Festival Para Gente Sentada – 2º dia (19/09/2015)

Festival Para Gente Sentada – 2º dia (19/09/2015)

#29 Mercury Rev

Texto por Alexandre Pinto e Isabel Leirós
Fotos por Elisabete Magalhães

Ao segundo e derradeiro dia desta estreia de Festival Para Gente Sentada em Braga, as ruas do centro histórico encheram-se ainda mais de gente à procura dos concertos gratuitos. Actuaram os Time For T e Peixe, o histórico guitarrista dos Ornatos Violeta, banda seminal da produção nacional. Devido a percalço no caminho Lisboa – Braga, Sun Blossoms actuaram mais tarde do que o previsto, havendo uma substituição de última hora pelas guitarras dos vimaranenses Toulouse, companheiros de editora. Durante esta tarde de música, houve ainda tempo para nos encontrarmos com os Mercury Rev, para uma conversa que podes ler aqui.

Braga não é uma cidade estranha ao amigo Fachada. Já perdemos a conta à quantidade de vezes que nos visitou, e, desta vez, não veio a propósito do lançamento de um novo álbum (como o fez há cerca de um ano); por isso, apresentou um concerto que recuperou canções de vários dos seus vários registos – e já tem mais que uma mão cheia deles. Ao vivo, acompanhado pela fiel guitarra braguesa e sintetizador/sampler, o espectáculo é sempre outro. B Fachada, cantando as suas canções de uma forma menos comedida, chega mesmo a ser tragicómico, como se fosse, em igual medida, Zeca Afonso e Daniel Johnston (elogio!). Mas será igualmente interessante para os que não conhecem a sua personagem e repertório? Fica a questão. Quanto a nós, já estávamos conquistados.

#22 Lydia Ainsworth

Lydia Ainsworth foi a segunda a subir ao grande palco do Theatro Circo, num espectáculo de luz e som. A sua voz doce e bem timbrada, na tradição de Kate Bush, contrasta um pouco com a electrónica sensorial que produz, por vezes um pouco densa e carregada. Alguém comentava em tom de graça a sua aparência: que parecia uma Sailor Moon. Mas, de facto, reconhece-se a sua capacidade para sozinha encher uma sala. Um concerto exemplar que ficará na memória da sala, especialmente pela inesperada cover da “Wicked Game”, um original de Chris Isaak, que quebrou o ritmo apoteótico e etéreo do espectáculo que nos reservou.

Quanto aos Mercury Rev, os verdadeiros cabeças-de-cartaz da noite e do festival inteiro, são, certamente, um caso peculiar. A banda apresentou-se carismática e musicalmente bem capaz, num concerto forte, bem definido, passando pelo seu essencial álbum ‘Deserter’s Songs’, assim como interpretando uma canção de Neil Young (A Man Needs a Maid) e do seu falecido amigo Mark Linkous, mentor do projecto Sparklehorse. É notório o especial carinho que o público nutre por eles, como o demonstram os extasiados aplausos entre músicas, e a banda agradece, sentida. No entanto, o final é mais uma vez anti-climático, como aconteceu, por exemplo, com Bruno Pernadas, quando as luzes se acendem no final da última musica, sinal de que a organização não quer/não prevê encore, embora pareça que os Mercury Rev estavam preparados para isso.

#40 Mercury Rev

Os derradeiros momentos desta edição do Festival Para Gente Sentada estavam reservados para o GNRation. DJ Coco encerrou a noite por volta das 4h da madrugada, mas antes disso a Black Box recebeu os titânicos virtuosos Filho da Mãe e Ricardo Martins. Num registo muito bem estruturado e com vestígios de algum improviso, os lisboetas uniram-se para nos fazer jingar com a sua combinação bateria e guitarra. Para quem não teve a oportunidade de os ver, o Mucho Flow em Guimarães (10 de Outubro) é a próxima paragem.

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