Super Bock Super Rock 2015: Antevisão

Super Bock Super Rock 2015: Antevisão

SBSR 2015

Damon Albarn, Graham Coxon (bom filho a casa volta), Alex James e David Rowntree. Sejamos parciais. Muito parciais. Apesar do cartaz interessante, apontemos o foco: Sexta-Feira, 1:00h, Meo Arena.

Depois dos problemas acumulados na recinto junto à Praia do Meco (pó, acessibilidades, condições de campismo, etc, etc), o festival regressa a Lisboa. Não ao Parque Tejo, onde esteve uns anos, mas ao coração do Parque das Nações. Entre o antigo Pavilhão Atlântico e a pala do Pavilhão de Portugal, fica o cepticismo perante a escolha.

16 de Julho:

Noel Gallagher

Sting é hoje um músico acomodado, para um público de meia-idade pouco exigente. Típico concerto de Rock in Rio, no lado mais pejorativo do festival luso-brasileiro. Poderia ser coisa para CV, mas não assim, não nesta fase. E não é por aí que a coisa aquece. O britânico é cabeça de cartaz no mesmo dia onde fica a curiosidade de ouvir a estreia dos High Flying Birds, do Oasis Noel Gallagher (na imagem).

No dia de estreia, destaque ainda para o arrojo interpretativo de Perfume Genius e para um conjunto de propostas electrónicas, com sensibilidade pop, de várias nacionalidades e registos. Há o lado mais funky do americano Toro y Moi, a maior introspecção dos sueco-japoneses Little Dragon, o maior músculo sonoro do britânico SBTRKT ou a sofisticação dos portugueses Mirror People.

A propósito de propostas nacionais, destaque para o psicadelismo tão incaracterizável dos Gala Drop ou para o rock veraneante dos Duquesa.

17 de Julho:

Blur_770

Um dia depois de um Oasis, temos os Blur (na imagem). Poderia soar a anos 90, mas a música deu tanta volta… São o grande acontecimento da edição deste ano do Super Bock Super Rock. É certo que estiveram por cá em 2013, no Primavera Sound. Mas têm disco novo, 12 anos depois de Think Tank, 16 anos depois do último com Graham Coxon. E, repitam comigo, Damon Albarn é um dos mais geniais e versáteis músicos que já vimos nascer. Maior obstáculo: a acústica do antigo Pavilhão Atlântico.

Os Blur podem ser as estrelas, mas há outros motivos de interesse. Desde logo, a aguardada estreia da voz superlativa (divide opiniões, como acontece com um Antony) de Benjamin Clementine. Ou vários repetentes de edições anteriores de outros festivais. Temos a claustrofobia e o negrume das Savages, a electro-pop dos britânicos Bombay Bicycle Club ou a enésima presença em Portugal dos dEUS, do porreiraço Tom Barman. Antes dos belgas, talvez o mais esperado concerto nacional do SBSR 2015. Ou seja, a junção, em palco, de dois intemporais músicos portugueses: Jorge Palma e Sérgio Godinho.

A abrir o dia, há uma forte componente de electro-pop lusitana. Depois de Rui Maia, é a vez de outro X-Wife aparecer no festival. No caso, o projecto White Haus, de João Vieira. Há ainda os Best Youth a apresentar, depois de alguns anos de espera, o longa-duração de estreia.

18 de Julho:

FFS

Duas bandas esteticamente diferentes, de períodos diferentes, decidiram juntar-se para um disco e uma digressão. São os FFS. Ou, se preferirem, os Franz Ferdinand e os Sparks. Poderão, perfeitamente, ser o concerto certo na hora certa. Isto numa noite que fecha com a harpa e a voz de Florence Welch, de Florence & The Machine

Antes dos dois cabeças de cartaz (é o mínimo considerar FFS enquanto tal), há a euforia festiva dos espanhóis Crystal Fighters. Contudo, é possível que muitas das atenções estejam viradas para o palco secundário. É lá que, dois anos depois de um belo concerto em Paredes de Coura, surge, com um novo disco vagamente mais electrónico, o psicadelismo leve e veraneante dos Unknown Mortal Orchestra. E, para quem nunca viu, vai ser bom espreitar com atenção a energia rock (adolescente, no sentido mais fresco do termo) dos Palma Violets.

Neste último dia, as propostas lusófonas têm um forte sotaque do outro lado do Atlântico. Há a pop luso-brasileira da Banda do Mar, recordistas, este ano, em presenças em grandes festivais portugueses. E ainda a melancolia e o maior cosmopolitismo do cantautor Rodrigo Amarante ou o hip-hop sambado de Criolo. Do Brasil para o kuduro angolano, misturado com o experimentalismo rock, há também os Throes + the Shine. Num cartaz que, a nível nacional, conta também com a pop sintetizada dos Thunder & Co e dos We Trust ou o lado mais exploratório dos Modernos, um dos projectos paralelos dos Capitão Fausto.

João Torgal