Músicas da Semana #157 (Especial TRC ZigurFest)

Escolhas de António Silva (TRC ZigurFest):

Mandíbulas

Para ser justo, este Músicas da Semana deveria ter dezoito temas – um por cada banda a marcar presença no TRC ZigurFest. Mas porque o melhor é mesmo virem até Lamego para absorver cada nota que ali se vai debitar (e porque o JP Simões vai fazer um concerto só com músicas novas), escolhemos cinco canções obrigatórias para esta semana – uma por cada edição do ZigurFest.

Mandíbulas – Muxi
Os Mandíbulas são uma das bandas mais viciantes a surgir naquilo que será o underground nacional neste último ano. Entretanto transformado em quarteto, os Mandíbulas contam nas suas fileiras com músicos ligados aos excelente Zarabatana e Gume, e um americano que se apaixonou pelo semba. Este ‘Muxi’ – um dos cinco temas disponível para audição no soundcloud da banda -, mesmo sendo uma gravação de um ensaio, deixa bem clara as intenções dela: o balançar perfeito entre o calor da música africana e a liberdade do jazz, com muita vontade de fazer dançar.

Cave Story – Buzzard Feed
E que dizer dos Cave Story? Apareceram fulgurantes há um par de anos com “Demos” e a deliciosa ‘Richman’ e desde então que não pararam de rodar por estes lados. Os concertos deste trio das Caldas da Rainha pautam-se pela entrega, intensidade, mas acima de tudo por uma descarga de electricidade que é encapsulada na perfeição neste ‘Buzzard Feed’.

Sabre – Cascavel Breeze
Não sei se este tema (que abre o brilhante “Morning Worship”) se refere à cidade com o mesmo nome no Brasil, mas a forma refrescante como se desenrola e introduz o resto do EP tem um certo feel tropical que nos prende do primeiro ao último segundo. De resto, são assim os Sabre: tropicais quando têm que o ser, cósmicos a maior parte do tempo, com um sentido aguçado do que é preciso para fazer dançar.

azul-revolto – Syncretism
O azul-revolto é um dos quatro nomes da ZigurArtists a marcar presença nesta edição do TRC ZigurFest. Além dele, Cajado, Mahogany e daily misconceptions também vão jogar em casa para mostrar a sua magia (e destes destaco ‘Dizia que Sentia a Melodia por Telepatia’, ‘to where the lights go’ e ‘It must have been early November, or late December’, respectivamente), mas desta vez tenho mesmo que destacar esta ‘Syncretism’. Melodias açucaradas, vozes voluptuosas e muita imaginação na hora de trabalhar a percussão. Vai ser bom.

HHY & The Macumbas – Gysin
Sopros loucos e percussões endiabradas banhadas num dub pegajoso. São assim os HHY & The Macumbas e é assim esta ‘Gysin’, um exercício hipnótico que reflecte bem aquilo de que é capaz o colectivo liderado por Jonathan Saldanha. Dizer que estamos ansiosos para ver em que estado vai ficar o Teatro Ribeiro Conceição depois deste concerto, é dizer pouco. Apareçam, vai acontecer história.

Escolhas de Cláudia Andrade:
Photo by Express Newspapers/Getty Images)

Photo by Express Newspapers/Getty Images

Sade – No Ordinary Love
A semana passada lembrei-me do concerto de Deftones no Super Bock Super Bock de 2006, enquanto recordava o nu metal e a adolescência e lembrei-me daquele sentimento difícil de explicar quando ouvimos uma música que nos diz tanto, ao vivo, neste caso a “No Ordinary Love”. Esta semana acabei por pegar no Best Of da Sade e voltei a ouvir os clássicos.

Yasmine Hamdan – Hal
Foi também esta semana que recordei o concerto de Yasmine Hamdan no NOS Primavera Sound deste ano. Os concertos são tão mais especiais quando vamos abertos ao efeito surpresa e a Yasmine surpreendeu-me muito naquela tarde. Em Setembro o Festival para Gente Sentada, em Braga, volta a receber a artista e, por isso, se não tiveram oportunidade de a ver, aproveitem para dar lá um salto antes de seguirem para o Amplifest.

Angel Olsen – Forgiven/Forgotten
Quem também vai estar em Portugal em Setembro é a Angel Olsen e já falta menos de um mês. O “Burn Your Fire For No Witness” foi um dos álbuns mais ouvidos esta semana e vai continuar a rodar até dia 8 de Setembro.

