Músicas da Semana #154

Escolhas dos Nevoa:

Vanum

Vanum – In Immaterial Flame
O novo projecto de black metal atmosférico com membros de Fell Voices e Ash Borer. Para além de ser o disco que é, foi lançado na mesma semana que o nosso primeiro álbum. Não acho que seja propriamente inovador, mas é black metal com uma enorme qualidade.

Forndom – När Alvkungens Rike Faller Samman
Para além de muito bom fotógrafo e ilustrador, L. Swärd é também um músico de referência no que toca à representação do antigo espírito nórdico. Além disto, qualquer projecto com qualidade influenciado por Wardruna terá sempre a nossa atenção.

Sarhana – Thou
Projecto oriundo do sul da Suécia e “recorded under ritual circumstances” segundo o próprio. Encontrado por um de nós recentemente numa loja de vinil e cassetes underground em Copenhaga, este projecto junta tudo o que gostamos num álbum de black metal: produção característica, experimentalismo, riffs e ambiente de perder a cabeça.

Phurpa – Fundamental Mantra of Bon
Música ritualista com canto tibetano e instrumentos tradicionais, tocada e cantada por russos. A atmosfera criada pelas vozes é de uma densidade enorme e achamos impressionante que ainda existam projectos assim actualmente.

Kontinuum – Í Huldusal
Descobrimos esta banda a semana passada e soa-nos a uma fusão de Sólstafir e Fields of The Nephilim (se isso for possível). Há qualquer coisa de especial na sonoridade das bandas Islandesas, provavelmente influenciada pela paisagem do país, também ela única.

Escolhas de Ricardo Almeida:

Celeste

Celeste – Laissé pour compte comme un bâtard
“O inferno está vazio, e todos os demónios estão aqui.” Os Celeste sobem ao palco debaixo de strobes nervosos e das lanternas vermelhas que carregam presas na cabeça; mais nada. Assim exorcizam o desespero, gritando-o a plenos pulmões, numa simbiose entre o hardcore mais outsider e o black metal menos conservador. No entanto, são um pouco repetitivos e nem sempre consigo ouvir um disco até ao fim. Esta faixa abre o último longa-duração dos franceses e é uma das melhores no seu reportório.

The Sound – Skeletons
Tive um relacionamento sério com a insónia durante um ano e pouco. Pensava que as coisas estavam resolvidas, mas pelos vistos ainda há unfinished business por tratar.

The Black Heart Rebellion – Crawling Low And Eating Dust
Sou mais uma pessoa de discos do que de faixas soltas. Este Har Nevo foi o primeiro disco que ouvi em 2013 e continua a ser o meu favorito desse ano. Da música – algures entre algo que já foi hardcore, um neofolk sem a freakaria do costume e várias coisas com o prefixo “post” – ao conteúdo lírico que prova que a idade não se define apenas em termos quantitativos, este disco leva nota máxima! É absolutamente imperativo ouvi-lo do início ao fim, sem interrupções. Antes de o gravarem, os TBHR colaboraram com uma companhia de teatro onde ajudaram a criar uma espécie de banda sonora para uma encenação de “Medeia”. Em entrevista, confessaram que Har Nevo deve muito a essa experiência.

Morphine – The Saddest Song
Se o motor de busca não me atraiçoa, os Morphine só foram mencionados uma vez aqui na Músicas da Semana. Eu sou novo aqui, por isso tenho desculpa, mas os meus colegas deviam ficar um mês sem sobremesa.

Emma Ruth Rundle – Run Forever
Como sou um triste que aos 26 anos ainda vive com os papás fiquei encarregue de regar o jardim na ausência dos meus progenitores. É algo que me dá um certo gozo e quando dou por mim já reguei, varri, arranquei ervas e ainda fiz umas engenhocas manhosas para salvar as plantas tombadas – e assim voam duas ou três horas. Ao que parece a jardinagem tem propriedades terapêuticas e ajuda a melhorar o meu humor. Nas minhas sessões de jardinagem tenho ouvido Emma Ruth Rundle, tanto a solo como nos Marriages.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

City and Colour

City and Colour – Woman
O primeiro avanço do próximo disco de City and Colour chama-se Woman e é simplesmente maravilhoso. E se não esperavam uma música de nove minutos e qualquer coisa vinda de Dallas Green, tal como eu não esperava, e que muito menos fosse a primeira amostra do álbum, surpreendam-se e deixem-se levar. Completamente rendido e ansioso para ouvir o que este senhor andou a preparar.

Titus Andronicus – No Future Part IV: No Future Triumphant
A epopeia musical que é o novo disco de Titus Andronicus chegou cá esta semana e, ainda que não tenha conseguido ouvir tudo (ui, rock ópera dividida em cinco actos), parece nunca haver um momento aborrecido com Patrick Stickles.

Violent Soho – Covered in Chrome
Gosto bastante do Hungry Ghost, de Violent Soho, no entanto, podendo apenas ouvir uma música, seja porque motivo for, é sempre a esta que retorno.

Drenge – Running Wild
Só esta semana ouvi Undertow, o novo álbum dos Drenge, mas assim que o fiz apeteceu-me correr loucamente com eles. Bem, talvez não correr, e talvez nem loucamente, mas é até agora a minha música preferida do disco.

Prawn – Scud Running
Uma escolha de última hora, mas merecida. Os Prawn têm-me servido de banda sonora no último par de dias enquanto trabalhava.

Escolhas de Cláudia Andrade:

mirroring

Mirroring – Mirror of Our Sleep
Mirroring e as suas melodias sonhadoras têm-me embalado nas últimas semanas. Para quem não conhece este projecto de Liz Harris (Grouper) e Jesy Fortino (Tiny Vipers), façam um favor a vocês mesmos.

