Músicas da Semana #160 (Especial Amplifest)

Escolhas da equipa Amplificasom:

Converge

Converge – Last Light (André Mendes)
O Amplifest é feito de sonhos, os nossos e os de todos os que, ano após ano, se juntam a nós. Os Converge eram um deles, um bem antigo. Vai acontecer, finalmente. Gosto muito do You Fail Me, talvez o meu disco preferido deles. E, tal como o Jacob Bannon berra no fim desta grande malha, a quinta edição do Ampli é também para os corações que ainda batem. Até lá!

William Basinki – Cascade (Angelo Carvalho)
É muito por momentos como este que acreditamos que o Amplifest é uma experiência sem igual: logo após o assalto de black metal vanguardista que assinalará um dos últimos concertos de sempre dos Altar of Plagues e antes da aguardadíssima estreia no Porto da entropia matematizada dos Converge, William Basinki inundará a Sala 2 do Hard Club com os líquidos e luminosos loops de Cascade, o seu mais recente trabalho. Basinski é um dos mais importantes pilares da música exploratória actual e, além de um concerto que se prevê mágico, será uma honra enorme tê-lo entre nós, neste que é o nosso fim de semana preferido de todo o ano.

Nate Hall – A Great River (Mónica Ovaia)
O álbum A Great River foi gravado “in a single March evening”, o que já de si é especial… A música de Nate Hall é carregada de alma, de significado. Não admira que o próprio Scott Kelly a tenha elogiado. As letras são sentidas, puras e honestas. A Great River é uma viagem… Uma viagem de barco, num local longínquo, onde as águas refletem o passado e a corrente nos leva em busca da esperança no futuro. Será que esta viagem terá fim?​

Converge – Wretched World (Jorge Bastos)
“Own my damage, own my scars”.Um espelho do mundo. Um influxo de sentimentos. Uma agressividade contida, numa expressão poética tangível. Os Converge atiram-nos com a alma e esmagam-nos a cada reinvenção, dia 19 comungaremos em mais uma noite irrepetível no Amplifest.

METZ – Get Off (João Pereira)
“Get Off” dos Metz relembra a sonoridade crua e enraivecida de Seattle nos anos 90, fazendo todo o sentido a sua inclusão no catálogo de uma editora como a SubPop e no cartaz do Amplifest, cuja imagem e conceito, nesta edição de 2015, se adequam como uma luva para a performance explosiva dos canadianos Metz.

Escolhas de Cláudia Andrade:
©Mike Terry

©Mike Terry

Max Richter – Path 5 (delta)
A nossa vida é feita de experiências únicas e se há coisa que gosto de fazer é procurá-las em todos os cantos. Esta semana o Max Richter ofereceu-nos uma que guardarei com carinho. Para quem não sabe, foi lançado no dia 4 de Setembro o álbum Sleep, um álbum de 8h feito para ouvir enquanto sonhamos. A ideia por si só desperta curiosidade, mas o mais curioso é sentir as reações do nosso corpo a uma experiência única como esta e foi isso que o Max Richter quis que partilhássemos depois de um streaming completo do álbum na noite de 3 para 4 de Setembro. Lembro-me do início do disco com a “Dream 3 (in the midst of my life)”, instrumental calmo e relaxante, piano e violoncelo que dá lugar depois a esta Path 5 (delta) com vozes que nos transportam para um outro lugar. Se até então não estávamos a sonhar, essas vozes certamente nos levarão a esse sonho. Aconselho esta obra de arte a todos os curiosos.

Catherine Ribeiro + Alpes — Ame Debout
Encontrei por acaso dois podcast de 2013 de um programa da Rádio NFM chamado “O Arranca Corações” com uma entrevista aos mentores da Amplificasom e uma playlist escolhida pelos mesmos para uma edição deste programa. Depois de ouvir esta playlist acabei por, como já seria de esperar, ter mais bandas novas para descobrir. Uma dessas novas descobertas foi Catherine Ribeiro e esta “Ame Debout”. Se nunca ouviram, aconselho-vos e procurem também o podcast que vale a pena ouvir.