Lisa Ekdahl – Open Door
Uma das coisas boas de passeios em família é a banda sonora que passa muitas vezes pela Smooth Fm ou a Marginal e que curiosamente me permite ouvir músicas que adoro, de artistas que muitas vezes me esqueço que existem. É o caso da Lisa Ekdahl, que me trouxe esta “Open Door” a meio da Serra da Arrábida e me fez voltar a pegar no “Heaven, Earth and Beyond” de 2002.

Tony Bennett – Blue Velvet
Quando amigos se casam e pedem aos convidados para escolher uma música dos anos 50/60 que não seja “metaleira” para a sua playlist.

Escolhas de Cláudia Filipe:
©Alicia Canter

©Alicia Canter

Father John Misty – Nancy From Now On
Já estou em Paredes de Coura! E como eu, já chegaram outros milhares, que se amontoam pelos campos. É o que tenho observado da janela da casa onde estou. Só falta chegar o Sol para dar um empurrão a estes dias de férias. Estão prestes a chegar quatro dias de boa música, onde vou poder ver algumas coisas pelas quais anseio. Acho que no topo da lista coloco Father John Misty, que nos vem apresentar I Love You, Honeybear, para muitos um dos discos do ano. Estou curiosa para ver como se porta ao vivo, dizem que é um dos maiores de sempre.

Woods – Moving to the Left
Este é um dos poucos casos aceitáveis de movimentos para a esquerda. Depois de me terem escapado noutro festival no ano passado, desta vez não falho.

Lykke Li – No Rest for the Wicked
Dentro da boa onda de Paredes de Coura, como irá resultar o choque com a melancolia do último trabalho de Lykke Li? Um verdadeiro hino a todas as dores de alma do mundo, I Never Learn é um disco arrasador, escuro, com a dor bem presente. Será que vai intercalar alguns dos fortes temas do seu último trabalho com a ingenuidade das suas canções mais antigas? Aguardemos.

The War On Drugs – In Reverse
O meu álbum preferido do ano passado, um dos meus concertos preferidos dos últimos tempos. Quero muito muito muito ver The War On Drugs.

Supporting – Força Brutal
E porque nem só de Paredes de Coura se fez esta última semana, e porque vir do Algarve no passado domingo a cantar as músicas dos Supporting quase me custaram uma valente amigdalite. Domingo foi uma grande noite.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Ufomammut

Ufomammut – Somnium
Um das bandas mais aguardas do Reverence Valada e criadores de sludge/doom soberbo.

Kamelot – Insomnia
Do novo álbum da banda, Haven, esta faixa prova que a substituição do carismático vocalista Roy Khan não fica aquém da fasquia a que a banda se elevou. Tommy Karevik mostra estar à altura do desafio, tanto com o seu potencial vocal como com a teatralidade que emprega aos temas, veja-se o vídeo referente a “Insonmnia”.

Ghost – Year Zero
Apesar de termos o Meliora aí à porta e por sinal, estar para breve o lançamento de um grande registo, fui rever o anterior trabalho dos Ghost. Uma das minhas preferidas.

Orphaned Land – All Is One
Poderoso e uma mistura da sonoridades incrível.

Epica – Storm the Sorrow
Estive a actualizar-me em relação aos Epica e este tema agradou-me muito.

Escolhas de Vera Brito:

Eaglesofdeathmetal

Eagles of Death Metal – Complexity
Não, não é EDM para azeite… é EODM para Eagles of Death Metal que finalmente marcaram concerto para Portugal! Já andava a seguir-lhes o rasto desde que anunciaram a digressão europeia que vai promover o novo álbum, Zipper Down, e sabia que era apenas uma questão de tempo até termos uma data por cá. O álbum vai ser editado a 2 de outubro e para já temos esta “Complexity”, que ainda sabe a pouco, uma vez que até já lhe conhecíamos uma versão anterior de Jesse “Boots Electric” Hughes. Em dezembro, para além do endiabrado Jesse Hughes, contamos também ver na bateria Josh Homme, “master of sexyness”, e assistir à química em palco de um dos melhores “bromances” do rock.

Tame Impala – New Person, Same Old Mistakes
Esta semana andei também às voltas com o novo álbum Currents dos Tame Impala, na tentativa de escrever umas palavras sobre ele. Feitas as contas, foi esta “New Person, Same Old Mistakes”, que encerra Currents, a faixa que para mim mais se destacou. É uma música que, para além de toda a complexidade de arranjos e produção exímia, nos inspira coragem de viver sonhos “Finally I’m taking flight… going with what I always longed for”.

