13ª Edição do Doclisboa - o que vem aí

13ª Edição do Doclisboa – o que vem aí

doclisboa2015

A 13ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema abre com Bella e Perduta, de Pietro Marcello e encerra com El Botón de Nacar, de Patricio Guzmán.

A sessão de abertura do Doclisboa realiza-se dia 22 de Outubro, quinta-feira, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest com Bella e Perduta, de Pietro Marcello.

O filme conta a história de Polichinelo, um servo tolo, que é enviado para a Campânia dos nossos dias para satisfazer o último desejo de Tommaso, um pastor humilde: salvar um búfalo jovem, Sarchiapone, do antigo palácio real. O filme embarca numa viagem por uma Itália bela e perdida, numa fusão de neorealismo e fantasia que retrata um país assolado por uma grave crise económica e por uma corrupção endémica.

bellaperduta

Pietro Marcello nasceu em Caserta em 1976, é considerado um dos melhores documentaristas italianos, tendo obtido vários prémios em vários festivais com filmes como Il passaggio della linea e La bocca del lupo.

No mesmo dia, às 19h00 na Cinemateca Portuguesa (Sala Félix Ribeiro) será inaugurada a retrospectiva de Želimir Žilnik, na presença do realizador, com a apresentação de duas das suas curtas-metragens iniciais e de Early Works (Rani Radovi) de 1969, primeira longa-metragem do autor, com a qual venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Este filme é seminal não só para iniciar o percurso pela obra de Žilnik, mas sobretudo para compreender os desafios que a Vaga Negra Jugoslava trouxe ao cinema no seu todo.

De forma alegórica, Early Works conta a história de jovens que participaram nas manifestações de estudantes de Junho de 1968, em Belgrado. Três rapazes e uma rapariga desafiam o quotidiano das rotinas da pequena burguesia. Desejando “mudar o mundo”, inspirados nos escritos de um jovem Karl Marx, viajam pelo campo e pelas fábricas para “acordar as consciências do povo”, para os encorajar a lutar pela emancipação e por uma vida digna.

No dia 22, simultaneamente à abertura do festival, serão iniciadas projecções das secções Riscos, retrospectiva “I don’t throw bombs, I make films” – Terrorismo, Representação, Heartbeat, Foco Grécia, percorrendo todas as salas do festival (Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca, Cinema Ideal, Cinema City Campo Pequeno).

boton nacar

A sessão de encerramento realiza-se dia 31 de Outubro, sábado, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, com El Botón de Nácar, de Patricio Guzmán.

Descrito pelo realizador como a segunda parte de um díptico, a par de Nostalgia de la Luz (2010), o filme explora as temáticas habituais de Guzmán, tais como a memória e o passado histórico do Chile, com particular enfoque nos perseguidos e oprimidos. El Botón de Nácar dá a conhecer a história de seis comunidades do sul do país, a sua cultura e a sua língua, numa investigação histórica que se funde com a memória recente.

Patricio Guzmán nasceu em Santiago do Chile em 1941 e é um dos mais importantes documentaristas da actualidade em actividade. Da sua vasta obra destacam-se La Batalla de Chile (programado em 2013 no Doclisboa), Salvador Allende, e El Caso Pinochet (programado pelo Doclisboa em 2007).

Lúcia Gomes

Tem opinião sobre tudo.
É uma perigosa subversiva.
Não gosta de Woody Allen nem de governos de direita.
Adora frio e chuva.