Músicas da Semana #168

Escolhas de Vera Brito:

Gil Scott-Heron

Gil Scott-Heron – Me And The Devil
Chovem cães e gatos lá fora, a tempestade perfeita para este dia dos mortos, ou das bruxas, ou Halloween se preferirem. Esta cover do clássico dos blues de 1937 de Robert Johnson, aqui na voz arrepiante de Gil Scott-Heron e com este vídeo tenebroso, é capaz de nos gelar o sangue e de nos fazer escorrer suores frios. Não me consigo lembrar de nenhuma música mais apropriada para este dia.

Dave Matthews Band – Halloween
Dave Matthews nunca escreveu e nunca irá escrever nenhuma outra música como esta Halloween, que permanece isolada e intocável na discografia da banda. Do início ao fim sentimos o seu peito dilacerado de dor, a sua voz rasgada em gritos de angústia e de raiva, numa espécie de pesadelo que nos atormenta o espírito, “Love is hell, love is hell, love is hell”.

Queens Of The Stone Age – Burn The Witch
Ainda a pensar em músicas para este dia das bruxas e claro que esta “Burn The Witch” me vem à cabeça. Já não estamos na Idade Média, mas há ainda quem viva nas trevas da ignorância e do preconceito, e ainda se “queimam” muitas “bruxas” nos dias de hoje.

Panda Bear – Swallow at the Hollow
Mais um presente inesperado de Panda Bear na passada sexta-feira, este mix “Swallow at the Hollow” via Soundcloud. Cerca de 26 minutos de pedaços soltos de músicas que não encontraram voz e sobraram das gravações do seu último álbum Panda Bear Meets the Grim Reaper, para quem preferir um Halloween mais electrónico e psicadélico.

Death From Above 1979 – Right On, Frankenstein!
Ritmo acelerado, bateria e baixo em sintonia, para um Halloween sem tretas, “Right on, Frankenstein, you don’t believe in ghosts! Lightning strikes the body and that is life to most”.

Escolhas de Ricardo Almeida:

PJ Harvey

PJ Harvey – A Place Called Home
A semana começou com PJ Harvey e com ela a vontade de mudar umas coisinhas por estes lados. Esta foi a canção que me fez prestar atenção ao trabalho da artista e é uma das minhas preferidas.

The Black Heart Rebellion – Near To Fire For Bricks
Este disco andou por aqui há pouco tempo e hoje está cá outra vez. Admito que fiquei um bocadinho desiludido aquando das primeiras vezes que o escutei, no entanto, depois de o ouvir bastantes vezes, e como acontece sempre com os grandes discos, cada vez gosto mais dele. “People, when you see the smoke, do not think it is fields they’re burning” trepa assim a lista dos melhores do ano em direcção ao pódio.

Worsen – Collect Their Skulls, Leave Their Bones
Tenho a superstição de que sempre que tento deixar de fumar me acontece alguma coisa menos boa que me deixa nervoso. Pelo menos das últimas duas vezes foi assim. Desde segunda-feira que não fumo; esperemos que as coisas se mantenham dentro da normalidade – ou da anormalidade, neste caso.

Deafheaven – Unrequited
Sexta-feira acordei com a notícia de que os Deafheaven vêem cá outra vez. Vi-os quando se estrearam em solos lusos com os Russian Circles. Perdi-os no Amplifest porque na altura estava a viver em Bristol. Gosto muito da demo, do Roads to Judah e, claro, do Sunbather. Das duas ou três vezes que ouvi New Bermuda o disco não me disse grande coisa. Agora já tenho motivo para o ouvir mais umas vezes e ver se mudo de ideias.

Earth – Old Black
Como alguém disse, “Pior que não amar, é não saber o que fazer com o amor.” Paris, Texas (1984, Wim Wenders) é bem capaz de ser o meu filme preferido. Vi-o apenas duas vezes e em fases bem diferentes da minha vida. Desconfiado que se começa finalmente a encerrar um capítulo por estes lados, ando a pensar em vê-lo uma terceira vez. Porquê os Earth? Porque me fazem lembrar o deserto, a auto-estrada americana, e o tipo que faz milhares de quilómetros para fugir não sabe muito bem do quê – ou então até sabe.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Nick Drake

Nick Drake – Milk & Honey
A tosse chegou com o frio e com a chuva e como não gosto de leite quente com mel andei a semana toda a ouvir Nick Drake com esperança que tenha o mesmo efeito.

Névoa – Alma
Voltei a ouvir a emissão de 5 de Outubro do Vidro Azul e voltei a sorrir ao ouvir a “Alma” naquele que considero o melhor programa de rádio de sempre. Orgulho.

Marika Hackman – Ophelia
O “We Slept At Last” tem rodado durante toda a semana desde que voltei da Islândia e tem sido a minha melhor companhia. Acho que vai ser o novo “July” e “Some Heavy Ocean” dos próximos meses.

Steve Von Til – If I Needed You
Quando decides que já está na altura de finalmente ir ao Roadburn.