Chelsea Wolfe – Dragged Out
Outro álbum que tenho ouvido com insistência desde que saiu no início deste mês é Abyss, onde Chelsea Wolfe está mais pesada do que nunca. Esta obscura “Dragged Out” faz-nos descer a abismos interiores que desconhecíamos ter em nós mesmos. Não é um álbum fácil de se ouvir, mas os melhores quase nunca são.

Animal Collective – Street Flash
As músicas dos Animal Collective têm o condão de nos levar ao imaginário da nossa infância e de nos fazer procurar por monstros debaixo da cama, como esta “Street Flash”. Desde o momento em que os descobri em 2009 (e já foi tarde) com um dos meus álbuns preferidos de sempre, Merriweather Post Pavilion, que frequentemente recorro a eles para tirar férias da realidade. Há pouco tempo soubemos que acabaram de gravar álbum novo, com alguma surpresa até, já que Panda Bear tem tido um ano cheio a promover o seu último trabalho, e é com muita expectativa que aguardo novidades!

Petite Noir – Chess
Petite Noir é o projecto do belga Yannick Ilunga, residente na África do Sul e cujas diversas influências culturais ajudam a explicar a sonoridade a que se propõe, que alguns já definiram de noir wave ou afro punk. Esta cativante “Chess” foi a música que me fez chegar até Petite Noir e pertence ao seu último EP. Sabemos agora que dia 11 de setembro estreia o seu primeiro álbum de longa duração e é daqueles artistas que acredito que valerá a pena manter no radar.

Escolhas de Sèrgio Neves:

Natalie Prass

Natalie Prass – Never Over You
Cada música desta cantautora lembra uma mistura entre o ritmo da pop dos anos noventa e a instrumentalização dos filmes da Disney. Como é que essa mescla resulta tão bem? Magia, provavelmente, mas a da voz celestial da norte-americana.

Blood Red Shoes – Je Me Perds
De uma simplicidade enorme, providenciada pelo uso de apenas dois instrumentos, o duo inglês entrega aos seus temas uma boa dose de atitude e de pontas afiadas. Além da Laura-Mary ser absolutamente linda.

Father John Misty – When You’re Smiling And Astride Me
É claro que é choninhas, mas o equilíbrio entre o romantismo e a acidez polvilhada, contados por uma voz primorosa e por letras inebriantes, são um encanto. Claro que o senhor é bom demais de se olhar, mas provavelmente não vale nada na cama.

Woods – Moving To The Left
Esconder um sorriso é uma missão improvável quando soam as guitarras venturosas dos norte-americanos. Não esquecemos um dos mais sólidos e viciantes álbuns do ano passado.

The War on Drugs – Burning
E por falar em grandes álbuns do ano passado, apesar do que possa dizer um qualquer Mark Kozelek desta vida, sabem o que combina mesmo bem com uma atmosfera fresca e uma paisagem de sonho? É pagar finos a repórteres, óbvio.

Escolhas de João Neves:

Gazelle Twin

Gazelle Twin – Anty Body
Já eram para ter entrado nesta minha lista semanal há uma ou duas semanas, mas mais vale tarde que nunca. Um duo electrónico com uma sonoridade extremamente interessante e futurista (mesmo usando instrumentos que apareceram nos anos 70 e desde aí dizem que produzem sons do futuro, será que esse futuro nunca mais chega?).

Pearl Jam – Future Days
Na sexta-feira passada acabei de ver a série “How I Met Your Mother”. Marcou-me pois em diversos aspectos identifiquei-me com a história e em termos de banda sonora também estão presentes grandes músicas com uma grande escala temporal (lembro-me por exemplo de “Modern Love” dos Bloc Party e “Shake it Out” de Florence and The Machine), este belo exemplar dos Pearl Jam e última do seu mais recente álbum marcou o final da história.

Three Trapped Tigers – Reset
Os Three Trapped Tigers voltaram a ouvir-se esta semana. Donos de uma sonoridade fantástica, de instrumentais a roçar o brilhantismo e de uma pujança brutal, com destaque para o baterista. Quem não conhece pesquise que vale a pena, quem conhece pois que reviva!

Incubus – Summer Romance (Anti-Gravity Love Song)
Não sou grande fã de músicas sazonais, para mim as músicas ou são boas ou más, mas esta semana o romance de verão dos Incubus (qual nome de música pimba) veio para a playlist e com ela trouxe um grande groove.

John Butler Trio – Used To Get High
E por falar em groove voltemos ao ano de 2007 e ao álbum Grand National do grande John Butler e apreciemos…

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