Músicas da Semana #169

Escolhas de Ana Cláudia Silva (caminhos de ser feliz):

David Fonseca

David Fonseca – Funeral
Sim, o David. Sempre o ouvi, sempre gostei e já fui uma amazing cat. Opiniões à parte, e com este álbum na sua língua materna (meio inesperado para mim), o David consegue inovar em bom português. Bons poemas e boas melodias. Funeral (em segundo plano encontra-se ‘Hoje eu não sou’) é a letra que mais me identifica.

John Maus – Hey Moon
Todos temos luas no nosso interior e elas podem, muito bem, ser fontes de inspiração.

Cícero – A Praia
Há dois anos vi o Cícero ao vivo em Coimbra. Todos os dias sonho com uma casa na praia. Uma música para amar e um disco de amor.

Weyes Blood – In The Beginning
I’m still learning to be free and not so somber. – é ela quem canta, mas eu aprovo.

Les Shelleys – I’m On Fire
Eles são dois – Tom Brosseau e Angela Correa – e em 2010 editaram um disco lindíssimo. Também fizeram, para as internets, uma linda versão acústica desta música do enorme Bruce Springsteen. Tudo isto para vos relembrar que o Tom Brosseau vai estar em Portugal este mês! Por isso, mexam-se e dêem-lhe um abraço.

Escolhas de André Ribeiro:

Ride

Ride – Chrome Waves
O segundo trabalho dos Ride, Going Blank Again, contém, indiscutivelmente, alguns dos melhores momentos da banda britânica, combinando na perfeição os etéreos mundos do shoegaze e do dream pop. Este Chrome Waves é, talvez, o tema do álbum que melhor reflecte esse brilhante feito.

Jakob – Malachite
É costume dizer-se que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Por certo, o mesmo se poderá dizer acerca de uma música. A entrada do dicionário para “obra-prima”, por exemplo, deveria ser-nos apresentada como formato áudio, onde somente ouviríamos a atmosfera hipnótica de Malachite. Largaríamos todas as definições, todas as interpretações, todos os sinónimos, todos os exemplos. Porque não existe uma única palavra ou frase que pudesse descrever o termo “obra-prima” de forma mais eficiente do que este memorável hino dos Jakob.

Deftones – Digital Bath
Quem nunca se perdeu nesta icónica e emocionalmente orgásmica música dos Deftones, que atire a primeira pedra. E se alguma pedra for, de facto, atirada, eu voltarei a pegar nela e farei o meu melhor para acertar na cabeça de quem a atirou. Tudo com a mais pura e compassiva das intenções: pôr algum juízo nela.

Ludovico Einaudi – Time Lapse
As composições do italiano não precisam que ninguém as defenda, pois já há muito que arranjaram um lugar confortável na história da música clássica contemporânea. Mas nem por isso o fascínio e a eterna indagação se desmudam: como é que algo tão (aparentemente) minimalista consegue ter um efeito tão poderoso e uma carga emotiva tão profunda?

Hammock – You Lost the Starlight in Your Eyes
All the nights we tried and tried,/ to find the starlight in your eyes./ All the hours we cried and cried,/ you lost the starlight in your eyes. Juntem a esta letra os ambientes intimamente belos e celestiais de Hammock. Oiçam tudo isto, e ponham um cronómetro a funcionar. Se passarem a marca dos dois minutos sem que tenham sentido um pouco mais de vida a entrar-vos pelos poros da pele, dirijam-se à unidade hospitalar mais próxima e marquem um electrocardiograma urgente. Só para terem a certeza que encontram algo remotamente parecido a um coração dentro do vosso peito.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Rufus Wainwright

Rufus Wainwright – The One You Love
Uma dos meus temas favoritos de Rufus. Um daqueles mistos de alegria e tristeza que uma canção nos pode transmitir.

Depeche Mode – A Question of Time
Muito catchy e um bom mote para ouvir os primórdios de Depeche Mode. Um transporte para as pistas de dança dos anos 80.

Zola Jesus – Taiga
Não a fui ver ao MusicBox, com muita pena minha. Este tema, que dá nome ao mais recente álbum, é uma amostra do quão interessante o pop/goth actual pode ser.

Kurt Vile – I’m an Outlaw
Uma espécie de Lou Reed westernizado.

And So I Watch you From Afar – Wasps
Avalanche de som em formato épico.

