Regresso a Casa (Gui lai)

Regresso a Casa (Gui lai)

Regresso a Casa

O chinês Zhang Yimou é provavelmente hoje em dia o realizador que mais dinheiro movimenta na indústria do cinema chinês. Antes deste Regresso a Casa o realizador já havia trabalhado com Christian Bale em Flowers of War, um dos filmes com maior orçamento da história da China, e já havia apresentado os grandes êxitos Herói e O Segredo dos Punhais Voadores. Daí se justifique a chegada de Regresso a Casa às salas portuguesas, desta vez um melodrama chinês com a ditadura de Mao Tsé Tung como pano de fundo.

Após mais de 20 anos de separação devido às politicas da ditadura de Mao Tsé Tung, um casal volta a reunir-se mas a sua relação não voltará a ser a mesma devido a uma doença. Enquanto melodrama quanto ao género que Regresso a Casa efectivamente é, é natural que existam alguns vícios provenientes desse tipo de filme que por vezes o mancham. Não é difícil encontrar momentos que podem levar um espectador mais susceptível ao choro, e o filme fá-lo conscientemente, provavelmente até pelos motivos comerciais que o obrigam a obter o retorno necessário para ser exibido em salas internacionais como as portuguesas, o que se entende perfeitamente e não deixa de ser normal.

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Na verdade, mesmo que em termos de conteúdo Regresso a Casa seja um filme redundante que trata com o tal melodrama um assunto que todos entendemos e que todos sabemos como irá acabar (de facto, entre produções americanas, argentinas ou espanholas a essência do drama de Regresso a Casa não é de todo original nos últimos anos), existem aqui muitas qualidades. O filme tem uma realização e fotografia de excelente gosto e consegue usar o drama para construir uma atmosfera por demais eficaz, que ainda por cima tem lugar durante a ditadura comunista de Mao Tsé Tung, o que lhe traz um brilho e interesse cultural relevante. Os actores principais Li Gong e Daoming Chen têm uma interpretação que é de facto notável e isso também ajuda para que Regresso a Casa não seja apenas mais um melodrama.

Em última análise compreendem-se as limitações de Regresso a Casa enquanto produto, mas isso afecta directamente as suas qualidades. Não podemos dividir o filme em dois, e a verdade é que apesar de ser um filme evoluído tecnicamente isso não o coíbe de ser redundante enquanto objecto de cinema. É uma boa incursão pelo melodrama com as mãos atadas. Mas se não tivesse as mãos atadas nunca teria chegado às salas portuguesas e provavelmente nunca o teríamos visto. Por outro lado também ninguém garante que Zhang Yimou não tivesse feito o filme desta maneira se tivesse toda a liberdade criativa que quisesse. O filme é como é: um melodrama redundante de qualidade.

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Amante e crítico de cinema. Actualmente escreve no blog de cinema pessoal The Fading Cam em thefadingcam.blogspot.com e, claro, no Arte-Factos.

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