NOS Alive - 1º dia (09/07/2015)

NOS Alive – 1º dia (09/07/2015)

NOS Alive'15 1º dia

Fotos por Hugo Rodrigues

Cerca de 55 mil pessoas passaram pelo Passeio Marítimo de Algés para o início da nona edição do NOS Alive. A procura por bilhete para ver Muse apresentar o seu mais recente álbum, Drones, foi elevada e há algum tempo que o dia tinha esgotado. Mas a procura de bilhetes foi frenética até à última da hora, a avaliar pela quantidade de pessoas que procuravam desesperadamente por entrada junto das bilheteiras.

O primeiro dia começou a mexer cedo: a notícia do cancelamento de Jessie Ware, por motivos logísticos, caiu que nem uma bomba. Haveria de ser substituída pelos portugueses Capitão Fausto, que aproveitaram a oportunidade para defender o seu mais recente trabalho, Pesar o Sol, perante uma simpática audiência que acorreu para os ver.

#54 James Bay

O concerto de James Bay foi uma surpresa. O músico veio mostrar que é muito mais do que um one hit wonder e, apesar de Hold Back the River ter, naturalmente, sido recebida com enorme entusiasmo, as várias canções de Chaos and the Calm aqueceram o final de tarde. A fazer lembrar os tempos áureos de John Mayer, o jovem cantautor revela-se um talento promissor da folk britânica.

Ben Harper & the Innocent Criminals entraram decididos a reconquistar o carinho que outrora tiveram do público português. Mais de dez anos passaram desde os dias de ouro, mas o regresso ao passado soube muito bem: o arranque com Glory and Consequence ou a revisita a temas como Steal My Kisses ou With My Own Two Hands foram momentos irrepreensíveis, apesar de alguma apatia demonstrada pelo público. Bem sabemos que há coisas que ficam melhor no passado, mas não há nada como matar saudades de vez em quanto.

#71 Metronomy

Os momentos de calmia estavam prestes a terminar porque o furacão Metronomy dominou o palco Heineken. Goste-se ou não, a energia de Joseph Mount e o domínio de Anna Prior, que se divide entre voz e bateria, são contagiantes e a tenda tornou-se numa enorme pista de dança. Só pecaram por terem jogado os trunfos Love Letters, The Look e I’m Aquarius demasiado cedo, o que os deixou sem argumentos para prender parte do público que acabou por abandonar para ir ver Alt-J.

Segunda vez no NOS Alive, quarta vez em Portugal. Não foi assim há tanto tempo que os vimos num palco bem mais pequeno do que este, no Milhões de Festa em Barcelos, e não foi preciso muito para que o fenómeno explodisse. Uma grande multidão juntou-se para assistir ao regresso da banda, desta vez num palco enorme. E saímos do concerto com sentimentos divididos: se por um lado a beleza das canções como Matilda, Dissolve Me ou a quase lascividade de Tessellate seduziram a audiência, por outro não são banda de grandes palcos. Exige um ambiente mais intimista que, apesar de todo o espectáculo de luzes que tentaram criar, não conseguiram. Muito também por culpa da hora do início de Muse que se aproximava furiosamente e o número de pessoas que estavam a marcar lugar multiplicavam-se. O ruído ensurdecedor de conversas paralelas acaba por perturbar a experiência que é ouvir uma banda tão pessoal quanto os Alt-J.

#81 Alt-J

A mudança de rumo musical dos Muse tem feito correr muita tinta e não vale a pena insistir mais nisso: o génio (outrora?) criativo de Bellamy está demasiado preocupado em lutar contra o sistema e preparar a humanidade para uma possível invasão de drones, ou de aliens, ou de dinossauros, ou sabe-se lá do quê. Mas independentemente do que se pensa sobre esta mudança de postura, continuam a ser uma das melhores bandas a actuar ao vivo e continuam a ter um passado que influenciou uma geração inteira. Conscientes da importância que o seu legado mais rockeiro teve na influência dos gostos musicais de milhões de jovens pelo mundo inteiro, doseiam a setlist que trazem e são mesmo os hinos Plug In Baby ou Time Is Running Out as músicas que são recebidas em maior euforia.

Os Muse são aquilo que se tornaram: uma banda para grandes palcos, grandes públicos, mas isso não tem de chatear ninguém quando são um dos melhores a fazê-lo actualmente. Independentemente da qualidade de Drones, deram um enorme concerto no NOS Alive, tal como um cabeça de cartaz deve ser. Fecharam a actuação com a apoteótica Knights of Cydonia, com Bellamy envolvido numa bandeira portuguesa.

#99 Django Django

Os corpos começavam a acusar o cansaço, mas os resistentes haviam de ser recompensados: os Django Django deram um grande espectáculo no palco Heineken. Apesar do avançar de hora, incompatível para os muitos que trabalhavam no dia seguinte, os britânicos deram um concerto magnífico, a justificar as centenas de olheiras que se terão multiplicado por diversos escritórios da região da Grande Lisboa. Os ritmos quentes da sua música, que conferem ao rock um elevado tom experimentalista, deliciaram a audiência e foi impossível não bater o pé ao som de temas como Hail Bop, Waveforms ou Default.

O NOS Alive arrancou bem, com bons concertos e com os Muse a demonstrar que continuam a ser uma grande banda. A festa continuou por mais dois dias!

Cláudia Filipe