Twin Peaks – Fire Walk With Me Theme Song
A noite de Halloween dos últimos anos tem vindo a ser fortemente celebrada com uma soirée temática de fazer inveja. Este ano, nem a banda sonora a rigor faltou e esta maravilhosa “Fire Walk With Me Theme Song” foi o ponto alto da assustadora noite.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Circa Survive

Circa Survive – Wish Resign
10 anos de Juturna. São dez anos de um disco que ignorei quando saiu e que depois de muita resistência, quando o voltei a ouvir, foi crescendo, até se tornar num dos meus favoritos de sempre. A data é assinalada pela banda com a edição de um duplo disco cheio de demos e b-sides e vale sempre a pena ouvir os primórdios do que os Circa Survive eram e perceber o que evoluiram. Da minha parte, cá estarei para os acompanhar sempre que possível.

Pianos Become The Teeth – Lesions
Outro que caminha para ganhar lugar como um dos meus discos preferidos, se é que isso não aconteceu já. Esta semana tenho ouvido o Keep You todos os dias, várias vezes até, e podendo escolher uma, a escolha recai de novo na Lesions.

Bauda – Aurora
Conheci este projecto do guitarrista/vocalista/escritor de canções César Márquez há alguns dias. Na sua apresentação diziam que o senhor se inspirava nas paisagens do seu país (Chile), para compor, e num misto de desconfiança e curiosidade decidi dar-lhe uma oportunidade. Não me arrependi e o Sporelights é um belo álbum, perdido algures entre o progressivo e o psicadélico.

Eagles of Death Metal – Complexity
Apanhei isto na rádio há uns dias e desde então que não me larga.

Bad Books – You’re a Mirror I Cannot Avoid
Parece que é desta que o tempo mais chuvoso e frio se começa a instalar definitivamente. Vou ter que confessar que sou adepto. É também tempo de começar a tirar os álbuns mais choninhas da prateleira e começar a dar-lhes uso.

Escolhas de João Neves:

Radiohead

Radiohead – Morning Mr Magpie
Tenho andado a ouvir muitos estes grandes senhoras estas semanas. Será o meu sub-consciente ansioso por ouvir o novo material em que andam a trabalhar?

Arctic Monkeys – A Certain Romance
Semana de ouvir o que há muito não se ouvia. Não é das mais conhecidas e já é raro aparecer nas setlist dos concertos, mas desde sempre a achei brutal!

Pinn Panelle – Playing With Matches
Conheci estes senhores numa altura em que saltou para a ribalta um estilo musical que apesar de interessante e inovador o considerei com uma margem de progressão pequena visto prender-se a uma estrutura bem característica e fixa (o que se veio a confirmar, por isso é não sou muito fã das definições de estilos musicais). Provam que se não nos fecharmos às convenções e optarmos por pitadas de várias coisas podemos ter resultados pelo menos bem mais interessantes.

Val Normal – Fly the white Flag of War
Muito pouco conhecidos mas merecem a devida atenção, conheci-os há coisa de um ano, ainda sem este álbum e umas quantas mudanças na estrutura da banda, mas foi amor à primeira “(o)vista” e continuo com o segundo trabalho.

Hamilton Beach – Fuck That Noise
Guitarras bem floreadas, sintetizadores e electrónica que baste, grooves a roçar o funk e uns sons bem tilitantes e/ou espaciais volta e meia. É esta a receita de qualidade dos Hamilton Beach, com regresso também às audições semanais.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Stereophonics

Stereophonics – Maybe Tomorrow
Os Stereophonics são daquelas “primeiras bandas” que comecei a descobrir quando o meu conhecimento musical se resumia a Britney Spears e outras que tais. Músicas como “Dakota” ou “Maybe Tomorrow” são algumas que me remetem para momentos da vida muito específicos. É sempre interessante voltar a “descobrir” o prazer que se teve quando se ouviu pela primeira vez.

Starsailor – Alcoholic
Lembro-me de encontrar esta faixa num daqueles cd’s “Now” no início dos anos 2000, que reuniam os maiores hits das rádios. Entre Kylie Minogue ou Backstreet Boys, estava lá esta pérola e nunca mais me esqueci do nome deles e da tristeza que esta faixa me passava enquanto eu do alto dos meus 11 anos a tentava perceber. “Love is Here” é o nome do álbum e um dos melhores do início dos anos 2000.

Adam Lambert – Lucy
O Adam Lambert está por aí, em qualquer rádio mais mainstream que se sintonize. Em qualquer loja de roupa pode ouvir-se qualquer coisa de Adam Lambert. Eventualmente fui ouvir o novo disco. Não odeio o trabalho dele, embora todas as faixas sejam muito similares entre si. No entanto esta “Lucy” ficou no ouvido, até porque mete um Brian May ali pelo meio, interrompendo o momento de música Urban Beach com um solo de guitarra. É inegável o talento de Adam Lambert. No entanto, o disco apenas entretém, não marca.

Cat Power – The Greatest
Em preparação para o concerto que eu tanto aguardava – e que apesar de tudo, renovou o meu amor por Chan Marshall – relembrei uma das minhas canções favoritas de sempre. De sempre mesmo. É a música que me salva nos maus momentos.

Adele – Hello
É inevitável e não sendo a música mais interessante da Adele, é orelhuda e persegue-me desde que foi lançada.

Arte-Factos

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