Escolhas de João Neves:

Sisyphus

Sisyphus – Dishes In the Sink
Já há muito que não descobria um projecto a rondar as rimas debitadas que me satisfizesse mais do que um “eh… mais do mesmo”. Esta semana fiz uma nova tentativa e o inesperado aconteceu, gostei bastante! Fico satisfeito até porque assim percebo mesmo que não estou a desenvolver nenhuma “embirrância”.

Deep Sea Diver – Why Must A Man Change
Mais uma daquelas bandas que me apareceram em devaneios cibernáuticos e foram parar à lista de projectos a conhecer, que como já devem ter percebido acabam todos por ter o seu tempo. Raramente me decepciono e não foi desta.

Moe’s Implosion – Wave Race
Os Moe’s Implosion são talvez a banda portuguesa que melhor explora as possibilidades sónicas de efeitos e às vezes não são tão valorizados como deviam (lembro-me especialmente do comentário de uma pessoa ao pé de mim num concerto em que estes tocaram antes de Blasted Mechanism). Esta semana foi tempo de lhes voltar a dar a merecida atenção.

Public Service Broadcasting – The Other Side
Voltei a ouvir esta semana este projecto fantástico que pega em gravações de momentos marcantes da história mundial e faz música a partir daí. Este ano lançaram “The Race For Space”, um álbum conceptual com gravações da história da nossa descoberta do espaço, é fantástico e tem momentos que nos faz sentir o entusiasmo, o nervosismo, a expectativa e a felicidade desses momentos, este “The Other Side” é, de entre os todos, talvez o que melhor o consegue.

Guardian Alien – See the World Given to a One Love Entily
Na realidade esta não é uma música mas sim duas, pelo menos os autores assim o decidiram. Pois bem, instrumental, psicadelismo, experimentalismo, para os mais cépticos deixo umas dicas, não esperem ouvir como uma qualquer música que ouvem na rádio ou na tv, estas obras são para ser ouvidas com atenção, como quando lemos um livro e vemos um filme não o fazemos em simultâneo. Experimentem ir para um ambiente com o mínimo de luz possível ou fechem os olhos, oiçam com atenção e percebam o interessante que é (pode não ser mesmo para vocês) e em jeito de jogo experimentem fazer o mesmo com aquelas músicas que são tipo pragas para perceber a diferença.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Daniel Menche and Mamiffer

Daniel Menche and Mamiffer – Calyx
Foi esta semana que saiu o vídeo de Calyx, tema que faz parte de Crater, o novo trabalho de Mamiffer com Daniel Menche. O streaming do bandcamp tem rodado durante toda a semana e vai continuar a rodar durante os próximos dias.

Anna Von Hausswolff – Stranger
Esta semana foi também semana de Anna Von Hausswolff disponibilizar o maravilhoso The Miraculous em stream. Este é já um dos álbuns do ano na minha opinião.

Mono – Ashes In The Snow
Ontem, a “Hora do Bolo” da Rádio Radar ficou a meu cargo com a maravilhosa playlist que ouvi durante a viagem à Islândia, escolhida com carinho por os amigos mais queridos. Esta “Ashes In The Snow” foi a banda sonora de um dos momentos mais bonitos de toda a viagem e como tal, não podia faltar. Se quiserem ouvir, voltará a passar de Segunda para Terça às 00h e no próximo Domingo às 17h.

Sibylle Baier – Give Me A Smile
Para além da “Hora do Bolo”, acabei por fazer o “Em Repeat” e esta foi a minha “Em Repeat” favorita.

Savages – The Answer
A surpresa da semana foi esta “The Answer” de Savages. Não conhecia a banda, mas fiquei impressionada com este single. Irei procurar conhecer mais assim que conseguir parar de ouvir o “Crater” e o “The Miraculous”.

Escolhas de Ricardo Almeida:
©Allison V Smith

©Allison V Smith

True Widow – Sunday Driver
Os True Widow são uns tipos porreiros. Estava eu à porta do The Fleece, onde os True Widow iam tocar, quando reparei que o concerto estava esgotado e eu não tinha bilhete – isto porque Kurt Vile e companhia eram a banda principal. A ponderar se ia para casa ou se ficava à porta a ouvir feito desgraçado, lá avisto o baterista que veio cá fora fumar um cigarro. Em menos de 5 minutos de conversa, e sem eu pedir, meteu o meu nome na guest-list. Conclusão: vi os True Widow de borla – vá, comprei o disco para não ser sanguessuga. Nota: Um dia hei-de perceber o que é que o pessoal vê no Kurt Vile.

