Queer Lisboa - 19ª Edição (Balanço final)

Queer Lisboa – 19ª Edição (Balanço final)

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No passado dia 26, o Queer Lisboa finalizou mais uma edição, este ano mais direccionada para a amostra competitiva, um facto que influenciou a lacuna de uma   retrospectiva de realizadores.

Esta é uma secção habitual e indispensável nas edições anteriores e que não deveria ser descurada, dada a importância de revisitar obras de cineastas que impuseram a sua marca registada na arte do cinema e na projecção  da sexualidade como ela é: singular, diversa e não normativa.

No entanto, é inegável que a diversidade de perspectivas e de temas projectados ao longo de uma semana foi, no mínimo, prolífera e reveladora que o denominado cinema queer não é somente um um universo isolado e estereotipado , pelo contrário, possui potencial para mais. Talvez para atenuar o vazio de revisitar nomes consagrados, a escolha de  Eisenstein em Guajuato, de Peter Greenway para encerrar o festival, fez todo o sentido. Um biopic que segue a estadia do mítico Serguei Eisenstein no México aquando das filmagens de Que viva México! e que desvenda alguns factos íntimos do realizador, como o breve affair com um jovem mexicano (Jorge Palomino Y Cañeda).

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Além desta exibição, ainda houve o anúncio dos vencedores do certame, sendo  de destacar por exemplo, o Prémio  do Público para melhor Curta- Metragem para a produção portuguesa Chá da Meia-Noite, de Sibila Lind, sobre a temática da transexualidade.

Lilting,de Hong Khaou (Reino Unido),  foi seguramente uma das melhores histórias  que passaram pelo festival,conquistando o Prémio do Público para Melhor Longa – Metragem muito merecidamente,  como também venceu na categoria de Melhor Actriz, graças à primorosa interpretação da veterana Cheng Pei Pei (O Tigre e o Dragão,  de Ang Lee). Um melodrama agridoce e sensível, passado no Reino Unido,  sobre a aproximação de uma mãe  sino- cambojana  e o namorado do filho dela, recentemente falecido. Uma trama delicadamente  minimalista,  que merecia estrear nos circuitos comercias. Nahvel Pérez Biscayart triunfou na categoria de Actor, pelo seu desempenho em Je Suis à Toi, de David Lambert (Bélgica).

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Nova Dubai, de Gustavo Vinagre (Brasil), uma interessante analogia  entre  sexo, espaço geográfico e memória cultural, sagrou-se como a obra vencedora da nova secção competitiva Queer Art.

Na categoria de Curta – Metragem o prémio principal foi para comédia  tailandesa sobre o início da adolescência  That Day Of The Month, de Jirassaya Wongsut. Finalmente, a história protagonizada entre um professor e um aluno e tendo como pano de fundo, uma floresta – cenário de furtivos encontros sexuais, aliado a uma atmosfera próxima do horror/thrillerAmor Eterno, de Marçal Forés (Espanha), foi considerada pelo júri a Melhor Longa – MetragemCall Me Mariana, de Kapcer Kzuback, (Polónia) um interessante tratado sobre a saga de uma mulher de quarenta anos que processou os seus próprios pais para se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo triunfou na categoria Documentário , enquanto o público preferiu o historicamente interessante The Battle of the Sexes,  da dupla James Erskine e Zara Hayes (Reino Unido)

Depois de Lisboa, de 7 a 10 de Outubro, o Festival segue para o Porto (Queer Porto): a maior novidade da organização. Irá decorrer em espaços   de importante relevo cultural da cidade, como o Rivoli, Maus Hábitos, entre outros, com uma programação distinta da sua congénere lisboeta e igualmente composta por secções competitivas e a programação pode ser consultada aqui.

Paulo Lopes

Mentor do projecto de escrita criativa para crianças e jovens “Escrevinhar”, autor do conto “Desdémona” e de alguns devaneios poéticos… e cinéfilo assumido.