, um caso judicial envolto num grande mistério. Mas, curiosamente, esse lado verídico, esse respeito pelo evoluir da história, parece limitar a parte final. Assim, é um bom filme, com boas interpretações, mas que parece ficar aquém de algo mais.

6estrelas

João Torgal

João Torgal