Músicas da Semana #159

Escolhas de Miguel De (Tundra Fault):

Shxcxchcxsh

Shxcxchcxsh – Slvrbbl
Pousas a mão no teu joelho. Treme ligeiramente, uma dança incontrolável que não sabes de onde vem. Os teus olhos fixos em nada. A tua boca petrificada. Um não. Um não. Que farás tu? De quem serás tu? E agora? Outro não. Mas não sai nada da tua boca, a tua voz calou-se, o teu corpo morreu. Lá ao fundo as nuvens cobrem o céu como há muito não acontecia. E tu estás para aí, agora andas, por vezes cambaleante. Só tens de ir para onde tens de estar, porque não… porque não pode ser.

Paula Temple – Colonized
A solidão subitamente sussurra-te ao ouvido desejos impenetráveis de dor. Há quem te conforte, estou aqui, vai ficar tudo bem, tens de ser forte, mas que se foda o conforto. Só a escuridão é luz. Só se nada vires te acalmas. Não compreendes mas aconteceu. Não estás aqui, não vai ficar tudo bem, não consigo ser forte.

Untold – Motion The Dance
Olhas para trás, para toda a tua vida. Reparas em todos os buracos negros que povoam a tua limitada existência. Não foste isto, não fizeste aquilo, perdeste todos os minutos que tinhas que não terás mais. A culpa é tua. Se fosses homem, crescias. Se fosses homem, não choravas. Se fosses homem, isto seria justo. Se fosses homem, tudo faria sentido. A culpa é tua porque te acobardaste e o teu peito perdeu-se nos ses.

Braille – Shhhh
Não tens nada para dizer. Se tentares falar, vomitas. Se vomitares, morres. Se morreres, desapareces. Se desapareceres… que interessa.

The Field – No. No…
Fechas a porta atrás de ti. Compreendes que a chuva cai para o chão, que o rio corre para o mar, que a luz do sol desaparece. Vives a tua dor porque é tua, porque te pertence, porque a reclamas. É tua. Acolhe-a. Acarinha-a. Sente-a. Cultiva-a. A dor faz de ti homem, a dor faz de ti vivo, a dor faz de ti capaz. Sim. Sim…

Escolhas de Cláudia Andrade:

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Dhafer Youssef – Les Ondes Orientales
Esta semana voltei a recordar aquele que foi um dos concertos mais bonitos de sempre do Festival Músicas do Mundo em Sines, o concerto do grande Dhafer Youssef que voltará a Portugal em Dezembro para aquele que será novamente um espectáculo mágico. Esta Les Ondes Orientales é para mim das músicas mais bonitas que ouvi nesta vida.

Syndrome – Now and Forever
Com a chegada do dia 20 de Setembro, a vontade de ouvir tudo o que vai fazer parte desse dia é grande, e como tal, Syndrome, projecto a solo de Mathieu Vandekerckhove (Amenra), não é excepção. Esta Now and Forever foram os melhores 28 minutos desta semana.

David Lang – You Will Return
Apaixonei-me pela voz da Shara Worden há já uns anos quando tive a oportunidade de ver My Brightest Diamond sem conhecer, no mágico Teatro São Luiz. A surpresa foi tanta que saí do Teatro em lágrimas com a fabulosa prestação. Esta semana chegou até mim o álbum Death Speaks de David Land, onde a sua voz brilha como só ela sabe.

Jim Black (Alasnoaxis) – M M
Mais uma excelente surpresa que me chegou esta semana. Para fãs da fusão entre o post rock e o jazz este Splay é sem dúvida um excelente trabalho que tem rodado muito nos últimos dias.

Wolf Alice – Giant Peach
Não conhecia e confesso que há muito tempo que não ouvia uma banda de rock alternativo. Esta semana vi o concerto deles no Live KEXP e adorei. Com novo álbum “My Love is Cool”, esta é sem dúvida uma banda para seguir durante as próximas semanas.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

My-Cruel-Goro

My Cruel Goro – Glue Buzz
Vou ter que dizer que há muito tempo que não ouvia uma banda completamente nova e que tenha gostado tanto. É certo que nos chega muita música nova todos os dias às mãos (ou ao e-mail, neste caso), e é por vezes complicado ouvir tudo e conjugar com gostos pessoais. Na minha triagem apanhei os My Cruel Goro e desde que ouvi o EP que lançaram há um par de dias que está em repeat, apesar das suas apenas três músicas. A Glue Buzz é a última delas e é uma boa representação da banda: é rock, é rápido e é viciante.

Baroness – Chlorine & Wine
É sempre uma boa notícia constatar o regresso dos Baroness. Chlorine & Wine é a primeira nova música disponibilizada em três anos e fará parte de Purple, o disco que a banda irá editar em Dezembro. Cá esperaremos por ele.

Noah Gundersen – Show Me the Light
Nesta semana que passou houve também tempo para ouvir o mais recente álbum do Noah Gundersen, que desta vez se fez acompanhar por banda, em vez apenas da guitarra acústica, voz e o ocasional violino aqui e ali. A identidade não se perdeu e esta Show Me the Light é bem bonita.

Titus Andronicus – Ecce Homo
Ainda não entrei no barco da enorme (literalmente) ópera rock que é o novo álbum de Titus Andronicus, mas a confirmação da banda na próxima edição do Vodafone Mexefest foi o suficiente para fazer pegar no Local Business, de 2012. E provavelmente fará com que me estreie igualmente no festival este ano.

