Músicas da Semana #173

Escolhas de Cláudia Andrade:

6godspeed51

Godspeed You! Black Emperor – Piss Crowns Are Trebled
Com o aproximar do final do ano é tempo de começar a organizar os tops de álbuns de 2015 e esta semana criei um top 20 onde o maravilhoso “Asunder, Sweet and Other Distress” ocupou a 6ª posição. Muitos dizem que será um álbum esquecido pelos tops dos media por ter saído no início do ano, eu espero que não porque foi sem dúvida uma das melhores criações deste ano.

Prurient – Myth Of Building Bridges
Quase no topo da lista ficou o Frozen Niagara Falls, ocupando uma 2ª posição que podia muito bem ser uma 1ª ao lado do The Miraculous da Anna Von Hausswolff . Um álbum que reinventa a electrónica dos anos 80 e que podia muito bem ser a banda sonora de uma sequela do Blade Runner.

Author & Punisher – Shame
Dos músicos mais surpreendentes que tive o prazer de conhecer e ver ao vivo no início deste ano, o grande Tristan Shone e o seu impressionante trabalho – Author and Punisher – ocupa a 15ª posição do top com “Melk En Honing”, um álbum que não me surpreendeu tanto como “Ursus Americanus”, mas que ainda assim merece um destaque neste top.

Max Richter – Path 5 (delta)
Um dos álbuns que mais me encantou este ano foi sem dúvida o Sleep e as suas 8h de duração. Uma noite de sono completa na sua companhia foi uma das experiências musicais mais interessantes que tive oportunidade de viver por todo o conceito e claro, pelo próprio trabalho de composição que consegui absorver enquanto dormia. Ocupa uma 7ª posição que podia ser uma 2ª se os álbuns acima ocupassem todos a 1ª que merecem.

Wiegedood – De Doden Hebben Het Goed
Uma banda que não conhecia e que foi das maiores surpresas do Amplifest acabou por merecer um 11º lugar neste top 20. Ouvir o álbum ao vivo ajudou-me muito a ver este “De Doden Hebben Het Goed” como um dos álbuns mais interessantes do ano.

Escolhas de Vera Brito:

Jack-Garratt

Jack Garratt – Weathered
Dezembro, mês inevitável de balanços e listas, é também o mês para descobrir alguns artistas que me passaram ao lado durante o ano e este Jack Garratt caiu nas graças na BBC Radio e percebe-se porquê. Multi-instrumentista e one man show em palco, revela semelhanças claras com Chet Faker, quer na voz quente ou até na barba ruiva. Semelhanças também com o experimentalismo de James Blake, sendo ainda que algumas músicas suas, como esta Weathered, puxem para a pop de Sam Smith. No meio de muitas imitações que têm aparecido recentemente, Jack Garratt parece-me contudo interessante e aguardo com curiosidade o seu álbum estreia que chega em fevereiro.

Marcus Marr & Chet Faker – Birthday Card
Mas é mesmo do Chet que eu tenho saudades de nova música e esta semana saiu por fim o EP Work, a sua colaboração com Marcus Marr, que já dá para entreter até próximas novidades do australiano. EP feito a pensar nas pistas de dança, que ajuda a combater este frio de dezembro.

Animal Collective – FloriDada
Também para combater o inverno estão aí os Animal Collective com álbum novo a caminho e esta FloriDada é do mais viciante que há. Como sempre nas músicas dos AC fecho os olhos e parto para outra dimensão.

Kurt Vile – Life Like This
2015 trouxe também alguns arrependimentos musicais, como ter falhado o recente concerto de Kurt Vile. Tenho massacrado-me até mais não a ouvir sobretudo o seu recente b’lieve i’m goin down… O que vale é que parece que vai haver nova oportunidade para ver o rapaz no próximo SBRS.

Linda Martini – Dez Tostões
O novo álbum sai em abril e eu já tenho o bilhete para o concerto de apresentação no coliseu, porque há riscos que são simplesmente parvos de se correr (falando em arrependimentos musicais, ainda me pesa ter perdido a temporada completa da banda no Musicbox neste ano).

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Stone Temple Pilots

Stone Temple Pilots – Down
Depois da surpresa que foi como um abalo entre os fãs de rock, em especial do movimento grunge e da atmosfera anos 90, a morte de Scott Weiland trouxe de novo as lembranças que esta figura da música vai embalar sempre na nossa memória. Reouvir álbuns e recordar fases da vida. A voz deste senhor é incontornável no percurso da música dos anos 90 e estará sempre presente, ainda que a pessoa já não. Fica para trás a hipótese de ver ao vivo este frontman ímpar, como é o meu caso.

Stone Temple Pilots – Sex Type Thing
Sempre foi a minha preferida e há-de continuar a ser. Marca uma fase da minha vida. Recorda-me sentimentos. Recorda-me como comecei a descobrir música aos poucos, como descobri STP e comecei a entusiasmar-me com cada nova faixa que ouvia pela primeira vez. Esta música tem quase a minha idade e transporta-me para uma era nos anos 90 que só consigo imaginar.

Velvet Revolver – Slither
Outro grande projecto que envolvia Scott Weiland. Também das primeiras bandas rock que comecei a ouvir. Era um “super-grupo” com a voz carismática a liderar e com os solos de Slash a adornar. Outra banda que nunca poderei ver ao vivo com esta fantástica formação. Já esta faixa, do excelente “Contraband” de 2004, é um hino rock irrepreensível.

