Sessão de Encerramento do MOTELx 2015

Sessão de Encerramento do MOTELx 2015

Terminou no passado Domingo, 13 de Setembro, a maior e mais concorrida edição do MOTELx, com praticamente todas as sessões do festival esgotadas, grandes eventos laterais, conferências e organização. Infelizmente, em termos da qualidade dos filmes seleccionados do icónico festival de cinema de terror esteve longe do nível apresentado em anos anteriores. De entre curtas e longas metragens foram exibidos no MOTELx cerca de 90 filmes, mais de metade dos quais longas-metragens, e a verdade é que o cartaz se tem vindo a afastar cada vez mais do género que identifica o festival. Nem só de terror foi feito o MOTELx e é bem provável que mais de metade dos filmes exibidos se aproxime mais do thriller ou da acção do que propriamente do terror.

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Damos o benefício da dúvida para a probabilidade de 2015 não ter sido, até ao momento, um ano particularmente rico dentro do género, uma vez que mesmo afastando-se do terror o MOTELx apresentou no máximo 6 ou 7 bons filmes na sua totalidade, já para não dizer que não exibiu nenhum filme muito bom ou excelente. “Shrew’s Nest”, “Cop Car”, “The Invitation” e The Visit foram os melhores, seguidos de perto por um atordoador Knock Knock, por razões que não se prendem necessariamente com a qualidade do filme mas antes com o seu significado. E como se vê nenhum destes filmes que rechearam o que de melhor passou no festival são exactamente filmes de terror. Faltou inspiração, faltou um Ti West com um “House of the Devil” ou um David Mitchell com um “It Follows” que realmente fizesse a diferença. Foi preciso o MOTELx ir buscar forças ao circuito comercial e aos cinemas NOS para conseguir exibir em antestreia The Visit e Knock Knock e arranjar, desta forma, nomes de facto fortes para o cartaz. Independentemente de tudo isso o espírito de um dos melhores festivais do país esteve sempre presente, com um público animado que aprecia e se diverte com o género e o percebe bem.

staff

A sessão de encerramento soube homenagear tudo o que se passou nesta edição do MOTELx, exibindo vídeos já nostálgicos sobre algo que ainda não terminou e isso é um bom sinal. Os convidados especiais ainda presentes no festival, com destaque para Richard Stanley, tiveram uma despedida com uma grande ovação numa sala Manoel de Oliveira esgotadíssima há vários dias para ver Knock Knock, o filme de encerramento. Mas antes da projecção do novo filme de Eli Roth com Keanu Reeves foi revelada a curta grande vencedora do prémio MOV MOTELx para melhor curta de terror portuguesa.

Miami

Curioso é que a curta vencedora tenha sido “Miami”, que foi provavelmente, e sem ironias, a pior das curtas em competição. Uma espécie de telefilme da SIC dos tempos de “Jaime” e “Zona J”, realizado de forma pretensiosa e também pretensiosamente mal interpretado sobre uma adolescente bonitinha que quer ser famosa e para isso pondera matar uma colega da escola. Infelizmente, esta última frase tem mais elementos de terror que a curta em si, que de entre comédia negra, thriller ou susto não tinha nada que a ligasse ao tema das curtas em competição. Uma espécie de vomitável Spring Breakers, aqui felizmente de apenas 15 minutos, o que faz dele um produto mais suportável do que a longa metragem de Harmony Korine. É verdade que nenhuma das curtas era particularmente brilhante, mas pelo menos “Gasolina” apresentava um mistério e um ambiente bizarro, aliado a boas interpretações e realização. O “Efeito Isaías” era genuinamente claustrofóbico e desconfortável. “Andlit” apresentou uma animação original, trabalhosa e muito criativa. Até “The Last Nazi Hunter 2” brincou positivamente com a comédia negra de terror. Só mesmo de “Miami” nada foi possível extrair e não se venha com justificações bacocas sobre uma profundidade dramática da personagem que pura e simplesmente não existe. Mas enfim, “Miami” ganhou e levou os 5 mil euros.

Prosseguiu-se então para a nova incursão de Keanu Reeves após o estrondoso John Wick. Knock Knock é também um estrondo, mas por outras razões. (ler a crítica aqui)

Amante e crítico de cinema. Actualmente escreve no blog de cinema pessoal The Fading Cam em thefadingcam.blogspot.com e, claro, no Arte-Factos.

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