António Variações por Samuel Úria no Theatro Circo (04/12/2015)

António Variações por Samuel Úria no Theatro Circo (04/12/2015)

©Matilde Quintela

©Matilde Quintela

A propósito de mais um aniversário sobre o nascimento de António Variações, o Theatro Circo convidou Samuel Úria para um espectáculo de celebração do génio nascido no coração do Minho, na freguesia de Fiscal, Município de Amares. Samuel uniu esforços com Tiago Cavaco, contando ainda com o apoio de Rui Pregal da Cunha, David Pires, Selma Uamusse e João Eleutério, e esteve à altura o desafio, homenageando o compositor no espectáculo “Variações – Entre Braga e Nova Iorque”, nome que recorda a biografia assinada por Manuela Gonzaga e retrata o desejo de modernidade de um artista que vivia num Portugal que não estava à sua altura.

Conversador como lhe é habitual, Úria foi partilhando com o público as suas memórias e a influência que bebe de Variações. Rapidamente percebemos a razão deste convite ao lisboeta: António arriscou, não temeu novos rumos, inovou e popularizou a excentricidade.

Numa noite em que não se ouviram temas de Variações, houve sim um desfile de canções originais de Samuel Úria e da comunidade FlorCaveira, com pequenas e (nem sempre) discretas camadas que as revestiam de algo «variaçónico», como caracterizou referindo-se àquele jeito próprio de António. Ao fundo, íamos vendo no grande ecrã ora Braga ora Nova Iorque da década, em retratos melhorados por conterem apontamentos das duas cidades, numa mescla que resultou em algo como um gigante Galo de Barcelos num diner de beira da estrada. Num período ainda demasiado próximo do ataque terrorista de Bataclan, percebemos as mazelas do triste acontecimento, quando Úria deixa o público de sobreaviso quanto ao início do tema seguinte por conter o som de metralhadoras.

Foi uma noite de bonita e sentida homenagem ao homem que deixou um dos mais influentes legados, influenciando inúmeros projectos musicais e estéticos até hoje, volvidos já 32 anos desde a sua morte. Um Theatro esgotado para recordar o filho pródigo, teve ainda honras de vivenciar um dos mais bonitos momentos do ano: Rui Pregal da Cunha inesperadamente recordou os seus Heróis do Mar, interpretando o clássico “A Glória do Mundo“, canção que acredita que Variações teria adoptado como sua.