Músicas da Semana #156

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Alabama Shakes

Alabama Shakes – Gimme All Your Love
Parece que agora o Spotify elabora umas playlists semanais para cada utilizador, com sugestões baseadas naquilo que ouvimos nesse serviço de streaming. Os Alabama Shakes não são propriamente uma descoberta, mas serviu para me relembrar que têm um disco novo que ainda não tinha ouvido. E que disco, é só isso que tenho a dizer. Façam um favor a vós próprios, a sério.

Mouse On The Keys – Aom
Estes sim, são uma das boas bandas que essa playlist me deu a conhecer. As músicas do trio japonês, que se faz valer de bateria e teclados/piano numa fusão algures entre o jazz e o rock, surpreenderam-me bastante, com especial destaque para esta Aom.

Ryan Adams – Kim
Não é um tipo a quem costume dar muita atenção, no entanto, não sei muito bem porquê. A Kim foi mais uma das sugestões que me calhou no Spotify e que pegou. Além disso, sempre que me lembro da existência do Ryan Adams, lembro-me do concerto que vi dele na Aula Magna e do aviso hilariante e espectacular que foi distribuído sobre filmagens e/ou fotos efectuadas durante o concerto.

City and Colour – Wasted Love
Esta semana foi disponibilizado para audição o primeiro single oficial do próximo álbum de City and Colour, que só sai em Outubro (felizmente cada dia que passa é menos um dia de espera). Confesso que não adorei Wasted Love às primeiras audições mas, enquanto pensava nisso, apercebi-me que estava a ouvir a música em loop há uma boa meia hora e que nesse tempo o meu gosto por ela acabou por ir crescendo. Pode não ser das melhores músicas que Dallas Green já fez, mas como single, funciona na perfeição.

Pianos Become The Teeth – Ripple Water Shine
O Keep You foi o meu disco favorito do ano passado e rapidamente tornou-se também um dos meus discos preferidos, de uma maneira geral. Nesta semana este tema ganha algum destaque porque os Pianos Become The Teeth decidiram dar-lhe um excelente vídeo (não aconselhável para quem tenha um coração e/ou lágrima fácil).

Escolhas de André Ribeiro:
©Cláudia Andrade

©Cláudia Andrade

Emma Ruth Rundle – Haunted Houses
Depois do recente cancelamento da sua actuação no Amplifest, revisitei o magnífico Some Heavy Ocean do ano passado, talvez à procura de um certo conforto na triste doçura da sua voz e na atmosfera etérea e assombrosa da sua música. Andei nisto durante dias. E chorei. Chorei muito… Porque me magoas tão bem, Emma?

Inspirative – อุโมงค์เวลา
Apesar de Mysteriously Awake ter sido apresentado (ao vivo) no início do mês de Julho, só nesta última semana é que o conjunto tailandês disponibilizou o seu novo trabalho no Bandcamp. E, tal como previa, foi lá que eu passei muito dos meus últimos dias. A genialidade voltou a confirmar a sua absoluta falta de limites, e os Inspirative lançaram um álbum que é só um dos melhores do ano. Só.

Slowdive – When the Sun Hits
Quando estamos a pouco menos de duas semanas de recebermos estes vultos do shoegaze, nada melhor do que passar horas a fio a ouvir o icónico Souvlaki (como se fosse preciso uma desculpa para ouvir tamanha obra-prima…) e viajar para onde quer que os Slowdive nos mandem.

City and Colour – Day Old Hate
Há duas semanas, estava Dallas Green a anunciar o lançamento do novo trabalho do seu projecto a solo. Enquanto dia 9 de Outubro não chega (e o novo single, Wasted Love, ainda não cai no goto), vai-se ouvindo alguns dos seus clássicos – a brincar a brincar, já passaram 10 anos desde o Sometimes… –, e se há clássico de City and Colour é esse monumento acústico chamado Day Old Hate. Uma música que poderia durar horas, dias, a ser cantada e tocada, que eu não perderia um único verso ou simples acorde sequer.