Julianna Barwick – One Half
Quem também me tem acompanhado e embalado durante esta semana tem sido Julianna Barwick. Semana de música minimalista e inspiradora, chamar-lhe-ia semana “Vidro Azul”.

Rachel’s – Family Portrait
Chegou-me esta semana, pelas mãos de um amigo, este projecto do qual gostei muito, especialmente por estar inserido na onda ambiental/minimalista/sonhadora com que estive durante toda a semana.

Circuit des Yeux – Lithonia
Mais um projecto que desconhecia e que o Lastfm teve a bondade de me dar a conhecer. Um toque meditativo com um cheirinho de esquizofrenia vocal.

Laurel Halo – Impulse
Para terminar a semana em beleza, porque não adicionar um pouco de electrónica à onda minimalista, ambiental e sonhadora? É com Laurel Halo que isso acontece.

Escolhas de João Neves:

Simian Mobile Disco

Simian Mobile Disco – I Believe
Cedo vão perceber que os sintetizadores rodaram muito aqui por estes dias. Os Simian Disco Mobile são o exemplo menos conhecido, mas na mesma grandes exemplares dos “sons do futuro” – expressão retirada de um excelente testemunho da próxima musica.

Daft Punk – Giorgio by Moroder
E a próxima é… novamente os Daft Punk. Sim, ainda nos resquícios da semana anterior o último álbum veio dar a esta e, peço-vos um favor, não se limitem pelas músicas que são literalnente dissecadas na rádio e na tv! Para além de um testemunho inspirador de Giorgio Moroder, é de todo uma música fantástica, a roçar vários estilos, com bastantes dinâmicas e uma sonoridade excepcional.

Deadmau5 – Careless
Mais electrónica. Não foi o álbum onde esta música está que ouvi esta semana, mas acho que é uma excelente introdução para quem é mais receptivo ao trabalho e ao som deste senhor. É bem bonita.

A Perfect Circle – The Hollow
Aparentemente mais rockeira mas também tem o seu “quê” de electrónica, principalmente em certas partes das guitarras.

Marmozets – Is it horrible
De certo que é. Depois de há umas semanas ter relatado que vi uma paisagem que fez parte da minha vida a arder, desta vez, para além de fazer parte da minha vida, era somente a primeira coisa que vi ao abrir o estore durante toda a minha vida. Foi de todo horrível e meteu muito medo!

Escolhas de Diogo Soares Silva:

John Prine

John Prine – Hello In There
Recordar um clássico absoluto de um verdadeiro songwriters’ songwriter, que deveria estar no topo (em termos de popularidade, claro) ao lado de Bob Dylan, Neil Young ou Townes Van Zandt. Até Roger Waters é fã e tocou esta no Newport Folk Festival na passada sexta. Um dos melhores escritores de canções ainda em actividade e que, claro, nunca passou nem vai passar por cá.

Vetiver – Last Hurrah
Complete Strangers é mais um disco de Vetiver para descobrir aos bocados. Termina com uma das melhores canções de Cabic em alguns anos.

Son Little – Cross My Heart
Não sei como só cheguei a Son Little esta semana. Imprescindível para quem gostou dos discos de estreia de Leon Bridges e Curtis Harding – e de soul sem grandes tiques de modernidade em geral.

Ashley Monroe – The Blade
O regresso em grande de um dos patinhos feios de Nashville. A máquina trituradora da (ainda) decadente capital da country quase destruiu a carreira de Ashley Monroe, que ressurgiu em força com Like a Rose e agora consolida a sua posição como uma das mais entusiasmantes artistas da década dentro do género.

Wilco – Magnetize
Como é que podia não colocar uma canção da melhor banda do mundo na semana em que lançam um disco novo de surpresa?

Escolhas de André Ribeiro:

Sway

Sway – Fall
Uma noite constelada no início da semana foi o suficiente para me lembrar deste tema espacial dos Sway e ouvi-lo até à exaustão (ou até que as lágrimas melancólicas drenassem do organismo).

Have a Nice Life – Bloodhail
Raros são os dias em que não a oiço. A apatia sobre a violência do comportamento humano e o seu carácter destrutivo. Dona e senhora de texturas sonoras de um outro universo, a letra desta música é de uma brutalidade (honesta) tal que deveria arrepiar-me o interior da pele a cada audição. E arrepia, de facto. Mas como é bela a tragédia.

Laura – I Hope
Já não ouvia este maravilhoso tema dos Laura há algum tempo. Esta semana, ao vasculhar por entre álbuns contemporâneos de shoegaze, parei no extraordinário ‘Radio Swan is Down’, de 2006. O álbum deve ter tocado meia dúzia de vezes. A ‘I Hope’ está a tocar até agora.

Catherine Wheel – Black Metallic
Esta semana revi, num manifesto acto masoquista, a “sequela” do filme de culto Donnie Darko, o S. Darko. Até hoje não sei o que me deu para voltar a ver aquele que é o maior insulto à obra-prima de Richard Kelly – é possível que estivesse a alucinar tanto quanto as personagens do filme –, mas, no meio da mediocridade, há a banda sonora. E no meio da banda sonora, há a icónica ‘Black Metallic’. Venham de lá os coelhos gigantes.

There Will Be Fireworks – Harmonium Song
Outra das habitués. Lembro-me de ouvi-la no ano em que foi lançada. Desde então, se estive algumas dezenas de dias sem pô-la a tocar, já foi muito. Tem uma melodia e uma letra simples, mas, atendendo ao seu significado, há uma certa beleza nisso. E talvez seja isso que a torna em algo muito maior do que aquilo que poderá (originalmente) ser. Não julgar uma música pela sua aparência.

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