10.000 Russos no Café Au Lait (04/11/2015)

10.000 Russos no Café Au Lait (04/11/2015)

#24 10 000 Russos

Fotos por Ana Santos

Anteontem fomos até ao Café au Lait, ao concerto de estreia da digressão dos 10.000 Russos que, depois do Porto e Lisboa, partem para outras cidades europeias de países como a França, a Alemanha e o Reino Unido.

Na calma daquele pequeno espaço – que já viu de tudo e milhares de projetos na sua fase prematura – a banda contou com a ajuda d’O Manipulador, o projeto de Manuel Molarinho que tem o selo da ZigurArtists.

O Manipulador é uma força da natureza, contida entre duas cortinas, onde Eduardo Cunha projeta o seu trabalho. Ainda que seja um one-man show, nada o impede de agarrar a atenção do público nem de marcar presença naquela sala escura. A voz aterradora, que se impõe entre a conversa alheia, nada tem a ver com a personalidade do próprio, que acaba o espetáculo com um tímido “foi bom, pessoal”.

Mas uma abertura agressiva tinha de anteceder os 10.000 Russos.

Disseram, uma vez, que tocam para eles e que não prestam muita atenção ao público à volta deles. Isso pode ser, em parte, verdade. Mas não da maneira que pensam.

A introspeção deste grupo – formado por João Pimenta, Pedro Pestana e, agora, André Couto – é cativante. Não nos deixam desviar o olhar nem um segundo, mesmo que o quiséssemos fazer.

Durante a sua performance, com a ajuda das luzes líquidas de Slide Jane – que também ela é fascinante – sentimo-nos presos à energia deste coletivo que, antes d’O Manipulador começar, se encontravam sentados no bar, de sorriso na cara.

A sua presença é monstruosa naquele pequeno espaço e percebemos, finalmente, a origem do nome. Os 10.000 Russos têm a força e a presença de dez mil homens e mal podemos esperar para os ver de novo e o que fazem pelo resto da Europa.

Rita Neves