The Cure – Friday, I’m in Love
Falta quase um ano, mas já tenho bilhete. Descobrir que ainda fico tão feliz por ouvir The Cure, como quando os vi pela primeira vez em 2008, significa muito. Significa que é daquelas bandas que ficam, que não importa quanto tempo passe, marcam.

Lamb of God – 512
O novo álbum de Lamb of God tem servido como música de fundo enquanto trabalho. Muito boa esta “512”. São outra banda que não me cansa.

Escolhas de João Neves:

Foo Fighters

Foo Fighters – Saint Cecilia
O novo EP dos Foo Fighters, lançado há pouco mais de uma semana, partilha o nome com esta música. Não previsto, muito orgânico a todos os níveis e com uma carta com uma mensagem muito forte para os fãs que infelizmente precisou de um acrescento devido aos acontecimentos de Paris. É gratuito, aproveitem.

The Dead Weather – Three Dollar Hat
A primeira vez que a voz do Jack White aparece no novo álbum dos Dead Weather é acompanhada por um baixo bem misterioso e um sintetizador maluco. É talvez a música mais interessante de todo o disco, mas oiçam o resto que vale bem a pena.

The Glockenwise – Bardamu Girls
Confesso que não conhecia bem o trabalho destes portugueses, mas sabia de antemão que valia a pena conhecer. Pois bem, esta semana foi finalmente tempo de começar a tratar disso.

Editors – No Harm
Estamos a aproximar-nos do fim do ano e é tempo de nos apressarmos a ouvir coisas que foram lançadas ao longo do mesmo mas que por um motivo ou outro ficaram na gaveta. Depois da primeira audição do novo “In Dream” dos Editors a minha pergunta foi somente “Porque levei tanto tempo?!”.

God Is An Astronaut – Centralia
Também voltei a ganhar paciência para actualizar a onda “post-rockeira”. Pois que este Centralia é um bom exemplo das várias fontes musicais a que este tipo de música vai beber.

Escolhas de Cláudia Filipe:

ANOHNI

ANOHNI – 4 Degrees
Já tinha tocado esta no Primavera, mas agora aparece gravada e pronta a estrear em álbum. Antony Hegarty, que agora se dá a conhecer como ANOHNI, mostrou o primeiro avanço para o seu próximo álbum, Hopelessness, produzido por Oneohtrix Point Never e Hudson Mohawke. E 4 Degrees é um tema lindíssimo.

The National – Secret Meeting
Porque concertos de The National nunca são demais e porque já estava na hora do regresso. Vai ser bom voltar ao sítio onde os vi pela primeira vez. Podem tocar esta outra vez?

Ludovico Einaudi – Night
O Ludovico Einaudi é o responsável por um dos meus álbuns preferidos deste ano. Tenho-me deixado levar pelo Elements, que cresce a cada vez que o ouço.

Coldplay – Warning Sign
O novo disco de Coldplay é mau demais. Longe vão os tempos do Parachutes e do A Rush of Blood to the Head que permanecem como dois dos meus álbuns de eleição. Fala-se que A Head Full of Dreams é o último álbum da banda e é uma pena que venha confirmar a espiral descendente em que eles entraram e da qual não conseguiram sair.

Benjamim – Rosie
Não passei muito tempo no Mexefest este ano, mas um dos meus momentos preferidos foi ver o AP Braga subir ao palco para cantar este tema com o Benjamim. Há canções intemporais.

Escolhas de Ricardo Almeida:

Stone Temple Pilots

Stone Temple Pilots – Creep
Sexta-feira acordámos com a notícia da morte de Scott Weiland, o eterno vocalista dos Stone Temple Pilots. Altura de recordar alguns hinos dos anos noventa.

Colin Stetson and Sarah Neufeld – Won’t Be a Thing to Become
O Lobo Antunes disse uma vez que gostava de poder encher os livros de silêncio, tender cada vez mais para o silêncio. Poderá a música ser uma ode ao silêncio? O saxofonista Colin stetson e a violinista dos Arcade Fire lançaram um dos discos mais bonitos do ano. Never Were the Way She Was, pela Constelation Records, consegue ser ambicioso, experimental mesmo, sem sacrificar o peso quase insustentável da nostalgia – esse desejo insatisfeito de regressar – que carrega em todos os instantes.

Steve Von Till – Birch Bark Box
Só ontem é que me lembrei que ainda não tinha ouvido o novo do Steve Von Till. Peguei no Gaspar (o meu cão), num livro, nos phones, e passei o dia enfiado no mais parecido que por aqui tenho com o “meio do nada” a escutar o A Life Unto Itself e a constatar que o sol se põe cedo demais por estes dias. Se estava um pouco apreensivo em relação à fusão de Steve Von Till, o cantor folk, com o psicadelismo de Harvestman, este disco dissipou quaisquer dúvidas.

Prurient – Myth Of Building Bridges
Hoje aproveitei o nevoeiro para a revisitar o buraco negro deste Frozen Niagara Falls, disco gélido com faixas e momentos absolutamente incríveis, apesar de por vezes dedicado à produção de enchidos. Tivesse o disco metade da duração e não perderia muito.

Swans – Why Are We Alive?
Bem, acho que fechei a loja no que toca a comprar discos até ao fim do ano. A caixa com as reedições do Love of Life e do White Light From the Mouth of Infinity vem a caminho.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube