Top 10 de 2015 por José Santiago

É sempre uma tarefa ingrata ter de colocar filmes por ordem de qualidade, ainda mais confinar essa escolha a apenas dez, cujo único ponto de contacto é a circunstância de terem partilhado ano de estreia em Portugal e serem vistos por mim. No entanto esta é também a oportunidade de destacar algumas escolhas pessoais que acho merecedoras de maior atenção. Saliento que é uma opinião nada objectiva, que eu próprio não estou seguro dela e que, pasme-se, é passível de ser contrariada.

#10 Knock Knock – Tentações Perigosas

O filme de terror psicológico que mais me deixou desconfortável em muitos anos. Eli Roth foge à sua natureza gore para escrever e realizar este remake e consegue o prodígio de fazer um filme de invasão domiciliária onde todas as situações são verosímeis, o que deixa qualquer homem nervoso bem depois das luzes do cinema se acenderem. É também capaz de ser a melhor interpretação de Keanu Reeves, não é dizer muito, mas é facto.

#9 O Agente da U.N.C.L.E.

Agora que o James Bond é um tipo sem piada e com os pés bem assentes na terra, temos aqui uma válvula de escape. Guy Richie criou um dos filmes mais divertidos do ano e conseguiu criar duas personagens com uma química raríssima, brilhantemente interpretadas por Henry Cavill e Armie Hammer. Junte-se a isto uma banda sonora de fino recorte e temos o que espero ser o início de uma bela franchise.

#8 Love & Mercy

Não gosto de filmes biográficos mas com este tenho uma forte relação emocional, não só conta parte da história de Brian Wilson como os actores que o interpretam são John Cusack e Paul Dano. Vemos em simultâneo a mesma pessoa e é por isso que a diferença é tão impactante. Ambos os actores estão ao mais alto nível das suas carreiras e é bom ver o Paul Dano a ser contido, só assim dá para ver que há talento por detrás dos habituais berros.

#7 A Girl Walks Home Alone at Night

É raro encontrar um filme de terror com uma estética tão marcante. Na verdade não é bem terror, tem vampiros e é capaz de se o único ponto de convergência. Um exercício de estilo que nos leva por uma cidade fictícia no Irão e nos deixa a pensar se a estranheza do que vemos tem a ver com o confronto de culturas ou com o que vai na cabeça da realizadora.

#6 Rosewater – Uma Esperança de Liberdade

A estreia de Jon Stewart enquanto realizador podia ser entendida como uma simples carolice de um comediante que se quer provar como algo mais, mas é uma maravilhosa ode à liberdade que ofusca o autor no melhor dos sentidos. Podia ser mais um filme de puxar a lágrima, mas foge desse caminho com muita classe. A militância está presente no contexto e tudo resto é um ensaio sobre a solidão e a liberdade que o pensamento traz.

#5 Um Ano Muito Violento

Um filme sujo, escuro e onde ninguém é verdadeiramente inocente. É muito raro capturar a essência de uma época com a distância de 30 anos, mas a verdade é que Um ano muito violento, de J. C. Chandor é mais do que perucas ou música Disco, é um estudo de personagens e costumes que resulta muito bem graças a um dos actores de que mais vamos ouvir falar daqui para a frente, Oscar Isaac.

#4 Mad Max: Fury Road

Mad Max: Fury Road é um filme de acção que não se perde com pretenciosismos de querer ser o que não é. Um herói tem de ir do ponto A para o ponto B numa gigantesca sequência de acção minuciosamente planeada. Cuidados de quem sabe que fazer as coisa à maneira antiga implica um planeamento mais detalhado do que havendo artistas a programar o caos atrás de um teclado.

#3 Ich Seh, Ich Seh

Num ano particularmente bom para o cinema de terror, esta produção alemã destaca-se por não ser uma homenagem, sequela ou re-imaginação de nada. É um trabalho original, esteticamente irrepreensível com uma narrativa inteligente o suficiente para nos deixar a pensar, criar teorias e duvidar delas várias vezes durante as suas duas horas de duração. Se a isto juntarmos o desconforto e a tensão que consegue criar, estamos perante um título que vai ficar na memória como uma das bitolas do género para esta década.

#2 Birdman

Keaton_Birdman

É bom saber que Alejandro G. Iñárritu consegue fazer mais filmes para além de Amor Cão e que ao faze-lo consegue imprimir a mesma qualidade. Um trabalho divertido, trágico e estéticamente oposto aos anteriores que parece viver das fragilidades dos próprios intervenientes que são eles próprios peixes fora de água, Iñarritu enquanto realizador e Michael Keaton enquanto antigo cavaleiro das trevas.

#1 Beasts of No Nation

Um filme poderoso e desarmante de Cary Joji Fukunaga. Nesta experiência hipnotizante e imersiva somos transportados para o inferno na terra e vemos a perda da inocência quase em tempo real, de forma crua, seca e sem artifícios apoteóticos.

José Santiago