Queens of the Stone Age – … Like Clockwork
Corria o ano de 2012 quando os Queens of the Stone Age lançaram o …Like Clockwork e tocaram no SBSR; um ano do diabo que virou tudo do avesso à grande e à francesa por aqui. Pegando no sistema de reciclagem apresentado pela Cláudia há umas semanas, resolvi “reciclar” algumas canções. Ouvi esta muitas vezes: a conduzir à noite; no Verão, de janela aberta no meu sótão, por aí fora… Depois deixei de a ouvir por me fazer pensar em certas coisas. Julgo que está, finalmente, na altura de “reciclar” isto.

Tom Waits – Who Are You?
Costumo dizer que Demis Roussos é o meu líder espiritual; uma espécie de José Cid da Grécia com umas vestimentas muito engraçadas e autor de malhões ideais para ouvir enquanto tratamos das lides domésticas. Tal como o tio Zé, também o jovem Demis era dado ao rock obscuro antes de se dedicar a coisas mais sérias – felizmente nunca fez uma canção chamada “Favas com Chouriço”. Vá, se calhar estou a exagerar com a história do líder espiritual. No entanto, se dissesse o mesmo a respeito de Tom Waits, não estaria. Tom Waits não só esteve lá nos momentos menos bons, como tem tornado os bons melhores ainda. O Ricardo Araújo Pereira disse que o Eusébio (ou o Benfica, não sei) fez dele uma pessoa melhor. Pois eu digo que o Tom Waits me faz querer ser uma pessoa melhor! É, portanto, o meu líder espiritual! E sim, acabei de meter ao barulho no mesmo texto Tom Waits, Eusébio, José Cid e Demis Roussos.

Tom Waits – Jockey Full Of Bourbon
Na semana passada disse que Paris, Texas é um dos meus filmes preferidos. Se tivesse uma lista Jarmusch também andaria por lá – atenção que se de música sei pouco, em matéria de cinema sou mesmo um completo ignorante. Down By Law (1986) abre com esta “Jockey Full Of Bourbone conta com Tom Waits, John Lurie e Roberto Benigni nos papéis principais. A lente inconfundível de Jarmusch, o alto contraste da película, os diálogos e os maneirismos de Waits, e a sempre notável prestação de Benigni não poderiam conviver melhor.

Tom Waits – Come on Up to the House
“Come down off the cross / we can use the wood / Come on up to the house”. Sempre fui pessoa de olhar para o copo e vê-lo meio vazio. Ando a fazer um esforço para contrariar isso.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

#49 And So I Watch You From Afar

And So I Watch You From Afar – Set Guitars To Kill
Depois de duas passagens a norte do país (no Porto e em Paredes de Coura), os irlandeses And So I Watch You From Afar finalmente passaram por Lisboa (obrigado, Amplificasom), onde abalaram as paredes do Musicbox nesta semana que passou. Esta foi ouvida imediatamente antes da banda se despedir e voltar para um encore épico.

Pet Sun – Dark Planet
Os Pet Sun são uma das boas descobertas do ano passado (ou até mesmo deste, já não sei bem para ser honesto) e disponibilizaram recentemente esta nova música. Dark Planet é, como os próprios a descrevem, um pouco mais lenta do que aquilo que a banda costuma fazer, mas vai funcionando cada vez melhor a cada audição. Dizem igualmente que esta música é melhor apreciada de noite, num quarto escuro apenas com alguma luz de velas, e a comer uma pizza entregue por Satanás. Quem sabe.

RX Bandits My Lonesome Only Friend
Em 2009 os RX Bandits estavam a lançar o Mandala e a My Lonesome Only Friend é a sua música de abertura. É talvez aquela que mais gosto desse álbum e provavelmente é por isso que está aqui.

Every Time I Die – The Marvelous Slut
O que é que acontece quando se junta ao Keith Buckley e restantes Every Time I Die o Greg Pusciato dos The Dillinger Escape Plan? Bem, esta The Marvelous Slut.

Alexisonfire – Polaroids Of Polar Bears
De volta às raízes mais screamo dos Alexisonfire, esta semana recordei o seu homónimo, graças à lista de recomendações que o Spotify me apresenta todas as semanas.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube