Top 10 de 2015 por Cláudia Filipe

Top 10 de 2015 por Cláudia Filipe

Este é o quinto top 10 que escrevo para o Arte-Factos, o que simboliza também a meta de cinco anos de actividade, algo que nunca imaginei que acontecesse quando começámos esta aventura. Mas, ao longo de cinco anos, nunca me passou pela cabeça fazer uma lista que não tivesse um único álbum. A verdade é que este foi um ano em que os momentos prevaleceram e houve tantos que tive de deixar de fora, como o arrepio que o Father John Misty me deu quando começou o concerto em Paredes de Coura com a I Love You Honeybear (uma das canções do ano), ver Woods num quartel de bombeiros num dia de chuva, atravessar o Parque da Cidade a correr como se estivesse no Trainspotting só para ouvir a Born Slippy ou estar na aula de fitness de Future Islands no Alive. O saldo de 2015 é muito positivo: foi um bom ano, hajam mais assim!

#10 SCP

#10 She is a sweet and tender hooligan
Mais um top, mais uma referência futebolística. Se no ano passado pude partilhar o quanto me diverte acompanhar um mundial de futebol, neste ano o Sporting encheu-me de alegrias. Duas delas tive a sorte de testemunhar ao vivo: saí do Jamor sem voz quando a conquista da Taça de Portugal já parecia longe e terminei um fim-de-semana de Verão a fazer a viagem Algarve-Lisboa com uma Supertaça conquistada ao eterno rival debaixo do braço.

ANOHNI

#9 A magia de Antony and the Johnsons
Não há grandes palavras para Antony (que agora se apresenta como ANOHNI) e para a doçura e sensibilidade que transborda. Foi um prazer revê-lo e ainda para mais estava tão bem acompanhado pela orquestra da Casa da Música. A sua música entranha-se na pele e enche-nos a alma de coisas bonitas. Estar na sua presença é uma experiência de paz. Foi esmagador ouvir novamente temas como Hope There’s Someone ou You Are My Sister. E ouvir novos temas que prometem um início de 2016 em cheio.

#42 Converge

#8 Converge no Amplifest
Faltava-me uma banda para fechar um ciclo: ver Converge. E, finalmente, depois de inúmeros pedidos a malta da Amplificasom fez-me a vontade. Dizem que à terceira é de vez e foi assim que aconteceu. Depois de dois desencontros, foi altura do frente a frente com o Bannon e não desiludiu. Foi tanto e soube a tão pouco.

Rufus Wainwright

#7 A Prima Donna do Rufus Wainwright e o after party
O Rufus Wainwright compôs uma ópera inspirada na vida de Maria Callas e veio apresentá-la em duas noites esgotadas à Gulbenkian. Nunca o tinha visto e não imaginava que a primeira vez que isso acontecesse fosse numa ópera. Mas a verdade é que foi um espectáculo sublime, ao qual se seguiu o que o próprio intitulou de after party, onde tocou alguns dos seus maiores êxitos acompanhado pela Orquestra da Gulbenkian.

Narcos

#6 Narcos: plomo o plata?
Soy el fuego que arde en tu piel / soy el agua que mata tu sed. Uma das bandeiras da entrada da Netflix em Portugal foi a primeira temporada de Narcos, série baseada na incrível vida de um dos maiores traficantes de sempre, Pablo Escobar. Há muitos factores que tornam esta série tão especial: entre a interpretação irrepreensível de Wagner Moura (que conhecemos de Tropa de Elite), e o genérico composto e cantado por Rodrigo Amarante, dos poucos que não dá vontade de passar à frente, o que não faltam são motivos para passar umas horas em frente à televisão.

#48 Death Cab For Cutie

#5 Death Cab For Cutie: and thousands upon thousands made an Ocean.
Inevitavelmente, um dos meus momentos preferidos deste ano. Não pelo espectáculo em si, mas pela carga simbólica que ver Death Cab for Cutie traz. A adolescência já vai longe, assim como as tardes perdidas a ver The OC, mas ouvir temas que marcaram tanto uma fase da minha vida soube outra vez a 2005. Foi o meu momento Back to the Future 2015 e soube tão bem.

Dave Matthews Band

#4 Dave Matthews Band: is this real or am I dreaming?
Porquê voltar a ver uma banda que já vi duas vezes, em concertos de 3h cada? Porque há sempre esperança para uma surpresa e à terceira foi mesmo de vez: o Dave tocou a Crush e o meu coração parou. Só por causa disso, já merecia um lugar de destaque, mas, mais uma vez, foi arrebatador, apesar das 4h em pé. A minha história com eles começa, precisamente, naquele local há 8 anos atrás quando decidi ir ver um concerto caríssimo de uma banda que não me dizia assim tanto, mas que achava que ia ser bom porque tocavam todos muito bem. Claro que depois disso se tornaram numa das minhas bandas de eleição e o reencontro nunca desilude.

Star_Wars_The_Force_Awakens

#3 I find your lack of faith disturbing
Escrevo este top antes de ver o filme e ainda me posso vir a arrepender amargamente desta escolha, mas toda antecipação que se gerou à volta do novo Star Wars tem-me deixado em pulgas. O regresso de uma das minhas sagas preferidas, agora pela mão da Disney, tem inundado lojas com os mais variados géneros de merchandising. Um delírio para os fãs acérrimos, como eu.

©Everything Is New

©Everything Is New

#2 A bordo do Trans Europe Express com Kraftwerk
Não sou fã da tecnologia, mas a ideia de ver um concerto em 3D deixou-me curiosa. Mais ainda quando se trata de uma banda que nunca pensei ver ao vivo: Kraftwerk. Em primeiro lugar, foi cómico ver naqueles últimos segundos antes de se apagarem as luzes milhares de pessoas com aqueles óculos patetas postos, à espera de uma das bandas pioneiras na música electrónica. E depois o que se seguiu foi inacreditável: uma mão cheia de clássicos tocados de forma irrepreensível.

Aniversário Arte-Factos

#1 Ser DJ por uma noite
Porque também mereço um momento egocêntrico neste top e porque a noite de 15 de Maio foi inacreditável. Comemorar 5 anos de Arte-Factos (alguém pensou que chegássemos até aqui?) e comemorar 27 anos de vida, numa sala cheia de apoio. Nunca esquecerei este dia porque foi demasiado bom.

Cláudia Filipe