Zero 7 – Destiny
Às vezes sinto que o mundo quer partilhar uma mensagem comigo e procura todos os meios possíveis e imaginários para o fazer. Desta vez o mundo decidiu partilhar uma mensagem através de uma música que já não ouvia há algum tempo e que esta semana ouvi em dois sítios públicos diferentes em dias diferentes. Quero que ele saiba que o estou a ouvir.

Bernardo Sassetti – Da Noite – Ao Silêncio
Há músicos que Portugal não pode deixar esquecer.

Mamiffer – Mercy
Quando coisas bonitas nos chegam pelo pelo correio e dá vontade de voltar a pegar no Statu Nascendi de Mamiffer, em especial nesta maravilhosa Mercy.

Escolhas de Vera Brito:
©Andrew Whitton

©Andrew Whitton

Villagers – Hot Scary Summer
Foi uma das novas confirmações desta semana para a edição deste ano do Vodafone Mexefest e eu devo ter previsto o futuro porque comecei a minha semana a ouvir intensamente a discografia de Villagers. Os irlandeses estreiam-se em novembro no nosso país e esta “Hot Scary Summer” pertence ao seu último trabalho, o intimista Darling Arithmetic, gravado solitariamente por Conor O’Brien num registo lo-fi delicadamente belo.

Deafheaven – Brought to the Water
Foi uma semana de contrastes e os pesados Deafheaven estarão seguramente bem afastados de Villagers, e então? Esta nova “Brought to the Water” representa exactamente esse contraste e tem tanto de belo na sua melodia apoteótica como de bestial nos vocais sufocantes de George Clarke.

Foals – What Went Down
Os Foals editaram esta semana álbum novo que também se ouviu por aqui. Muita da música que oiço é enquanto trabalho (felizmente tenho essa sorte) e quando coloco um álbum a rodar que chega ao fim sem que nada me tenha feito arrebitar as orelhas é mau sinal. Os Foals são aquela banda que acredito que não atingem o seu completo potencial, são capazes de malhas poderosas como esta “What Went Down” ou “Inhaler”, do seu anterior Holy Fire, que depois se diluem nos seus discos som de pastel.

Linda Martini – Cem Metros Sereia
Mais um concerto de Linda Martini para este ano, desta vez em Faro no Festival F, já com a Cláudia de regresso ao baixo. Ao vivo nunca desiludem, por vezes quem desilude é o público cuja entrega parece ficar aquém da catarse que a música dos Linda Martini nos provoca. O concerto acabou com “Cem Metros Sereia” onde uns se retraem pudicamente de acompanhar a letra enquanto outros aproveitam para exorcizar fantasmas do passado e acabam o concerto de voz rouca.

Foge Foge Bandido – Canção da Canção Triste
O Manel Cruz é um poeta e dos meus letristas preferidos e passou também pelo Festival F de Faro com os temporários Estação de Serviço. Ouvimos coisas novas, recuperámos umas mais antigas como esta “Canção da Canção Triste” e saímos de lá mais uma vez convencidos de que não há ninguém a escrever na nossa língua que se lhe compare.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Holy Holy

Holy Holy – You Cannot Call For Love Like A Dog
Como já disse aqui em semanas anteriores, tenho dado alguma atenção à playlist semanal que o Spotify fornece aos seus utilizadores, baseado naquilo que ouvem na plataforma de streaming, e a verdade é que tenho vindo a descobrir alguma boa música. Os Holy Holy são o caso desta semana e o seu mais recente disco tem rodado com alguma frequência. A You Cannot Call For Love Like A Dog foi a música que me deu a conhecer a banda e é um bom ponto de partida para o trabalho destes senhores.

