Meridian Brothers no MusicBox (27/07/2015)

Meridian Brothers no MusicBox (27/07/2015)

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Fotos por Inês Cunha

Noite de Verão, mas pouco quente e com rajadas de vento em todos os sentidos capazes de deitar qualquer árvore ao chão. Era o ambiente fora do MusicBox. Já dentro da sala, a aura era quente com a actuação da banda colombiana Meridian Brothers. Só faltaram as palmeiras e os mojitos.

Criado por Eblis Álvarez, e ao qual se juntam César Quevedo no baixo, Damián Ponce na bateria, María Angélica Valencia no saxofone/sintetizadores e Alejandro Forero no teclado, este projecto experimental funde o rock da América Latina com as características sonoras da sua cidade natal, Bogotá. E aqui falamos de um rock aprimorado pela salsa e pelos ritmos tropicais, aquele de fazer abanar a anca.

Pouco a pouco o recinto encheu-se de almas dançantes e inebriadas pelo chamamento dos encantadores de corpos. A banda, que actuara no dia anterior no festival Milhões de Festa, começa por tocar “Jefe Indio Vengará”, do álbum Salvadora Robot, o mais recente registo, editado no ano passado e mote fulcral para o concerto. A faixa começa por nos conduzir para uma viagem espacial – a música dos Meridian Brothers incorpora também o psicadélico – e parece que aterramos numa América Latina do futuro.

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Seguem-se “Salsa Caliente” e “Guaracha UFO”, ambas canções do álbum Desperanza. Se “Salsa Caliente” é um tema mais declarado e óbvio de pura sonoridade latina, também é óptimo descobrir em “Guaracha UFO”, o som misterioso e arrepiante da emblemática série Ficheiros Secretos transformado num frenético baile de salsa, em que o teclado e os sintetizadores são reis. Neste caso fomos capturados para dentro de um ovni que comporta toda uma festa tropical.

Voltando ao disco mais novinho, embarcamos em “Doctor Trompeta”, um tema que mistura na perfeição o ritmo da salsa e a toada de rock psicadélico à la anos 70, passando depois para “Soy el Pinchadiscos del Amor”. Se já estava quase toda a gente a abanar-se de qualquer maneira, aqui então é evidente que está toda. Só nos faltam as maracas.

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Há ainda tempo para “El Gran Pajaro de los Andes”, em que o instrumental brilha por si só, a algo melancólica “Desperanza”, tema que empresta nome ao álbum de 2012 e “Niebla Morada”, uma versão de “Purple Haze” de Jimi Hendrix com uma roupagem totalmente diferente e com a presença da voz caliente de María. Eblis diz-nos que a banda está em tour há cerca de mês e meio, mas nem por isso o cansaço vem à tona. Banda e público estão envoltos por uma energia sincronizada. A banda agradece ao público e o público responde na mesma moeda.

“La Tristeza – Invitando a Salvadora” uma canção que até meio se vai levando de forma mais calma até aumentar gradualmente a batida e despoletando num clímax sonoro em que todos os instrumentos explodem. Para último fica “Salsa del Zombie” que fecha o certame e é capaz de pôr qualquer pessoa mais moribunda a incorporar um chachachá alternativo. Um bom serão de salsa psicadélica onde a dança se revelou um bom exorcismo.

Faço uns rabiscos aos quais gosto de chamar ilustrações. Escrevo e tiro umas fotografias. Modelo ocasional. Designer.

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