DOCLisboa 2015, o mundo em Lisboa (Antevisão)

DOCLisboa 2015, o mundo em Lisboa (Antevisão)

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Foi hoje apresentada a programação oficial da 13ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema, que se realiza entre 22 de Outubro e 1 de Novembro.

A direcção do Doclisboa, constituída por Cíntia Gil, Davide Oberto e Tiago Afonso, começou por relembrar as mudanças na estrutura do festival, com o fim da separação das secções de curtas e longas metragens, numa afirmação de um cinema irredutível à classificação de formatos e géneros, e da fusão das Investigações na Competição Internacional, tornando-a assim uma competição maior.

Este ano o festival mostrará 236 filmes de 40 países, somando um total de 43 estreias mundiais, 10 estreias internacionais e 3 estreias europeias. Portugal reúne 46 filmes, 10 dos quais estarão em competição.

Bella e Perduta, de Pietro Marcello, abrirá a competição e El Boton de Nacár, de Patricio Guzmán, em ante-estreia da Midas Filmes, será o filme de encerramento.

Cíntia Gil destacou a programação das secções competitivas, que é uma vez mais marcada por escritas e dispositivos que questionam e subvertem os códigos tradicionais do cinema na sua relação complexa com o real. Salientou tambem a presença em competiçao de varias geraçoes que, apesar de distantes, denotam grandes afinidades nas suas estrategias formais e narrativas, evidenciando escritas muito pessoais e autorais. A Competição Internacional compreende 20 filmes de 17 países, destacando-se 6 estreias mundiais, 4 internacionais e 3 europeias. A Competição Portuguesa recebe 8 filmes, estreias mundiais, e duas primeiras obras.

PIONIRI-FINAL

José Manuel Costa, director da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, apresentou a Retrospectiva Želimir Žilnik, programada por Boris Nelepo, que reune cerca de 50 filmes. Destaque ainda para a Sessão Karpo Godina, com 5 curtas-metragens e uma conversa com Žilnik no final da sessao, no dia 28 de Outubro. A salientar, tambem, a masterclass de Žilnik na FBAUL, a 21 de Outubro, ainda antes do começo oficial do festival. A masterclass e aberta ao publico em geral.

Augusto M. Seabra, consultor de programação e curador dos Riscos, vocacionada para as derivas do real e os seus modos de percepção, apresentou o programa da secção para este ano. Destaca-se o Foco Nicolas Klotz. Salientam-se também as duas estreias mundiais de Before the Beginning, de Boris Lehman, presença habitual do festival, em colaboraçao com Stephen Dwoskin, e Life Goes On, de Albano da Silva Pereira.

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Cintia Gil anunciou a programação da retrospectiva “I don’t throw bombs, I make films” – Terrorismo, Representação, com filmes realizados entre 1967 e 2014. A retrospectiva compreende 28 filmes de 9 países e apresenta o terrorismo nos seus aspectos globais, mas também o seu carácter local e epocal, abrangendo tanto grupos de acção armada de extrema esquerda como de extrema direita.

Programado por Tomás Baltazar, o Foco Grécia segue o interesse pela actualidade, que tem vindo a programar filmes sobre a crise grega desde 2012. Procurando uma perspectiva mais arqueológica e de reconhecimento de um espaço cinematográfico, a Grécia separa-se da secção Cinema de Urgência para este ano ser Foco.

Davide Oberto apresentou a exposição da secção Passagens “Suite Rivolta – o feminismo de Carla Lonzi e a arte da revolta”, com curadoria de Anna Daneri e Giovanna Zapperi, que inaugura dia 15 de Outubro, às 18h30, no Museu da Eletricidade. Anunciou também a secção Heart Beat, destinada a filmes sobre música e artes performativas, que conta com 21 filmes este ano.

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Foram igualmente apresentados os oito projectos admitidos no Laboratório Arché. Na oficina de desenvolvimento, com curadoria de Marta Andreu, foram admitdos Central, de Maria João Soares; No Antigamente, na Vida, de Clara Albinati; No Parto como na Guerra, Luísa Homem; La Visita, Irene M. Borrego. Na oficina de visionamento, Brother, de Andre Marques; Moka, de Irene Bartolome Valenzuela; No Convento dos Caetanos, de Natahalie Mansoux e Miguel Moraes Cabral.

O festival vai estar presente em toda a cidade, da Culturgest ao Cinema City Campo Pequeno, do Cinema São Jorge à Cinemateca Portuguesa e ao Cinema Ideal e ao Museu da Eletricidade, fazendo uma vez mais com que o mundo em Outubro caiba todo em Lisboa.

Lúcia Gomes

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