Mazzy Star – Fade Into You
Este tema intemporal dos Mazzy Star, cantado pela angelical Hope Sandoval, não transpira nostalgia e melancolia por todos os seus poros. Não me arreganha as tripas e as almas a cada “strange you never knew”, nem nada. É uma canção com pouco ou nenhum significado, que tão-pouco dá para sentir uma tristeza desoladora pelos momentos em que algo nos escapou da vida e, simultaneamente, uma felicidade infinda por estarmos vivos para experimentar essa sensação de perda. Concluindo: música vulgaríssima, desenxabida, quase que para o fraquinho. Nem sei porque a oiço todos os dias…

Escolhas de Cláudia Andrade:

Kavinsky

Kavinsky – Nightcall
Há dois anos que ouço o “If You Wait” de London Grammar sem saber que a Nightcall é afinal uma cover espectacular de um original de Kavinsky, que não podia faltar nestas músicas da semana.

The Knife – Wrap Your Arms Around Me
E o “Shaking The Habitual” que já não rodava há uns bons tempos voltou esta semana e voltei a dar-me conta do quão maravilhosa é esta “Wrap Your Arms Around Me”.

Bjork – All Is Full Of Love
O intemporal “Homogenic” foi tema de conversa desta semana e escusado será dizer que era impossivel falar-se nele sem depois o voltar a ouvir.

EST – Bound For the Beauty of the South
Tenho saudades de viagens na A8 ao final da tarde com o pôr do sol a cair sobre os parques eólicos ao som desta Bound For the Beauty of the South.

Incubus – Pardon Me
Quando jantares se transformam em noites de nu metal e a adolescência passa-nos à frente dos olhos.

Escolhas de Ricardo Almeida:

Niechęć

Niechęć– Taksowkarz
Esta semana deu-me para ouvir jazz, ou pelo menos projectos que fundem uma forte componente jazz com outros estilos. Comecemos pelos polacos Niechęć, uma banda que pega no post-bop (pelo menos é o que lhe chamam nas internets) e o leva num tresloucado e fumarento circo surrealista.

The Contemporary Noise Sextet – Unaffected Thought Flow (Part 1)
Polónia outra vez. Nasceram como quarteto, mais tarde tornaram-se num quinteto e, por fim, ainda resolveram adicionar mais um membro à sua formação. Alternam entre o ímpeto da chinfrineira desgovernada do free jazz e um registo mais suave e, às vezes, cinematográfico.

Mouse on the Keys – Forgotten Children
Um piano aguçado e irónico. Uma Bateria dinâmica, cheia de energia. Fossem os Mouse on the Keys uma pessoa, seriam um daqueles raríssimos casos de pessoas que não se calam um segundo, que estão sempre entusiasmadas e, por incrível que pareça, não as achamos irritantes e até simpatizamos com elas. Os Mouse on the Keys, não só têm um nome mesmo engraçado, como não deixam ninguém indiferente perante o seu experimento à base de jazz contemporâneo e post-rock.

The Young Mothers – Wells (the original)
Descobri-os no cartaz do Jazz em Agosto. Infelizmente não me foi possível ir ao concerto. Têm sido uma mui agradável surpresa feita de Jazz, Hip Hop, experimentalismo, improviso, electrónica e muita energia.

The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble – Lobby
E agora os meus preferidos! Inspirados pelos clássicos do cinema mudo, Jason Köhnen e Gideon Kiers começaram por combinar música e manipulação de elementos visuais para criar bandas sonoras para filmes como Nosferatu e Metropolis, trabalho que a pouco e pouco foi dando origem a The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble. Com mais pessoas no projecto, editam entre 2006 e 2011 três discos de estúdio, e um magnífico disco ao vivo, I Forsee the Dark Ahead, If I Stay. TKDJE move-se na penumbra do jazz mais tenso, de uma electrónica prima afastada do breakcore, de música ambiente e experimental. A banda tem ainda um alter-ego, os The Mount Fuji Doomjazz Corporation, que pega apenas no essencial de TKDJE e leva-lo ao extremo em improvisos ao vivo.

Arte-Factos

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