A Winged Victory For The Sullen no Auditório Adelina Caravana (04/12/2015)

A Winged Victory For The Sullen no Auditório Adelina Caravana (04/12/2015)

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Faz hoje uma semana que os A Winged Victory For The Sullen se apresentaram em Braga. A organização do concerto ficou a cargo do GNRation, embora não tenha acontecido na sua Blackbox. Desta vez, deu-se no Auditório Adelina Caravana, uma sala de lugares sentados pertencente ao Conservatório de Música Calouste Gulbenkian.

O grupo formado por Adam Wiltzie, encarregue das teclas e da guitarra eléctrica (cujo som é totalmente transfigurado), e Dustin O’Halloran, no piano (e numa espécie de modulador?), trouxe mais três músicos, que os acompanharam no violino, viola e violoncelo – instrumentos nucleares no segundo álbum da banda, Atomos, que foi tocado na íntegra. Como constatado na antevisão ao concerto, é um disco mais opulento, mais parco em contemplação, mas que foi composto inicialmente como acompanhamento musical a uma coreografia de Wayne McGregor; a própria edição em disco das composições foi apenas equacionada mais tarde.

Do concerto, há momentos que guardo em maior estima: quando os cinco músicos contribuíam para a edificação de algo maior, os sons se tornavam articulados e ganhavam vida, e sentíamos o frisson que outros nesta área, como Tim Hecker no drone ambient, Gavin Bryars na composição mais clássica, nos provocam frequentemente. Infelizmente, não aconteceu muitas vezes ao longo de quase duas horas de concerto, quando os motivos se repetiam, as cordas entravam e saíam sem grande critério, e a música, esse todo, parecia desorientada e sem personalidade. Será culpa da matéria prima que sustentou o concerto, o álbum Atomos, que em muitos aspectos seguiu numa direcção diferente do seu antecessor?

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Entretanto, e sem equacionar argumentos mais subjectivos, parece-me ter encontrado uma justificação, uma diferença apenas visível nas letras pequenas de cada um dos discos: no primeiro, havia Hildur Guðnadóttir no violoncelo e Peter Broderick no violino; Nils Frahm supervisionou as gravações (um papel que será delegado a Ben Frost no segundo álbum). Será a falta destas contribuições suficiente motivo para me afastar do resultado de Atomos?

São considerações pertinentes, mas tudo isto é inconsequente perante a sala quase cheia que, no final, saiu satisfeita com a obra de Wiltzie e O’Halloran; muitos lhes agradeceram, já no átrio do Conservatório, pela música que trouxeram a Braga. Deixo os meus preciosismos musicais de lado (e que são, afinal, uma questão de gosto): é bom que um projecto relativamente underground, de um género sem espaço em rádios e spotify’s afins, consiga encher uma sala de Braga e satisfazer o seu público; melhor ainda é saber que esta cidade tão culturalmente caduca, por vezes, cimenta assertivamente esta vontade de trazer e ouvir música, seja de onde for.

Alexandre Junior

Interesso-me por muitas coisas. Estudo matemática, faço rádio, leio e vou escrevendo sobre fascínios. E assim o tempo passa.

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