Oceansize – Amputee
Todas as semanas são semanas de Oceansize, não há que enganar.

Escolhas de Ricardo Almeida:

Bauhaus

Bauhaus – She’s In Parties
Afinal o facebook não serve só para perder tempo, procrastinar, cuscar a vida da tua ex e organizar jantares com a tua turma do básico. Através de um colega da faculdade ganhei um amigo facebokiano que me tem guiado pelo perigoso mundo do post-punk. Primeiro foram os The Sound, depois os The Chameleons – ambos com álbuns que já constam na lista dos meus favoritos -, agora são os Bauhaus. Fiquei logo vidrado nesta “She’s In Parties” desde a primeira vez que a escutei.

Angel Olsen – Dance Slow Decades
Como tenho a mania que sou especial perco a vontade de ouvir certos projectos quando começo a ver muito hype em torno dos mesmos. Deixo passar um tempinho e depois, se me apetecer, logo lhes pego. Pois peguei em Angel Olsen e gostei.

Sonic Youth – Shoot
Poucas coisas me dão tanto gozo como comprar discos que conheço mal ou não conheço de todo e depois acabar por ficar a adorá-los. Não conheço bem a discografia dos Sonic Youth. Gosto do Rather Ripped e do Daydream Nation. Lá comprei o Goo e o Dirty para os fanboys não ralharem mais comigo.

The Legendary Tigerman – Life Ain’t Enough For You (feat. Asia Argento)
Já andava há muito tempo para explorar o trabalho do homem-tigre como deve de ser. O concerto abriu-me o apetite, e acaba por ser este o disco que mais ouvi nesta semana que passou.

Filho da Mãe – Helena Aquática
Iniciado o estágio para o Amplifest, desta vez com as seis cordas de Filho da Mãe.

Escolhas de João Neves:

Criolo

Criolo – Não existe amor em SP
Uma audição na rádio, talvez na semana anterior a esta, fez renascer a vontade de ouvir o trabalho de Criolo, o que acabou por acontecer esta semana. Uma revisita ao rap, estilo que já há muito não acontecia com tanto afinco, talvez desde a minha fase enquanto teen em que ouvimos muito rap e hip hop (acho que todos passamos por isso). Mas Criolo é muito mais que rimas debitadas, também tem canções e tão boas como esta, é isso que o torna especial. Já agora Criolo, não é só em São Paulo…

Depeche Mode – Fly On The Windscreen
O Black Celebration dos Depeche Mode fez vibrar os cones dos altifalantes por estes lados ao longo desta semana. Escolhi esta simplesmente por ser um excelente exemplo do que a pós-produção pode dar a uma música, quase que brincando com o nosso cérebro.

Muse & The Streets – Who Knows Who
Poucos devem de ser os que têm conhecimento desta música, mesmo entre os auto-intitulados mega fãs de Muse, lá está um dos piores lados das “modas”. Deve ter sido uma espécie de ressaca dos RATM da semana passada, uma vez que é a prova viva da influência e do gosto que os Muse têm neles.

The Brittany Haas and Dan Trueman Band – Mugwump
Sou fã já há muito de um trabalho que o Dan Trueman faz parte que tem a ver com música, mas não é propriamente tocada, é sim uma ferramenta para a fazer e inovar. Qual bola de neve, há uns tempos descobri este projecto do qual ele faz parte e tive curiosidade de ouvir, o que finalmente aconteceu esta semana. É impressionante como alguém que está ligado a uma vertente tão inovadora da música consiga pegar em instrumentos bem mais tradicionais e continuar a fazer coisas tão boas.

Blonde Redhead – Astro Boy
Mais um exemplo de algo com audição pendente há algum tempo e pelos vistos algo bom que se andava a perder. Uns toques de grunge, pulvilhados com Sonic Youth, mais um quê de espacialidade resulta nos loiros com a cabeça vermelha, confusos?

Escolhas de Cláudia Filipe:

#85 Disclosure

Disclosure – Willing & Able (ft. Kwabs)
O novo single para o álbum de Disclosure é espectacular. Já me tinha feito levantar as orelhas no NOS Alive (ainda por cima trouxeram o Kwabs para o cantar ao vivo), mas esta semana tem-me feito companhia. O ritmo quente e a envolvência da voz do cantor conferem-lhe um toque especial. Banda sonora perfeita para o Verão.

R.E.M. – Nightswimming
Uma das canções mais bonitas de sempre, digam o que disserem. Assim como o Automatic For the People é um álbum que ficará para a história, todo ele. Quem me dera saber tocar piano.

Jamiroquai – Virtual Insanity
Banda sonora do regresso de Paredes de Coura, ou como arranjar temas para cantar bem alto e afugentar o sono e o cansaço.

Angel Olsen – Windows
Porque para a semana há Angel Olsen em dose tripla: Guimarães (Vila Flor) e Lisboa (Trienal de Arquitectura) com banda e um concerto muito especial na Galeria Zé dos Bois em formato acústico. Para os grandes fãs, podendo, é ir aos três.

Cream – Sunshine of Your Love
Quando passas demasiados anos durante a tua fase de crescimento a ouvir grandes clássicos em loop e basta apenas a primeira nota de uma música para saberes imediatamente qual é.

Arte-Factos

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