This Penguin Can Fly – Sesame Street
Por motivos, conheci recentemente os This Penguin Can Fly, ouvi o EP no bandcamp uma vez e encomendei o disco. Chegou esta semana, ainda não saiu do plástico, mas a versão digital também ainda não saiu do meu leitor de música desde que fiz a encomenda.

Maybeshewill – Not For Want Of Trying
Uma de duas recordações que saquei do baú do tempo esta semana. A Not For Want Of Trying dá nome ao disco que os Maybeshewill editaram em 2008 e estava esquecida, tal como o próprio álbum, há demasiado tempo. My bad.

Don Caballero – Railroad Cancellation
A outra recordação vai para o math/post-rock dos norte-americanos Don Caballero. Já há muito tempo que não os ouvia e esta música calhou na tal playlist do Spotify.

Terrorista (ft. Outter Rooms) – People Float
Os canadianos Terrorista lançaram recentemente uma cassete em conjunto com os Outter Rooms, e a People Float é uma das duas músicas que a compõem. E neste caso em conjunto é mesmo literalmente, com ambas as bandas a fundirem-se numa só, juntando o post-hardcore de uma ao punk lo-fi da outra.

Escolhas de João Neves:
©CarlosMSilva

©CarlosMSilva

Conjunto!Evite – Fabiana
Ontem assisti ao último concerto durante algum tempo dos Conjunto!Evite como os conhecemos. Efeitos colaterais de vivermos num país onde é tão difícil, infelizmente, viver da criação musical.

The Jimi Hendrix Experience – The Wind Cries Mary
O primeiro álbum deste grande senhor andou a rodar nestes dias.

Pantha Du Prince – Suzan
Depois de rockalhada suja com a mestria de alguém sem qualquer tipo de preconceitos em relação ao seu instrumento dê-mos um saltinho a algo mais virado para a electrónica, mas mantendo-se no mesmo registo quanto a preconceitos. De 2004 chegou o excelente álbum Diamond Daze.

Brahms – Waltz No. 15, OP 39
Variedade chegou mesmo para uma incursão pela minha discoteca de música clássica.

Warpaint – Love is to die
Ainda deu para ouvir o último trabalho destas ladys. E tão bom que ele é.

Escolhas de Ricardo Almeida:

Beach House

Beach House – Master of None
Os Beach House são mais um caso de um projecto que deixei propositadamente que me passasse ao lado durante uns bons tempos. Resolvi pegar neles há umas semanas e tenho gostado muito de ouvir este primeiro álbum.

Kowloon Walled City – Your Best Years
Ao escutar o novo disco dos Kowloon Walled City, pela Neurot Recordings, fiquei com a sensação que se estavam a repetir e tinham acabado por gravar o Container Ships outra vez. Foi preciso insistir bastante para o disco começar a revelar a sua identidade. Acaba por ser um reflexo destes tempos em que uma pessoa tem fácil acesso a tanta música ao mesmo tempo que, muitas vezes, acaba por não se dedicar aos discos como deve de ser. Aquela breve linha de guitarra por volta do segundo minuto desta faixa é um dos argumentos fortes a favor deste disco.

Pagoda – Death to Birth
…mais propriamente a versão que o Michael Pitt toca no filme do Gus Van Sant, Last Days.

Dax Riggs – Truth in the Dark
Já não sabia o que é ter febre há uns valentes quatro ou cinco anos. Andei a semana toda a pensar que ia chegar o sábado e ia pirar-me para longe dos prédios, das pessoas e dos carros, mas não… Era sexta-feira à noite e estava cheio de febre, prestes a passar o fim-de-semana trancado no quarto. E o que é que esta música tem a ver com isto? Nada, mas é o que está a tocar agora.

Godspeed You! Black Emperor – Piss Crowns Are Trebled
A quarta review que escrevi aqui para o Arte-Factos foi a deste Asunder, Sweet and Other Distress. Esta semana o LP veio parar cá a casa.

Arte-Factos

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